Sobrados de Potirendaba estão abandonados há dois anos e Banco do Brasil foge da responsabilidade

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A novela sobre a construção dos condomínios de sobrados do residencial Itália I e II, em Potirendaba, parece que está longe de ter um fim. Provavelmente a única solução a da obra que está abandonada desde julho de 2015, será a demolição, já que está completamente depredada e deteriorada. Pior que isso, a empresa responsável pela obra, Construnelli in Works, encerrou as atividades.

A Gazeta do Interior já mostrou o drama dos compradores que estavam pagando o financiamento mesmo a obra estando parada. Mais de três anos depois, alguns deixaram de pagar o financiamento e, consequentemente, ingressaram com ação judicial para reverem os valores pagos e desistirem do financiamento.

A telefonista Vera Marcia Silva é uma delas. Ela que planejava morar com o filho, continua morando na casa da mãe, já que a obra não será entregue. “Dei tudo o que eu tinha, peguei dinheiro emprestado para poder conseguir comprar e vêm empresas que não são sérias e brincam com o sonho da gente. Agora deixei de pagar o financiamento, ingressei com ação e estamos aguardando o que vai acontecer”, fala.

A construtora abandonou a obra em julho de 2015 e desde então virou um jogo de empurra entre empresa e banco. A obra é financiada pelo Programa Minha Casa Minha Vida do Governo Federal e o valor total é de quase R$ 20 milhões. Ao todo deveriam ser construídos 135 imóveis geminados em que cada um foi adquirido pelo preço médio de R$ 95 mil.

No local, portas, janelas, vidros e até pisos foram destruídos por vândalos. O que mais chama a atenção, é que algumas janelas e portas já foram furtadas. O cenário é de completo abandono e destruição. A área que deveria estar cercada, está aberta e qualquer um tem acesso.

Nossa reportagem teve acesso ao processo do Ministério Público Federal (MPF) de São José do Rio Preto. O documento que já soma mais de 300 páginas é ingressado pela comissão de moradores realizada a pedido do próprio banco.

No dia 29 de maio deste ano, a prefeitura de Potirendaba ingressou com pedido no Ministério Público cobrando a retomada imediata da obra pro meio de uma construtora substituta. Dia 13 de junho o MP concedeu prazo de 30 dias ao Executivo para que ele informasse quais providências seriam tomadas.

Dia 3 de agosto a prefeitura informou ao MPF que, incansavelmente, vem lutando com o banco para a retomada das obras e tem dado todo o suporte aos compradores. Respondeu ainda que se comprometeu verificar junto ao cartório o registro a ata de comissão dos representantes.

Segundo a compradora, Fabiana Camerão, o banco solicitou o registro da ata de uma reunião dos moradores em cartório para que eles assumissem a obra.

“O banco quer passar o problema pra gente e se isentar da responsabilidade. Agora serão apresentadas novas construtoras interessadas para que retomem a obra e concluam. Questionamos a seguradora sobre o furto de janelas e portas e ela diz que não compensa pagar vigilante para deixar no local”, diz Fabiana.

Fabiana que paga aluguel, depende do imóvel para morar com a família. “A gente compra porque é um sonho e porque a gente precisa. Muitas pessoas deixaram de pagar e uma que eu conheço foi até acionada no fórum porque perderia o imóvel que ainda nem tem. De quanto eu ingressei com ação, o banco parou de enviar os boletos de cobrança”, fala.

projeto de como deveria ficar Construnelli in Works

(Projeto de como deveria ficar a obra)

Após dias de apuração, a Gazeta descobriu que a empresa Construnelli in Works, responsável pela obra e que era de Pindorama (SP), encerrou as atividades e não está mais na cidade. Um dos escritórios responsáveis pela empresa informou que a empreiteira está temporariamente desativada, pois existem débitos bancários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil a serem pagos à construtora

O responsável pelo escritório, que pediu para não ser identificado, informou três números de telefone de Mario Flório, que seria um dos donos da empresa, mas nenhum dos três contatos existe.

Em uma página do Facebook da empresa desatualizada desde 2013, aperece um projeto de como deveria ficar a obra. Fotos postadas pela empresa mostram um condomínio semelhante construído em Pindorama (SP) que foi entrege no final do ano passado.

A assessoria de imprensa do Banco do Brasil disse em nota que aguarda o registro cartorário da ata de formação da comissão de representantes e a definição dos adquirentes pela continuidade ou não da obra, regulação do seguro e demais providências que dependerão do encaminhamento a ser adotado pela comissão de representantes, que vier a ser constituída. Trecho da nota diz que conforme se extrai da Lei 4.591/64, a incorporadora é a responsável pela construção e entrega dos empreendimentos imobiliários nas condições e prazos estabelecidos no contrato de compra e venda formalizado.

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de setembro de 2017 – Seja um assinante e receba conteúdo exclusivo como este, antes de todos leitores!)
(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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