Urupês

Recusa pela 2ª dose expõe região à contaminação pela variante Delta

autor: Joseane Teixeira

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Enquanto o mundo discute a necessidade de aplicação da terceira dose das vacinas contra a Covid-19, o estado de São Paulo enfrenta dificuldades em convencer a população a retornar aos postos de saúde para receber a 2ª dose.

São 1 milhão de faltantes. Número que tem impacto também na nossa região. Somadas, as 12 cidades de cobertura da Gazeta do Interior acumulam 1.608* moradores que estão atrasados para completar o ciclo de imunização.

A principal delas é Guapiaçu, com 576 casos. E o que é mais preocupante: 212 faltosos são comórbidos e 114 idosos, grupos considerados mais suscetíveis ao agravamento da doença.
De acordo com o diretor de Saúde da cidade, Bruno Ribeiro, a Prefeitura tem realizado inúmeros esforços para convencer a população a se proteger.

“Ampliamos o horário de atendimento, porque a principal reclamação era a indisponibilidade de tempo, já que muitos moradores trabalham fora da cidade e relatam que não encontram os postos de vacinação abertos. Também estamos fazendo parcerias com empresas que exigem dos funcionários a carteira de vacinação, e até visitas domiciliares, nos casos dos pacientes que não conseguimos contato telefônico”, explicou.

Para o diretor, a recusa pela segunda dose está relacionada à reação provocada por alguns imunizantes e pela crença equivocada de que apenas uma dose garante a proteção necessária.

Outros municípios enfrentam o mesmo problema. Tabapuã acumula 295 faltosos, Bady Bassitt 180, Potirendaba 162, Cedral 120, Urupês 102, Catiguá 85, Uchoa 80, Nova Aliança 6 e Elisiário 2 (que assinaram o termo de recusa).

Em Rio Preto, o número chega a 12 mil. Nesta semana, representantes das coordenadorias de saúde dos municípios paulistas participaram de uma reunião online para traçar estratégias de alcance da vacinação.

Karyna Iglesias, coordenadora de saúde da cidade de Uchoa, diz que as prefeituras estão empenhadas em realizar a busca ativa pelos faltosos.

“A principal justificativa para o não-comparecimento é que esqueceu. A gente percebe que essa tendência é maior entre os pacientes que precisam tomar a 2ª dose após o intervalo de 3 meses. É uma espera longa e elas esquecem mesmo. Tivemos apenas 3 ou 4 pessoas que assinaram o termo de recusa”, explica.

A situação é preocupante devido ao rápido avanço da variante Delta no país. Identificada pela primeira vez em maio, já contaminou 1.020 brasileiros, levando a óbito 41 deles, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Estudos apontam que a cepa indiana tem maior capacidade de transmissão, inclusive em ambientes abertos. Enquanto o SARS-CoV-2 original transmite de duas a três pessoas, a variante Delta transmite de cinco para oito.

Estudo realizado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças e pela Escola de Saúde Pública em Guangdong, na China, apontou que a Coronavac oferece proteção contra quadros graves da covid-19 causados pela variante Delta.

Cientistas da Universidade de Oxford concluíram que a Pfizer é mais eficaz para combater a variante Delta que a AstraZeneca, mas sua eficácia desaparece mais rapidamente. Identificada na Índia, a cepa já está presente em 135 países.

“Somente o pacto coletivo da vacinação permitirá que superemos essa pandemia”, defende o diretor de saúde de Guapiaçu.



Não respondeu

Procurada desde quarta-feira (18/08) por ligação telefônica e mensagem no WhatsApp, a coordenadora de Saúde da cidade de Novais não respondeu à solicitação de dados até o fechamento desta reportagem.

Sigiloso

Embora praticamente todas as prefeituras tenham respondido a Gazeta sem nenhuma ressalva com relação aos números, surpreendentemente a Prefeitura Municipal de Ibirá informou, através de assessoria de imprensa, que os dados referentes às doses atrasadas e casos suspeitos de reinfecção são sigilosos e que o município está interessado, apenas, na divulgação de notícias positivas.

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de agosto de 2021)