Usinas desmancham curvas de nível de propriedades rurais e consequências são astronômicas

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Você já ouviu falar em curva de nível? Curvas de nível são espécies de barrancos construídos em lavouras para conter a água da chuva para que não escorra em rios e córregos e leve terra para o fundo causando assim o assoreamento e erosões do solo. Acontece que aqui na região da Gazeta, principalmente em Potirendaba, a usina de cana-de-açúcar Cofco Agri, a antiga Noble Agri, tem sido a principal responsável pela destruição dessas curvas e causando um gigantesco prejuízo ambiental.

As curvas de nível são associadas a valores de altitude em metros. Portanto elas servem para identificar e unir todos os pontos de igual altitude de um determinado lugar.

A legislação ambiental brasileira proíbe o desmate e plantio em terrenos com declividade maior que 45° por se tratar de Áreas de Preservação Permanente (APP) devido à alta tendência à erosão, o plantio em curvas de nível é uma técnica que visa diminuir a velocidade da enxurrada (arraste) e aumentar a infiltração da água no solo para, com isso, evitar que aconteçam erosões.

Os danos não são apenas ambientais. Quem passa pela rodovia João Neves nota a quantidade de água da chuva que a pista acumula. Acontece que toda essa água que deveria ficar dentro das propriedades rurais está indo parar no meio da pista, pois sem curva de nível para segurar a enxurrada, a água fica acumulada na rodovia e provoca acidentes graves com a chamada aquaplanagem.

Segundo o engenheiro agrônomo, José Augusto Octaviani, uns dos motivos para a destruição das curvas é redução de gastos e a redução do tempo de serviço. “Um dos motivos é a redução de custos, pois para fazer uma curva requer tempo, funcionários, máquinas, etc. Acontece que sem a curva de nível facilita o trabalho da máquina tanto para o plantio quanto para a colheita da cana”, explica.

O produtor rural O.B. fala que tem contrato com a usina desde 2005. Ele explica que prefere não se identificar por que teme que a empresa cancele o contrato. O. diz que na renovação com a Cofco agora em 2016 no contrato já vinha especificando que as curvas de nível seriam destruídas.

“Eles já chegam e destroem tudo. Estoura represa, provoca erosão, assoreamento, tudo o que é de ruim acontece na propriedade rural. Infelizmente temos que assinar o contrato e ser obrigados a aceitar, pois dependemos da renda da empresa e temos que concordar sem concordar”, explica.

A usina Cofco informou em nota que realiza um conjunto de práticas entre elas terraços e curvas de nível, porém não se defendeu das acusações dos produtores inclusive dos contratos assinados afirmando que a empresa não realiza mais as curvas.

A Gazeta do Interior vai denunciar o caso ao Ministério Público de Potirendaba.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de março de 2016)

(Foto: Gazeta do Interior)

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