SOU A PROVA VIVA: Quem nunca entrou nessa padaria?

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Pelo nome poucos devem conhecer o Luiz Antônio Grotto, de 61 anos, mas ele e sua mulher, a Diva Natalina Messias Grotto, de 60 anos. Eles estão entre as pessoas mais conhecidas de Uchôa, afinal, quem na cidade não conhece o Toninho e a Diva da padaria?

Há 28 anos, eles comandam a famosa Padaria do Centro. Local com fachada simples, mas muito aconchegante, que conta com cadeiras no balcão e mesas no salão para acomodar todo o tipo de cliente. Ao entrar na padaria o freguês é remetido automaticamente numa lembrança de pura nostalgia. Os clientes mais antigos irão concordar que ao entrar no local, lembranças do passado vem à mente e aquele pequeno território é possível trazer boas recordações e histórias do passado.

Com origem humilde, ambos trabalhavam na roça colhendo café antes de abrirem a padaria. Diva conta que o sogro, o marido e um tio do marido compraram de sociedade o comércio fazendo uma troca entre um sítio da família e a padaria.

A padaria do Toninho e da Diva é um dos poucos locais que podemos dizer que não importa quem você seja na cidade, autoridade ou não, você morador de Uchôa, já colocou os pés dentro dessa padaria. Hora para acompanhar apenas um amigo ou para saborear o delicioso pão com mortadela, ou quem sabe, os “carros-fortes” do comércio. O famoso Corintiano, pastel feito com presunto, queijo, tomate e orégano ou ‘hamburguinho’, feito de carne e queijo.

“A gente chega a escutar dos viajantes que passam aqui que quando está em Uchôa tem que parar na padaria do centro e experimentar o salgado”, fala Diva. Não é a toa que a padaria vende no mínimo 150 salgados diariamente.

Atualmente, eles contam com a ajuda de dois funcionários, dos dois filhos e da nora para tocarem o negócio. Embora, muito do que o simpático casal conquistou na vida se deve a padaria, muito sacrifício e dedicação tiveram que ser feitos para que tudo isso pudesse ocorrer. A rotina de trabalho não é das melhores. Para poder ter pão quentinho às 5h30 da manhã, diariamente, Toninho levanta às 2h para ligar o forno, deita novamente e às 3h levanta em definitivo e começa seu horário de trabalho colocando o pão que já estava com a massa pronta deixada pelo padeiro no fim do dia anterior, para assar.

Para poder fazer isso todos os dias, durante quase três décadas ele vai dormir, geralmente, às 20h30. Já a esposa, tem uma vida um pouquinho mais normal, como quase toda mulher, ela vai deitar após a novela, mas até às 4h30 já está de pé para lutar pelo pão de cada dia.

Dá para perceber claramente que tanto o Toninho, mas principalmente a Diva, amam o que fazem. Se não gostasse, não suportariam trabalhar tantos anos em horários tão ingratos como trabalham. Nesse início de ano, 1º de janeiro para ser mais exato, aconteceu um fato inédito nesses 28 anos de padaria. Eles não abriram nesse dia. “Trabalhamos de domingo a domingo, sem folga todos esses anos, não ficamos ricos, um dia sem abrir não ia fazer muita diferença. O comércio infelizmente é uma prisão de portas abertas, mas já penso em ficar descansando no próximo dia de Ano Novo e no Natal”, comenta Toninho.


A verdade é que a idade vai pesando e cada ano que passa fica mais difícil de trabalhar. Por isso Diva sempre comenta com o marido de mudar um pouco a atividade. A vontade dela era parar de trabalhar com o pãozinho e focar apenas na lanchonete, com grandes variedades de salgados, lanches, sucos naturais e sorvetes. Com isso, eles poderiam abrir um pouco mais tarde e como um salgado equivale a, pelo menos, cinco pães, o faturamento no mínimo seria mantido.

Ao falar sobre o futuro Diva diz que espera poder curtir mais a velhice com seu netinho e poder finalmente descansar depois de tantos anos de trabalho. Ela não sabe se os filhos irão continuar no ramo, no futuro, mas sentiria orgulhosa se isso acontecesse.

A Diva e o Toninho são exemplos de brasileiros simples e honestos que trabalhem duro todos os dias, sem se preocupar com sábado, domingo ou feriado. Não importa o dia, afinal todo dia é dia de trabalhar. E o mais importante é que fazem tudo isso com muito amor e gosto, afinal, se fosse você no lugar deles, aguentaria acordar às 2h para trabalhar? Dormiria cedo se privando de várias coisas que poderia fazer no período noturno?

Acredito que muitos não topariam esse sacrifício ou simplesmente não suportariam. A Gazeta do Interior só deseja aos proprietários da padaria mais conhecida de Uchôa muitos anos de trabalho e movimento e que todo o sacrifício que fazem possa ser recompensado com no mínimo, com muito dinheiro. O Brasil precisa de mais pessoas assim para dar exemplos principalmente aos jovens.

* Matéria publicada originalmente na edição de março da Gazeta do Interior

(Foto: Diogo De Maman)

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