Tempos líquidos

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Celular. SMS. Facebook. Twitter. Se sua atenção está perdida entre tantas distrações, é hora de focar. Concentre-se no essencial.

Por Rodrigo Mansil

A cada segundo são milhares de estímulos disputando sua atenção: e-mails, comentários no face, imagens legais no Instagram se for fora do país, com gente bonita, ou num lugar bacana a inveja mata! Ou não?

De certa maneira, fomos programados para isso: parte do nosso cérebro prefere a gratificação imediata. Aí está o ímã que nos atrai nas redes sociais. Exemplo: a cada “curtir” uma descarga de dopamina, hormônio ligado ao prazer, inunda nosso sistema nervoso. Por isso é tão viciante!

Uma balada com amigos. Um almoço em família. Aquela tatuagem descolada que você acabou de fazer. Nada disso aconteceu se não foi postado nas redes sociais. E não acaba por aí. É uma decepção se ninguém curte, comenta ou compartilha. Há quem se sinta desprestigiado fracassado com o desprestígio. Pode ser. Para essa turma é o fim da picada ficar esperando as atualizações e nada…

Não posso esquecer os solitários e tagarelas. O telefone sempre toca no exato momento em que a gente está se concentrando. Sempre tem aquele amigo (a) carente que tem o número da mesma operadora e usa o bônus para falar horas sobre qualquer coisa. Principalmente na fila do supermercado, do banco e pior, até no trânsito. Sobre os sms em corrente com piadinhas ou mensagens de autoajuda prefiro não comentar !

O fato é que estamos perdidos num mar de informações e estímulos, e muitas vezes acabamos dispensando nossa energia em coisas pouco importantes. É possível vencer a batalha contra as distrações e aprender a focar. Para isso são necessárias basicamente duas coisas: definir o que é essencial e excluir o resto. Parece fácil, mas na prática, selecionar pode ser um ato dificílimo. É complicado.

Para o sociólogo polonês ZygmuntBaumant “Vivemos tempos líquidos, nada é feito para durar.” Disso resultariam, dentre outras questões, o modismo, a obsessão pelo corpo ideal, o culto às celebridades, a instabilidade dos relacionamentos e a superficialidade da convivência nas redes sociais.

Portanto, foco é uma questão de definir o que importa e eliminar o resto, ou… colocar na fila de espera. Sabendo onde querermos chegar fica bem mais fácil selecionar. Assim, delimitando nosso tempo no mundo virtual, seremos capazes de produzir muito mais na vida real.

Quem vive em tempos líquidos não pode se isolar numa ilha e negar o avanço da tecnologia e suas vantagens. Por outro lado, corre o risco de submergir e se afogar no extenso oceano da comunicação instantânea. Por isso, ajuste o foco.

Rodrigo Mansil é jornalista e psicólogo

(Foto: Divulação)

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