Potirendaba

Avó nega entregar criança para o pai após justiça determinar busca e apreensão do menor

autor: Luiz Aranha/Gazeta do Interior

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Uma avó materna está se negando a entregar o neto, de 4 anos, para o pai biológico, mesmo após a justiça determinar a busca e a apreensão do menino, em Potirendaba (SP). A mãe do menor morreu vítima de um grave acidente na ponte do bairro Luís Pastorelli, no mês passado.

O pai da criança, Lucas de Souza Lima, conta que teve que buscar na justiça o direito de ter a guarda do filho, pois mesmo ele sendo o pai e ter a guarda por direito, a avó materna teria se negado a entregar o menino. Na última sexta-feira (08/10), o juiz de Potirendaba, Marco Antonio Costa Neves Buchala, deferiu uma liminar de busca e apreensão do menor.

“Eu fui na casa dela para pegar a criança e ela não estava. O Oficial de Justiça então entrou em contato com ela, onde ela se comprometeu em entregar a criança no último sábado (09/10), às 14h, porém, no local e hora marcada, fomos informados de que eles (moradores do imóvel) não sabiam do paradeiro dela”, explica.

O menino é fruto de um relacionamento que durou 5 anos, entre Lucas com a ex-mulher, Damiana Danúbia Pereira da Silva, de 23 anos, que morreu vítima de um grave acidente na noite do dia 14/09, na ponte do bairro Luís Pastorelli, em Potirendaba. Ela seguia na garupa de uma moto, quando o piloto, de 27 anos, teria batido de frente com uma caminhonete. Ele foi socorrido com ferimentos graves e acabou sobrevivendo, mas Damiana infelizmente não resistiu.



Lucas conta que, após a separação com Damiana, o menino ficava durante a semana com ele e aos finais de semana com ela. “Como eu ficava com ele durante a semana, ela disse que eu nem precisava pagar pensão e que, como ela trabalhava durante a semana, seria melhor para ela ficar aos finais de semana com o menino. Muitas vezes ele ia embora chorando, por que não queria voltar para a casa da mãe dele”, explica o rapaz.

Após a morte de Damiana, a mãe dela entrou na justiça com um pedido de guarda do neto, pois, segundo ela, o menino teria sido criado com a mãe e com a avó. Liminar esta que foi negada pela justiça de Potirendaba.

No dia 04 de outubro, a mulher procurou o Plantão Policial de São José do Rio Preto, onde registrou um boletim de ocorrência de natureza não criminal. No documento ela justifica que não tem a intenção de subtrair a criança para si, mas que está respeitando a vontade do neto em permanecer junto a ela, residindo em sua casa, de forma que não entregaria ao pai contra a própria vontade da criança.

Para a Gazeta, a avó da criança justificou que não entregou o menino porque trabalha em Rio Preto cuidando de dois idosos, com mais de 90 anos, e que por isso falou para o Oficial de Justiça que não teria como entregá-lo em Potirendaba.

“Eu pedi para que eles viessem buscar o menino aqui no meu serviço, mas o Oficial disse que não era comarca dele. Essa criança, desde que nasceu, foi criada comigo. O pai dele nunca se interessou em pegar o menino, pois muitas vezes quem vinha buscar eram os pais dele. Não é que eu não quero devolver essa criança, mas é a criança que não quer ir com o pai e essa é a vontade dela”, disse a mulher que afirmou que havia sido orienta pelo advogado a não entregar o menino.

Em contato com o advogado de defesa da mulher, ele desmentiu a afirmação da cliente e disse para a Gazeta que a orientação dada para ela é de que a decisão da justiça seja cumprida imediatamente e que a criança precisa ser entregue com urgência para o pai.

Na tarde desta segunda-feira (11/10), Lucas procurou o Plantão Policial de Cedral para registrar o caso. No local, os policiais registraram um boletim de ocorrência não criminal, onde o pai foi informado pelo delegado que a avó ainda não foi notificada oficialmente sobre a decisão da justiça e que não há crime até o momento.

Após novo contato com a avó, nossa reportagem foi informada por ela de que, após o menino passar por uma psicóloga, ele será entregue ao pai.