Tabapuã se prepara para receber campeonato brasileiro de Hóquei; esporte é novidade no município

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Um esporte pouco popular no Brasil vem ganhando força e se destacando em Tabapuã. Desde fevereiro deste ano, crianças e adultos têm a oportunidade de praticar o Hóquei em patins de graça. E já nesse mês de julho, a cidade vai sediar o campeonato brasileiro – sub 20 da modalidade do dia 24 ao dia 28 de julho.

O projeto tem 115 alunos, entre crianças a partir de 6 anos e adultos. Eles treinam duas vezes por semana no Ginásio de Esportes da cidade. O horário do treinamento é das 17h às 22h e para dividir essa galera toda, cada grupo tem horário pré-definido.

Quem trouxe o esporte para o município foi o empresário e jogador de Hóquei, Leandro Crippa, de 32 anos, e o professor de educação física, Marcelo Souza, de 29 anos, presidente e treinador respectivamente, do Tabapuã Hóquei Clube. O grupo é equipe independente, mas tem o apoio da diretoria de esportes da cidade, em que sede o ginásio, a adequação para a prática do esporte e o ônibus quando é preciso fazer alguma viagem.

O esporte funciona da seguinte maneira: quatro jogadores de linha e um no gol, com dois tempos de 20 minutos sendo parado toda vez que houver alguma paralisação. A maior diferença do Hóquei em patins para o de gelo, segundo Leandro, é a pancada. “Lá o juiz deixa bater, aqui no Brasil, se relar é falta”, diz o jogador.

Uma das dificuldades para o clube são os próprios materiais para praticar o esporte. Os patins que os alunos usam custam, em média, R$ 400, o stick (taco de hóquei), a partir de R$ 120. Se for os patins do time adulto é mais caro ainda, pode chegar a custar R$ 1,8 mil.

As aulas são divididas por fundamentos, Marcelo explica que diferentemente dos outros esportes que basta entender a regra, no hóquei de patins, o aluno precisa aprender a patinar, a freiar, a segurar o stick e até mesmo a cair para não se machucar. “A patinar bem até pegar o stick leva uns seis meses, é importante todos os fundamentos, porque se o aluno cair com stick na mão ele pode até quebrar o dedo”, explica.

O Tabapuã Hóquei Clube em apenas três de fundação já conseguiu ser vice-campeão na Copa Sudeste feminino sub-13, perdendo a final, somente para a seleção brasileira da categoria.

Nos dias 24 a 28 de julho, Tabapuã vai sediar o Campeonato Brasileiro de Hóquei Sub- 20 que contará com a participação de seis times. Para se preparar para o campeonato, Leandro começou a correr atrás de reforços para a equipe, trazendo até jogador de Portugal.

Leandro está confiante para o campeonato e esperançoso para que após o torneio, o esporte vai se popularize na cidade. “A equipe que estamos formando para esse campeonato na cidade, posso afirmar que tenho 95% de convicção de que seremos campeões e quando a garotada vier assistir, isso aqui na próxima semana virará febre, porque jogo profissional é muita técnica, com freio de um lado para o outro, quem vier assistir vai gostar”, afirma o empresário.

A pequena Maria Eduarda Benito, de 9 anos, começou a participar da escolinha há dois meses. Ela conta aceitou o convite feito por uma amiguinha. “É legal e divertido, gosto de patinar por isso aceitei o convite de participar aqui”, conta.

Garotos chegam em busca de sonhos

Dentre os jogadores que estão vindo para disputar o campeonato brasileiro sub- 20 pelo time da cidade, um deles é o Sahmi Henrique da Conceição Pacheco, 18 anos. O jovem saiu de Petrópolis (RJ), e chegou ao mesmo dia que a reportagem da Gazeta do Interior esteve presente.

Sahmi conta que deixou a casa em que morava com a mãe e a irmã com a única e exclusiva finalidade de se dedicar ao Hóquei. O garoto vai receber uma moradia e uma ajuda de custo, além de continuar o estudo no ensino médio no município. “Meu sonho é terminar os estudos e me manter no esporte. Se possível viver do hóquei, mas se não der, que eu arrume um emprego e continue praticando o esporte”, diz.

Assim como a maioria dos garotos, Sahmi gosta de futebol, mas é sincero ao confessar que não leva jeito para nenhum outro esporte. “Sou ruim em tudo que é esporte, não sei jogar nada, nem pipa a bolinha de gude. Só o hóquei que salva mesmo.”

O jovem deixou o time do Esporte Clube Corrêas, de Petropólis, que é uma das principais equipes de hóquei do país para acreditar no projeto em Tabapuã. “Pensei muito antes de sair, porque não podia sair de lá para jogar um campeonato. Lá no estado do Rio, por não ter adversários, se joga muito pouco, aqui no estado de São Paulo, se joga praticamente todo final de semana”, fala Sahmi.

Em relação à família, o garoto explica que teve todo o apoio necessário. “Minha mãe e minha irmã me deram muita força, minha mãe sempre me apoiou muito no esporte, tanto é que ela se desdobrou para me dar o material para praticá-lo. Ela ficou com o coração apertado, chorou um pouco, mas gostou da ideia”, explica Sahmi.

Como era o primeiro dia do adolescente na cidade, foi perguntado se ele sabia sair do ginásio e voltar para casa sozinho. “Ah, é difícil, não consigo voltar para casa não”, responde ele aos risos.

Foto: Diogo De Maman

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