Uchôa tem 1º Museu do Carnaval da América Latina

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Moradores de Uchôa e região têm agora no ‘quintal’ de casa uma ótima oportunidade de conhecer o trabalho de grandes carnavalesco do país, como o do inesquecível Joãozinho Trinta. Foi inaugurado no começo de dezembro o Museu do Carnaval, que é considerado o primeiro da América Latina. Os visitantes agora tem a chance de ver peças que desfilaram em carros alegóricos como da Beija-Flor, Gaviões da Fiel, Portela, Salgueiro, Imperatriz Leopoldinense entre outros.

Quem é a dona do museu é Leonor Camillo, de 80 anos, mas o grande idealizador do projeto é o filho dela, Carolino Camillo Neto, 53 anos, farmacêutico bioquímico. Ele conta que começou a sua paixão por decorações em 1993, quando trabalhou na 23ª Festa do Peão de Boiadeiro de Uchôa e de lá para cá foi se aperfeiçoando, mas somente em 1997 que passou a se dedicar ao carnaval, foi nesse ano também que adquiriu a primeira peça.

“Quando o prefeito de Catanduva assumiu a prefeitura, o carnaval era no mês seguinte e tinha a responsabilidade de manter como o melhor carnaval do interior do estado, então, convocou quem quisesse ajudar e eu acabei recebendo as alegorias do desfile como forma de pagamento”, explica Carolino.

A quantidade de peças ainda não foi contabilizada, mas a estimativa é que passe de dois mil itens. Alguns chegam a medir até 5 metros de altura. O maior deles ainda não está no museu. Segundo Carolino, a maior alegoria é um Dragão que está em um galpão em Araçatuba e será necessário contratar um caminhão para trazer de volta. O valor do frete pode passar os R$ 1 mil.

O espaço do museu conta com, aproximadamente, 2,5 mil metros quadrados e Carolino alugava cinco barracões para armazenar toda a sua coleção. “Minha família falava que eu era louco e que era melhor voltar a trabalhar como farmacêutico bioquímico”, conta Carolino.

Mas a perseverança parece que valeu a pena. O museu tem um dos maiores acervos de artes do país, o que vai atrair visitantes de todo o lugar. As peças são raridades atualmente, já que as escolas de samba não utilizam mais o isopor como obra prima. Atualmente as escolas de samba estão usando ferro e cobre com espuma para baratear o custo das alegorias, já que um bloco de isopor, segundo o Carolino custa, em média, R$ 2 mil.

Uma das grandes curiosidades é a forma que Carolino conseguiu tantos adereços. “Eu ia ao Rio de Janeiro direto e tinha contato com as escolas de samba, quando chegava lá e via alguma coisa interessante eu já falava que ia comprar após os desfiles. Um exemplo é quando o pessoal de Paritins estava fazendo o primeiro trabalho no Rio de Janeiro para o Salgueiro. Quando vi a cabeça de boi que eles estavam criando, eu falei que aquilo ia ser meu. Perguntei quanto eles estavam gastando, eles falaram R$ 6 mil e eu paguei”, explica com detalhes o carnavalesco.

Outro fator que Carolino diz que ajudou bastante foi de nunca repetir as peças por onde passava E ele conta que foram muitos lugares e que já fez carnaval para mais de 40 cidades, além de realizar mais de 200 desfiles entre cívicos e de rodeio.

O museu funcionará com data programada e terá um custo simbólico por pessoa, para ajudar a manter os gastos dos colaboradores que ajudam na limpeza e manutenção das peças.

Quanto gastou?

Carolino não tem ideia de quanto já gastou para comprar e manter toda a sua coleção de arte, mas uma coisa que ele não negou foi que já gastou muito com tudo isso. Se ele se arrepende? “Não tem como saber quanto eu gastei. Tudo que eu tenho tem o valor do artista e o estimativo. Então o valor que eu gastei não representa nada”, comenta.

Agora se você quiser comprar alguma coisa do museu é bom preparar o bolso. “Vendo só se for tudo e o valor estimado de tudo que tenho é de mais de R$ 2 milhões”, fala Carolino.

O carnavalesco pretende ainda utilizar para formar grupos de dança e artesanato e tirando, consequentemente, os jovens das ruas.

Para saber mais: (17) 3101-1150 / (17) 3826-1207. O museu fica na rua Antônio Palmieri, nº 2, bairro São Miguel, em Uchôa.

(Foto: Diogo De Maman/Gazeta do Interior)

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