Sem energia há mais de 34 horas, moradores da zona rural da Gazeta calculam prejuízos

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“A zona rural não é prioridade”. Essa foi a frase ouvida por uma comerciante de Uchôa ao ligar na Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) após ficar mais de 34 horas sem energia elétrica. Milhares de moradores de cidades da região da Gazeta ainda estão com o fornecimento interrompido desde o temporal da última quinta-feira (22) e calculam os prejuízos.

Claudia Baffi é dona de um ponto turístico na zona rural de Uchôa que recebe, todos os domingos, dezenas de moradores da região. Sem energia todo esse tempo,  os produtos agora só servirão para o café da manhã dos porcos.

“Tomei prejuízo e ainda vou tomar mais. Perdi queijos, massa de pães, leite. Amanhã (domingo) é o dia em que recebo os clientes para o café. Com a perda dos produtos que tive não sei se conseguirei abrir a tempo”, afirma.

Baffi diz que, além do prejuízo, fica o desgosto e a frustração. Ao ligar para o atendimento da concessionária de abastecimento, ela ouviu da atendente que a “demanda da falta de energia é muito grande e zona rural não é prioridade para restabelecer o fornecimento”.

Em propriedades rurais de Uchôa, Potirendaba e Ibirá, vários produtores, mesmo com tanque de resfriamento, milhares de litros de leite estrataram.

Em Uchôa, seis produtores de leite estão sem energia e sendo obrigados a jogar o produto fora. José Antonio Severiano jogou na manhã deste sábado (24), 800 litros por que, segundo o laticínio, ficou ácido e não tem mais utilidade. Outra produtora, descartou 1,1 mil litros.

Joaquim Antonio dos Santos é dono de uma propriedade em Cedral e também está desde a última quinta-feira sem energia. Sem ter onde armazenar os milhares de litros de leite que tira diariamente, ele já não está mais tirando porque não tem mais onde colocar.

“O leite que eu tinha no tanque eu já joguei fora porque estragou. Agora sem uma previsão de quando vai retornar, eu nem vou mais separar as vacas para não tomar mais prejuízo e perder tempo”, afirma.

Segundo o consultor de negócios da CPFL, Luis Antonio Gomes,  o temporal atingiu não só a nossa região, mas como quase todo o interior do Estado, dificultando o restabelecimento imediato. “O volume de ocorrências por falta de energia foi assustador. Tivemos mais de 800 chamados e ainda temos 400 que estão em atendimento. Quando as ocorrências são em vários pontos, a gente não consegue trazer funcionários de outras unidades porque lá também está com demanda para ser atendida”, fala.

Questionado sobre a fala da atendente em que moradoras da zona rural não são prioridade, Luis diz que todos os clientes são prioridade. “Infelizmente nós temos que priorizar restabelecer o fornecimento para o maior número de pessoas possível e a zona rural, onde há talvez um ou cinco moradores, eles são deixados por último, mas não que não sejam prioridade. Estamos trabalhando 24 horas para normalizar o serviço o mais rapidamente possível, mas ainda temos moradores da zona urbana como Rio Preto, por exemplo, que ainda estão sem energia”, esclarece.

(Foto: Divulgação)

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