Usina de Potirendaba pulveriza agrotóxico altamente prejudicial ao meio ambiente e à população

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A empresa Noble Brasil S/A publicou no dia 28 do mês passado no Diário Oficial de São José do Rio Preto, um comunicado de que nesta primeira semana de dezembro faria a aplicação do agrotóxico Tiametoxam em propriedades rurais de Potirendaba Cedral e Irapuã (SP). A substância aplicada em lavouras de cana-de-açúcar, segundo engenheiros agrônomos, é altamente tóxica e extremamente prejudicial ao meio ambiente.

A aplicação, segundo a publicação, começou no dia 1º e vai até o dia 7 de dezembro na fazenda Santa Maria e Sítio São Pedro, na cidade de Irapuã. Também nas fazendas Santa Flora, Três Irmãs e Bela Vista, em Potirendaba. Além das fazendas São Camilo e Santa Maria, em Cedral. No documento, a empresa alega que a finalidade da aplicação é combater a praga cigarrinha das propriedades citadas.

Segundo o site do Ministério da agricultura, a pulverização da substância é feita através de aeronaves quando a temperatura do ar estiver abaixo de 30°C e a umidade relativa do ar acima de 55%. O Tiametoxam apresenta um alto potencial de deslocamento no solo, podendo atingir principalmente águas subterrâneas.

O site recomenda que não execute aplicação aérea do agrotóxico em áreas situadas a uma distância inferior a 500 metros de povoação e de mananciais de captação de água para abastecimento público e de 250 metros de mananciais de água, moradias isoladas, agrupamentos de animais e vegetação suscetível a danos. Além de só aplicar com aeronaves quando a plantação de cana estiver no tamanho onde não se pode mais entrar tratores.

A foto acima mostra a plantação de cana-de-açúcar da fazenda Santa Flora. Observamos que a planta ainda está pequena e pode sim receber tratores. A propriedade rural fica no bairro Formosa, às margens da rodovia Vicinal João Neves e bem ao lado, bem menos de 500 metros, existem vários moradores.

Para o engenheiro agrônomo, Andrey Vetorelli Borges, do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR), a substância prejudica também a população de abelhas, pois o produto pode migrar para o pólen e o néctar das plantas, afetando os insetos polinizadores.

Segundo a Agência Francesa de Segurança Sanitária dos Alimentos, (Anses), o limite máximo tolerável para que não haja mortalidade de abelhas é de 1,8 nanogramas por abelha, durante uma exposição de 10 dias; doses de 5 nanogramas/abelha dificultam a volta do inseto à colmeia. A concentração de Tiametoxam no pólen varia, podendo chegar a 4,8 nanogramas por grama. Um estudo de 2012 simulando as condições reais mostrou que a mortalidade de abelhas por não conseguirem voltar à colmeia pode até triplicar se elas tiverem contato com resíduos do agrotóxico.

O dono de uma das propriedades citadas que preferiu não se identificar, fala que perdeu várias colmeias e reclama que não precisariam utilizar esse agrotóxico. “Eu acho muito forte. Eu tinha várias colmeias aqui na fazenda e fui obrigado a deixar morrer tudo, pois eu não tinha para onde levar. Eu tive que escolher, ou deixava as abelhas vivas, ou ganhava o dinheiro que a cana me dá”, é lamentável a situação.

Na Alemanha, o uso da substância é sujeito a restrições. A autorização de comercialização foi suspensa inicialmente e depois liberada para certos cultivos. Em outros países da Europa o uso deste agrotóxico está proibido.

Através de nota, a assessoria de imprensa da Noble informou que segundo orientação da diretoria, a empresa não está autorizada a dar declarações para a imprensa sem prévia autorização da matriz em Hong Kong.

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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