Série de reportagens “Raio-x da Saúde” chega ao fim; confira avaliação de cada cidade

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A série de reportagens da Gazeta do Interior que começou em setembro de 2013 chega ao fim. Nesse período, dez cidades de circulação do jornal foram avaliadas pela população e receberam notas pelo atendimento prestado no Sistema Único de Saúde (SUS). A cidade que recebeu a pior avaliação foi Cedral, com nota 3,7.

No município nossa reportagem encontrou 800 guias médicas encalhadas, esperando agendamento. Guias para cirurgias, consultas e até exames simples. Uma das justificativas para esse número assustador é que na cidade não há nenhum médico especialista.

Outra situação que causa surpresa é o número de prontuários médicos. São mais 16 mil fichas. A cidade deveria ter o número de cadastros semelhante ao de habitantes, mas tem o dobro de pacientes e realiza uma média de 10 mil atendimentos por mês.

Na época, a coordenadoria de saúde explicou que a evasão de pessoas de cidades vizinhas para serem consultadas em Cedral era uma das justificativas e que não pode recusar atendimento público de saúde a ninguém.

Catiguá também é outra cidade que o atendimento do SUS preocupa. O município recebeu nota 4,5 da população e realiza apenas atendimento básico. Quem necessita de atendimento de emergência precisa ir até Catanduva que fica a 13 quilômetros dali.

Na cidade que tem 7,502 mil habitantes, segundo o IBGE, há uma estimativa de 8 mil prontuários cadastrados, de acordo com a secretaria de saúde.

Com nota 6 dada pelos moradores, em terceiro lugar vem Bady Bassitt. O município com 15.851 habitantes tem 852 guias médicas encalhadas.

Potirendaba recebeu nota 6,5 de seus moradores. A diferença é que a cidade tem vários médicos especialistas, um hospital de excelência, quatro postos e um centro de saúde.

Guapiaçu que recebeu nota 7 foi uma das cidades que os números mais impressionaram. Na época era de 1.931 guias paradas e 34 mil prontuários. A população da cidade é de 19,409 mil habitantes. O número de prontuários era 89% maior do que a população da cidade inteira. Para isso a secretaria de saúde também justificou como ‘população flutuante’, onde pessoas de outras cidades são consultadas em outros municípios.

Um dos problemas detectados pela série em Guapiaçu foi a falta de ambulâncias. Na cidade são apenas quatro veículos para atender os 18 mil moradores.

Uchôa foi avaliada pelos usuários com nota 7,1. Quando a série passou pela cidade havia apenas 77 guias paradas, mas uma demanda de 512 pacientes esperando para realizar exames.

Nova Aliança recebeu nota 7,5. Ao eram 350 guias paradas esperando agendamento para médicos especialistas. Tabapuã também recebeu nota 7,5 e tinha 220 guias médicas encalhadas, porém com o dobro de habitantes de Nova Aliança.

Em Urupês os moradores avaliaram a saúde com nota 8. O município que tem mais de 13 mil habitantes possui 22 mil prontuários, um número 70% maior do que o de pessoas. Além de a cidade possuir 617 guias médicas paradas, a principal reclamação dos usuários é a falta de medicamentos.

A cidade mais bem avaliada foi Ibirá com nota 8,5. Porém, foi a única da região em que a prefeitura se recusou a receber a equipe do jornal para falar sobre a saúde pública do município.

De um modo geral, a série detectou que as principais deficiências no atendimento público de saúde da área de cobertura do jornal é falta de remédios e a demora no agendamento com médicos especialistas, o que resulta na quantidade excessiva de guias médicas paradas nessas dez cidades.

(Foto: Diogo De Maman/Gazeta do Interior)

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de julho de 2014)

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