Sonho frustrado: João Neves é recapeada pela metade; Em sete anos, dez pessoas morreram no trecho de rodovia simples

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“O que pinga lá, nem sempre respinga aqui” – parafraseando um autor desconhecido é que começamos essa reportagem. Isso por que o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) decidiu recapear apenas 3,9 quilômetros dos 18 do trecho da SP de acesso João Neves que liga Potirendaba a rodovia Washington Luís.

Esses pouco mais de três quilômetros fazem parte de um pacote de recape de 400 quilômetros de rodovias na região de Catanduva (SP). O valor do contrato para conservação das estradas desta área é de R$ 3,8 milhões, mas o que respingou aqui para nossa região foi apenas o comecinho da estrada melhorada.

O quilômetro 12 do trecho é um dos mais caóticos. Ao lado, passa o bairro rural de Potirendaba, Vila Formosa. A pista simples com sinalização precária tem uma camada asfáltica de péssima qualidade e completamente trincada. Com a trepidação provocada pelos buracos, alguns motoristas se arriscam invadindo a pista contrária.

A Gazeta do Interior já mostrou seis acidentes graves no trecho que tem várias curvas e muitas delas perigosas. No dia 25 de janeiro desse ano, um engavetamento provocado por um caminhão deixou três feridos e envolveu quatro veículos.

O caminhão carregado com gado parou no meio da pista e entrou em uma estrada de terra. Os carros que vinham logo atrás e um caminhão muque não conseguiram frear a tempo e acabaram batendo um atrás do outro.

As três vítimas foram socorridas com ferimentos leves, conscientes e encaminhadas para hospitais particulares de São José do Rio Preto.

Além da falta da conservação da via, outro problema grave é a imprudência dos motoristas. Em pouco mais de trinta minutos que nossa equipe ficou na via, a Gazeta encontrou seis irregularidades. Motoristas dirigindo falando ao celular, outros sem sinto de segurança, ultrapassagem em local proibido, excesso de velocidade e tráfego de bitrem carregado com cana, são apenas algumas das falhas.

Caminhões bitrem, quando carregados, devem usar rotas alternativas para evitarem acidentes e conservar a pista, pois o peso destrói o asfalto. Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, para tráfego desse tipo de veículo existe legislação específica e que deve ser cumprida de acordo com cada caminhão.

No dia 2 de fevereiro, um motorista capotou e ele e a passageira ficaram feridos. Os dois que estavam sem o cinto de segurança foram arremessados para fora do veículo. Thaís Chaves foi socorrida com fratura no crânio e Marcos Bié com o braço quebrado. Eles se recuperaram.

Além da imprudência, a falta de rotatórias e acostamento, são problemas graves estruturais. Em março, uma idosa de 70 anos foi atravessar a rodovia de carro e não olhou que vinha vindo um motoqueiro. O rapaz bateu no veículo da aposentada e sofreu ferimentos graves.

No dia 1º de julho a primeira fatalidade do ano na estrada. O ciclista Paulo Cesar Belentani, de 50 anos, seguia pela rodovia quando foi atropelado por um carro que vinha atrás. No dia 6 de dezembro, outro veículo capotou há um quilômetro de Potirendaba por conta da chuva.

Dados levantados pela Polícia Rodoviária Estadual a pedido da nossa reportagem apontam que de 2007 até novembro de 2013, 117 acidentes foram registrados no trecho de 18 quilômetros da rodovia João Neves.

Nesse período, nove pessoas morreram, segundo a polícia. Em 2013, ainda segundo a Polícia Rodoviária, nenhum óbito foi registrado na estrada, mas o que chamou a atenção da nossa reportagem foi que o ciclista morreu no começo do segundo semestre e não apareceu nas estatísticas fornecidas. A polícia não soube informar o motivo da divergência dos dados.

O DER informou em nota que realiza os serviços de conservação, tapa buraco, limpeza, poda e roçada, mas não deu data em que esses procedimentos são realizados. Segundo o órgão, o recape da malha depende exclusivamente de convênios firmados pelo governo do Estado.

Mesmo não sendo de responsabilidade da prefeitura de Potirendaba, a prefeita Gislaine Franzotti, encaminhou um ofício ao Governador do Estado, Geraldo Alckmin, solicitando o recapeamento dos outros 14 quilômetros que não foram recuperados.

Em audiência realizada dia 10 de dezembro, Gislaine esteve com Rubens Cury, da Casa Civil e com o deputado, Chico Sardelli, onde solicitou a conserva especial do trecho restante. Na audiência, Cury pediu para prefeita um prazo de 15 dias para investigar, junto ao governador, o pedido.

Após reportagem da Gazeta

Após essa reportagem ser publicada na edição impressa da Gazeta do Interior, o Departamento de Estradas de Rodagem DER, enviou nota para nossa redação dizendo que mais alguns quilômetros da via seriam recuperados.

Trecho da nota diz que por conta dos números apresentados pelo jornal, o departamento junto ao Governo do Estado decidiu destinar parte da verba para recuperação de mais um trecho. Porém não foi informada a quantidade de quilômetros que serão recapeados.

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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