Suspeitos de cometerem crimes que chocaram a região continuam soltos

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Meses após terem cometido crimes que chocaram a nossa região, os suspeitos de tais atrocidades continuam soltos, como se nada tivesse acontecido. Um deles e o mais recente é o do empresário de Urupês que foi morto com 18 facadas dentro da própria casa.

A Gazeta fez um levantamento de crimes que assustaram a nossa região e que ainda continuam impunes. A Polícia Civil continua na investigação, mas, muitas vezes, por falta de provas, os crimes não são esclarecidos.

A maioria dos estados do país não sabe quantos casos de homicídio são investigados e solucionados por ano, aponta levantamento do Instituto Sou da Paz. No ano passado a entidade pediu dados para os governos estaduais e para os Ministérios Públicos dos 27 estados da federação entre maio e junho deste ano e apenas conseguiu calcular um índice de esclarecimento de homicídios para 6 estados. São eles: Pará, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rondônia, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Mesmo muitos crimes sem solução, São Paulo ainda é o estado com a menor taxa de homicídios por 100 mil habitantes do Brasil em 2015, teve o segundo melhor desempenho no esclarecimento de homicídios entre os estados analisados. No estado, 38,6% dos assassinatos geraram denúncias criminais.

Já o Rio de Janeiro apresentou a 17ª maior taxa de homicídios em 2015 (25,4 mortes por 100 mil habitantes) e esclareceu somente 11,8% das ocorrências de homicídio doloso no ano. O Pará, com a 4ª maior taxa do país (41 mortes por 100 mil habitantes), esclareceu somente 4,3% dos assassinatos.

Bandidos continuam soltos

Em Potirendaba, no ano passado, tivemos apenas um assassinato. No dia 19 de novembro do ano passado, um homem de 58 anos foi baleado com três tiros no final da tarde de domingo dentro da própria casa, no bairro Morada do Sol.

Segundo a Polícia Militar, José Pedro Baságlia, foi encontrado por um vizinho caído dentro da própria casa com tiros no rosto, no peito e na cabeça. A vítima foi levada para o Hospital de Potirendaba e em seguida transferida para um hospital particular de São José do Rio Preto.

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Após passar cinco dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) a vítima acabou não resistindo. José chegou a passar por duas cirurgias e segundo a assessoria de imprensa do hospital, a vítima teve falência múltipla dos órgãos.

O homem que era tratorista de uma usina da cidade teve perfurações no abdômen, cabeça e rosto. Uma das balas ficou alojada na cabeça de José e a que acertou seu abdômen estilhaçou e atingiu órgãos como um de seus rins. Ele precisou passar por hemodiálise, recebeu sangue e ficou na UTI, entubado e sedado.

Cinco meses depois o crime ainda é um mistério para a polícia. O homem que morava apenas com a filha na casa, não possuía nenhum relacionamento amoroso ou casos de desavenças que pudessem chamar a atenção da família.

Em entrevista ao Portal Gazeta na época, a menina contou que passava os finais de semana com a mãe e durante a semana ficava com o pai. “Eu vim para a casa da minha mãe no final de semana e ficaria aqui até no domingo. Era 14h55 quando ele ligou no meu celular, pode ser que ele estava precisando de ajuda, mas eu não ouvi meu celular tocar”, lamentou a jovem.

Ela disse ainda que o pai era bastante tranquilo e não tinha problemas pessoais com ninguém. “Todo mundo gosta bastante dele. Esse vizinho que socorreu ele, chama ele de irmão. É muito triste saber que fizeram essa atrocidade com meu pai”.

Questionado, o delegado de Potirendaba, Adriano Nasser, disse que não pode dar detalhes e que o crime continua em investigação. “O inquérito continua aberto e ainda estamos levantando provas e tentando identificar a autoria”, afirmou.

Em Urupês dois crimes chamaram a atenção da população. Nos dois casos a polícia já conseguiu identificar os autores, porém eles ainda permanecem soltos.

O primeiro ocorreu no dia 05 de novembro na rodovia Roberto Mário Perosa. José Noval Barbosa Chaves, de 42 anos, seguia para Irapuã durante a noite quando um carro que vinha atrás bateu na traseira de sua motocicleta.

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A vítima que era de Potirendaba morreu na hora e o autor fugiu sem prestar socorro. Três dias depois a Polícia Civil de Urupês conseguiu identificar o veículo.

Segundo a polícia, uma testemunha que é moradora de Ibirá afirma ter visto o carro, um Gol prata de quatro portas, fugindo do local do acidente e entrando em Urupês. Imagens de câmeras de segurança de comércios da cidade divulgadas pela polícia nesta quinta-feira mostram o veículo passando às 22h52 pela rua Francisco Moreira da Silva, no Centro da cidade.

