“Trabalho de vereador”: Em Bady Bassitt, vereadores usam e abusam do dinheiro público e gastos são astronômicos

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Na foto obra de ampliação da Câmara parada desde 2012 custou mais de R$ 117 mil

A segunda cidade a participar da série de reportagens da Gazeta, “Trabalho de Vereador” é Bady Bassitt. O município hoje com 16.109 habitantes, tem um conjunto de nove vereadores na Câmara Municipal e que juntos já gastaram mais de R$ 1 milhão de quando foram eleitos.

No ano de 2013 a prefeitura de Bady repassou para a Câmara, R$ 1,20 milhão. Desse valor, entre folha de pagamento e todos os outros gastos, o legislativo “torrou” R$ 642.264,98.

Este ano, de janeiro até agora, foram repassados R$ 680 mil e já foram gastos R$ 453.553,58. Além dos nove vereadores, a câmara emprega um assessor parlamentar que ocupa cargo em comissão, um diretor, um secretário e um auxiliar de serviços gerais concursados.

O que mais chama a atenção quando entramos na câmara da cidade é que os ares condicionados do plenário ficam ligados durante todo o dia, sendo que ninguém permanece ou utiliza o local. Um desperdício de energia em pleno período em que rios e represas geradoras de energia estão secando.
O valor da conta de energia elétrica é astronômico. Em junho, por exemplo, foram gastos mais de R$ 1 mil, sendo que há apenas duas sessões por mês e só trabalham duas funcionárias em uma sala de, no máximo, quatro metros.

A câmara tem um carro de uso administrativo. O veículo Astra do ano e modelo 2003 consumiu, até o dia 31 de agosto, R$ 320,31 de combustível. Já o salário de um vereador de Bady atualmente é de R$ 1.814,58 e do presidente é de R$ 2.134,80.

Outra despesa que chama a atenção pelo auto valor é com serviço de supervisão técnica e manutenção preventiva de microcomputadores e equipamentos de áudio da Câmara. Por mês são gastos com esse tipo de serviço R$ 1.869,84. Com internet os gastos são de R$ 1.596,00 mensais.

O desperdício de dinheiro público não para por aí. Nossa reportagem notou que o prédio da câmara tem uma obra de ampliação que está abandonada desde janeiro de 2012. A obra que custou R$ 117.662,20 está sendo destruída pelo tempo e não há previsão de ser concluída.

Segundo o presidente do legislativo, Adalmur Imada, o presidente da Câmara da época começou a obra cujo prédio não pertencia ao legislativo. A ampliação que previa uma sala para cada vereador e sala de reunião foi embargada pelo Executivo, havendo informes técnicos acerca da inviabilidade, não só pelo comprometimento estrutural do prédio, mas também do arquitetônico, capaz de depreciar o valor financeiro, histórico e paisagístico do prédio.

Outro ponto já citado pela Gazeta do Interior este ano foi a rejeição das contas do prefeito e do vice, pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e que agora compete aos vereadores aprovarem ou não as despesas do Executivo. Questionado se os legislativos aprovarão ou não as contas, o presidente Imada ironizou e informou que não faz exercício de ‘futurologia’.

De janeiro de 2013 até agora, 28 projetos foram apresentados pelo legislativo. Alguns com relevância como que as prescrições médicas das unidades públicas de saúde no Município tenham características que visam uma atenção direta ao paciente.

A sistematização proposta no projeto de lei de março de 2014 visa economia de tempo do médico ao dispor de um instrumento de rápida confecção do receituário, sem o famoso “garrancho” que lhe permitirá dedicar maior atenção ao paciente e evitando erros médicos.

Das indicações ao chefe do executivo, os nove vereadores juntos fizeram 237 no total. Requerimentos foram 156 de 2013 até agora. Dos projetos apresentados pelo prefeito, nenhum foi barrado, facilitando assim o melhor desempenho do município.

Nossa reportagem foi às ruas ouvir os moradores para saber se eles realmente sabem o que faz um vereador, se eles se lembram em quem votaram para vereador na última eleição e se algum dia já foram em alguma sessão.

20 pessoas com idades entre 44 e 61 anos foram ouvidas pelo jornal. Nenhuma delas nunca entrou na vida, em uma sessão da câmara, mas em compensação, todas lembram em quem votaram. Sobre o que o vereador faz, as respostas são iguais: “fazem leis”, “é difícil saber”, “faz pouco”, “aprovam leis”.

Para Adalmur, o principal objetivo do vereador é fiscalizar obras públicas, administrar leis em benefício do município e principalmente da população. Questionado se ele acredita que os vereadores de Bady Bassitt trabalham ele afirma que sim. “Infelizmente somos um pouco limitados no que podemos fazer, pois não podemos mexer no orçamento do município. Mas no que compete a nós que aprovar obras e convênios, estamos cumprindo com nossa parte sim”, comenta.

Sobre o desafio de ser vereador, o presidente fala que além de ser honesto, é ser reconhecido pelo trabalho que faz. “É complicado você brigar pelo povo, defender os interesses deles e eles não terem consciência disso. Achar que vereador só ganha dinheiro na mole e nunca faz nada”, diz.

Nossa produção tentou entrar em contato com o prefeito, Edmur Pradela, para saber o motivo da obra ainda estar embargada, mas foi informada de que ele estava no Pantenal pescando e não tinha previsão de retorno. A chefe de gabinete do prefeito, Sueli Melega, informou em nota que a obra foi embargada em maio de 2012 por inconsistências no projeto que poderiam comprometer a estrutura do prédio já existente. Disse ainda que a ampliação do prédio estava fora das Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção.

Para liberar a obra e continuar o serviço, Sueli disse também que simplesmente é necessário adequar o que está errado. Antonio Marques, assessor parlamentar da Câmara informou que a ampliação do prédio é de responsabilidade do ex-presidente do legislativo e que ele quem responde pelo o que fez na época.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de setembro de 2014)
(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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