VICINAIS DO MEDO: A Gazeta percorreu 82 quilômetros de rodovias e mostra o abandono e a falta de manutenção das principais vicinais da nossa região

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Luiz Aranha

luiz@gazetainterior.com.br

Oitenta e dois quilômetros com curvas perigosas, buracos, falta de acostamento, total estado de abandono. Essa é a realidade encontrada pelas equipes da Gazeta do Interior aqui nas rodovias da região Noroeste do Estado.

Nossa esquipe de reportagem percorreu as principais vias de acesso que ligam às cidades e traz um relatório completo de como andam as vicinais que milhares de pessoas usam todos os dias para chegar ao trabalho e voltar para casa.

As vicinais que, segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), estão sob administração das prefeituras municipais, da forma que se encontram, já tirou a vida de centenas de usuários e coloca em risco, cada vez mais, a vida de motoristas.

Um levantamento realizado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (Setcesp) aponta que dos 15,8 mil quilômetros de rodovias estaduais sem pedágio do Estado de São Paulo, pelo menos 10 mil km têm problemas de conservação e precisam de reformas.

A extensão da malha ruim é quase o dobro dos 6,2 mil quilômetros da rede estadual com pedágio, considerada em bom estado. O alto custo da tarifa leva os motoristas, principalmente caminhoneiros, a usarem as rodovias sem pedágios como rota de fuga, piorando suas condições.

Nossa equipe de reportagem começou a viagem pela SP-379, rodovia Roberto Mario Perosa que é uma rodovia de jurisdição estadual. A estrada começa na cidade de Uchôa e vai até o município de Sales. Ao todo são 53 quilômetros de falta de acostamento, buracos em diversos trechos, sinalização precária e a falta de manutenção do asfalto que coloca em risco a vida de quem trafega pelo local.

Com chuva a situação da pista fica ainda pior e os riscos aumentam. “As condições são péssimas, são muitos buracos no trecho até Sales. Eles recapearam um trecho, mas a obra é lenta e quem sofre somos nós”, reclama o encarregado de manutenção Claudinei Machado que é morador de Ibirá e frequenta a rodovia todos os dias para ir trabalhar.

De acordo com o Departamento de Rodagens, há previsão de investimentos na SP-379 estimados em R$ 71,8 milhões. Obras de recapeamento na pista, alargamento dos acostamentos e das faixas adicionais serão feitos em todo o trecho. A previsão é que essas obras sejam licitadas somente em outubro deste ano.

Saindo da SP-379, nossa equipe percorreu a vicinal Abel Pinho Maia que liga Ibirá à cidade de Potirendaba. Segundo o DER, a estrada que tem curvas altamente perigosas e que já matou três pessoas nos últimos cinco anos, foi contemplada pela primeira etapa do programa Pró-Vicinais em 2009. Na estrada, mais de 13 quilômetros de via foram recuperados e recebeu um investimento de R$ 3,6 milhões.

De Potirendaba, percorremos a vicinal João Neves que liga o município à cidade de Cedral. Estima-se que pelo menos dez pessoas já tenham morrido vítimas de acidente, nos últimos cinco anos, por conta da precariedade da malha. Os dezoito quilômetros de estrada não têm acostamento, faltam rotatórias e muitos buracos frustram os motoristas.

Davi Ligeiro de 25 anos é uma das vítimas da rodovia. No ano passado, o rapaz estava indo a São José do Rio Preto quando não viu e atropelou quatro vacas que estavam soltas na pista. O jovem sofreu ferimentos leves, mas o carro ficou totalmente destruído. Ligeiro pede indenização em uma ação movida contra o DER, mas até agora nenhum responsável pelos animais foi encontrado e o departamento ainda não se posicionou sobre o fato.

Quanto aos problemas da rodovia, em nota, a assessoria de imprensa da prefeitura de Potirendaba informou que quem é responsável pela vicinal é o DER de Catanduva. Ainda de acordo com a nota, o departamento tem um projeto para o recape total da rodovia, execução de terceiras faixas, construção de duas rotatórias e acostamentos, mas que não há prazo para o início das obras. A Prefeitura também informou que cobra sempre o DER para que a manutenção nessa estrada seja feita.

O DER disse que esta vicinal foi pavimenta com um investimento de R$ 4 milhões e que a vicinal não apresenta problemas. Situação adversa encontrada por nossa equipe.

Saindo da João Neves, pegamos a Rodovia Washington Luís, SP-310, que é administrada pela concessionária Triângulo do Sol. Com uma praça de pedágio instalada em Catiguá, a concessionária mantém o trecho que é duplicado em excelente estado de conservação.

Tanto conforto e segurança têm seu peço, o usuário que passa pelo local tem que pagar R$ 12,20, sendo a segunda praça mais cara do trecho, perdendo apenas para Araraquara que tem o valor de R$ 12,90.

Saindo de Catiguá, percorremos a vicinal Jerônimo Ignácio da Costa. Os problemas são semelhantes aos demais. Acostamento existe, mas está tão esburacado quanto à estrada. O trecho de pista simples com dez quilômetros de extensão, não tem previsão de melhorias e investimentos segundo o DER. Ninguém da prefeitura de Catiguá foi encontrado para falar sobre o assunto.

Na chegada à Tabapuã quem nos dá as boas-vindas novamente são os buracos. Chegando ao fim da nossa viagem, pegamos a vicinal José Maria Albuquerque que dá acesso a Uchôa. A situação além de frustrante é constrangedora aos usuários. Uma praça de pedágio foi implantada na rodovia e cobra o valor de R$ 2 para apresentar pouquíssimos resultados.

O ponto de arrecadação que é uma briga antiga entre prefeituras, DER e Ministério Público, existe no trecho há, pelo menos sete anos. A empresa Via Tabapuã, que explora a praça de pedágio instalada na rodovia, arrecada em torno de R$ 100 mil por mês, dos quais 2,6% vão para os cofres da prefeitura.

Como estratégia de fugir do pedágio de R$ 12,20 da Washington Luís, os motoristas preferem cortar caminho para pagar apenas os R$ 2 na rodovia. Situação que degrada cada vez mais a estrada, pois a estimativa é que, por mês, cerca de 50 mil veículos passam pelo local.

O problema é que, sem conservação, a estrada de pista simples não aguenta o tráfego pesado e intenso. O asfalto está esburacado, os acostamentos desapareceram e sinalização é precária. O único serviço, de tapa-buracos, é ocasional e não dá conta.

Segundo o DER, na rodovia foram realizadas obras de melhorias no ano passado nos acostamentos, restauração da estrutura e da camada de rolamento no valor de R$ 5,5 milhões, situação totalmente contrária encontrada por nossas equipes e pelos motoristas.

A maior preocupação é que vidas estão em perigo e o Governo lucrando cada dia mais com a arrecadação absurda e milionária com pedágios e impostos. Nossas equipes vão continuar acompanhando as obras das rodovias e cobrando melhorias em todas as cidades de cobertura da Gazeta do Interior.

(Fotos: Luiz Aranha, Diogo De Maman e Jonas Garcia)

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