Vida virtual pode trazer problema real

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Diogo De Maman

diogo@gazetainterior.com.br

Todos se lembram do desespero da atriz Carolina Dieckmann que teve fotos íntimas espalhadas na internet por hackers e demais usuários. A questão é: porque algumas pessoas expõem tanto a própria vida no mundo virtual? Estamos preparados para lidar com tanta informação?

Cada vez mais são os casos de bandidos que sequestram pessoas obtendo informações preciosas através de redes sociais como o Facebook e o Twitter. Se você é do tipo de pessoa que posta suas atualizações livremente para todos, saiba que uma pessoa mal intencionada tem como saber quem são os seus amigos, quais são os lugares que costuma ir, a academia que frequenta, os seus planos para o final de semana. Essa prática pode colocar a sua integridade física em sérios riscos.

Para o sociólogo, Luciano Alvarenga, as redes sociais se transformaram em um espaço público, mas num sentido diferente. Segundo ele, o espaço público no sentido grego é o espaço da política, do encontro entre iguais que decidem a vida da cidade.

“Hoje as redes sociais são os lugares onde indivíduos isolados vivem publicamente sua dimensão privada. Quanto menor é a participação das pessoas nos espaços públicos e quanto mais se sentem enfraquecidas para mudarem as coisas na vida pública, mais expõem sua vida privada íntima. Não havendo meios, nem formas de participar da vida pública, as pessoas passam à buscar na exposição de si mesmas uma maneira de obterem reconhecimento público”, diz Alvarenga.

A privacidade em redes sociais é um assunto que gera polêmica. Há aqueles que defendem que se tem um perfil na internet, tudo tem que ser público para todos. Outros são a favor da censura para não compartilhar material indevido com alguma pessoa desconhecida.

O fato é que até quem não é celebridade, pode se sentir rodeado de paparazzi. Amigos, vizinhos, ex-namorados e até desconhecidos podem publicar algo sobre nós e ter a privacidade invadida.

A estudante Barbará Barbosa Viana, de 21 anos, assume que se expõem demais nas redes sociais e já recebeu conselhos de amigos e inclusive da própria mãe para ela não se expôr exageradamente. “Minha mãe pede que ao menos eu não exponha nossa família, que se for para falar algo, que eu fale de mim. Eu tenho consciência que isso me oferece riscos, por exemplo, posto sempre pelo celular onde estou, com quem estou, e isso pode gerar problemas até para quem está comigo”, completa.

Para evitar qualquer tipo de problema, o Professor Doutor em Segurança da Informação da UNESP de São José do Rio Preto, Adriano Mauro Cansian, fala que a pessoa tem que se comportar na internet da mesma forma que na vida “real”, mas de forma ampliada.

“A pessoa deve procurar pensar se ela teria aquele comportamento no seu dia a dia. Por exemplo, você abordaria alguém desconhecido na rua e mostraria suas fotos pessoais? Você diria aonde vai para uma pessoa que encontre ao acaso na rua? Você diria a seus clientes que detesta trabalhar às segundas-feiras? A resposta é simples: deve-se adotar um comportamento semelhante ou até mais cuidadoso que se teria na vida real”, afirma.

Ainda segundo Cansian, para preservar um pouco a privacidade na internet a dica é tentar ser o mais restrito possível na divulgação de seus dados particulares. “Procure manter seu perfil e seus dados privados, para acesso somente a pessoas que você conheça. Nunca dê informações completas sempre que for possível. Se um site não obriga que você forneça sua data de nascimento, evite colocar esta informação desnecessariamente. Coloque o mínimo possível sobre você. De preferência, não coloque nada”, alerta.

O Tecnólogo em Logística e Transporte, Renan Filipe dos Santos, 27 anos, conta que nunca sofreu nada demais na internet, embora, se exponha muito no Facebook, ele tem noção dos riscos. “Apesar de postar muita coisa, eu sei que assumo um risco e tenho que estar preparado para ele, mas a realidade é uma só: se quer privacidade, não tenha uma rede social”, diz.

A internet é um caminho sem volta, a tendência é de que cada vez mais as pessoas se exponham na rede sem pensar nas consequências que isso pode trazer. Alvarenga ainda faz uma previsão de como será as redes sociais daqui 10 anos. “As pessoas vão expôr ainda mais sua intimidade e vida privada. Aliás, ter vida privada no futuro será coisa de gente esquisita, uma espécie de hippie do século XXI”, fala.

Foto: Divulgação

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