Trecho de uma das gravações revela o motorista descendo do veículo para conferir o estrago provocado na frente do veículo.

De acordo com o filho dele, Leonardo Barbosa Chaves, o pai estava indo trabalhar. “Ele trabalha em uma usina lá da cidade e acaba ficando lá a semana toda, só vem passar o fim de semana em Potirendaba e volta sempre no domingo à noite”, fala.

O rapaz conta ainda que testemunhas chegaram a ver o veículo que teria provocado o acidente entrando em Urupês. “Algumas pessoas viram, agora é só pegar as imagens de câmeras de postos da entrada da cidade e lojas que conseguem pegar o motorista que fez isso com meu pai. Acho uma covardia, nem ao menos ter prestado socorro”, desabafa.

Cinco dias após o crime os policiais conseguiram localizar o veículo. O suspeito, Alessandro Aparecido Porto, de 37 anos, se internou três dias após o acidente, em uma clínica alegando problemas psiquiátricos.

De acordo com os policiais, através da divulgação das imagens pela Gazeta do Interior do carro passando minutos após o acidente por uma rua de Urupês, é que moradores de Itajobi localizaram o automóvel sendo consertado em uma funilaria da cidade e comunicaram a polícia.

O veículo com placas de Catanduva teria batido na traseira da moto e fugido sem prestar socorro à vítima. A lateral direita do carro, como paralama, parachoque e o parabrisas do automóvel ficaram completamente destruídos.

Após matar José, mesmo com o pneu estourado, o suspeito seguiu pelas ruas de Urupês até Itajobi, onde deixou o veículo.

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Para o dono da funilaria, o suspeito disse apenas que se envolveu em um acidente na rodovia, não dando detalhes. À polícia, o funileiro disse que estranhou a explicação e não realizou o serviço. Ele contou que Alessandro ficava ligando para que o conserto fosse realizado com urgência, mas afirmou a Alessandro que não havia feito o orçamento e que era para o suspeito ir até a funilaria para combinar o serviço.

Após investigações, os policiais receberam a informação de que Alessandro se internou em uma clínica psiquiátrica em Jaboticabal (SP), alegando para os pais estar com forte depressão. Os pais disseram que não sabiam do acidente, pois quando ele chegou em casa, disse que o veículo apresentou problemas no motor.

Ainda de acordo com a polícia, o suspeito é morador de Itajobi e estava ficando em Urupês, na casa dos pais, pois possui medidas cautelares por violência doméstica contra a mulher dele. A polícia descobriu ainda que Alessandro trabalhava em uma usina de Potirendaba, mas que estava afastado há uma semana por licença médica, alegando problema no olho.

Segundo o delegado da cidade, Sérgio Augusto Ugatti Durão, devido ao tempo internado o inquérito ainda não foi concluído, mas Alessandro vai responder por homicídio culposo na direção de veículo, fuga de local de acidente e até possível fraude processual.

“Ele tentou consertar o carro para tirar quaisquer vestígios do crime e isso configura que ele tentou atrapalhar as investigações. Como é um crime com menos de quatro anos de prisão. Agora vamos indiciar ele no inquérito policial e o veículo dele continua apreendido até a finalização do inquérito”, disse.

Outro crime em Urupês foi o assassinato de um empresário, de 46 anos, na última segunda-feira (02/04/2018), no bairro Jardim Paraíso, em Urupês. Segundo a polícia, Luís Antônio Fortunato foi encontrado morto dentro da própria casa com 18 facadas.

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Conhecido como Tito, o homem foi encontrado morto depois que vizinhos estranharam que ele não saiu para o trabalho e chamaram a polícia. O corpo do empresário estava com marcas de facadas e o veículo dele não estava na garagem.

Já no começo da noite, policiais civis encontraram o veículo no bairro Santo Antônio, zona norte de São José do Rio Preto. O veículo estava na casa da ex-namorada da vítima, uma mulher de 36 anos. O casal teria comprado o carro e, após o término da relação, discutiam pela posse do bem.

O carro foi apreendido e a mulher foi ouvida e liberada. Ainda de acordo com o delegado da cidade, a mulher é a principal suspeita de ter cometido o crime, pois as provas levam até ela.

“Ainda não podemos detalhar sobre o caso para não atrapalhar as investigações, mas o crime já está esclarecido”, disse.

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de abril de 2018)
(Fotos: Luiz Aranha/Gazeta do Interior e divulgação)

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