Seis anos depois, distrito industrial de Bady Bassitt continua abandonado e sem previsão de entrega

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Uma área de mais de 83 mil metros quadrados que deveria abrigar um distrito industrial em Bady Bassitt está abandonada há mais de seis anos e a única indústria que existe naquele local é a do descaso. Em 2015 a Gazeta do Interior mostrou que empresas estavam deixando a cidade por falta de espaço.

Na época nossa reportagem mostrou o drama do morador Marcos Pereira Barbosa que viaja todos os dias até a cidade de Balsamo, a 43 quilômetros de Bady Bassitt, onde trabalha de metalúrgico, sendo que se tivesse emprego, poderia ficar na cidade dele.

“Faço essa vida de viajar todos os dias tem quatro anos. Se a prefeitura oferecesse estrutura para as empresas aqui em Bady, geraria renda e ainda mais emprego para o município”, diz Marcos.

Nossa reportagem voltou ao local e a situação é a mesma. Para chegar ao terreno que abrigaria o distrito é preciso percorrer alguns quilômetros por uma estrada de terra, pois o acesso pelo bairro Borboleta daquela época até hoje, ainda não foi construído. Quem passa por alí nem nota que aquele local será um loteamento de empresas, pois a única placa que existe está completamente tomada pelo mato.

Entrada para o distrito é outra coisa que também não foi construída, para entrar no loteamento é preciso escalar o barranco e atravessar a cerca. Porém, por conta do mato, não tem nem para onde ir.

Sem incentivo do município, muitas empresas deixaram a cidade. Um levantamento feito pela Gazeta estima que, pelo menos, 20 foram para outros municípios da região nos últimos quatro anos.

O empresário Nivaldo Roveda foi um deles. Trabalhando no ramo de iluminação residencial e pública, ele conta que precisava de mais espaço para crescer e foi onde a prefeitura de Bady Bassitt prometeu um terreno no novo parque industrial, porém foi apenas promessa.

“O prefeito da época, Edmur Pradela, fez a doação da área, fui lá com engenheiro e fiz a documentação tudo certinho. Fiquei esperando esse terreno dois anos e meio e só aí que eu descobri que esse mesmo terreno ele (prefeito) tinha doado para mais outras dez pessoas”, fala Roveda.

Porém não foram só as chances de crescimento que Nivaldo perdeu durante o período de espera pelo terreno, o empresário calcula um prejuízo de mais de R$ 1,8 milhão pelos serviços que não pôde pegar por falta de espaço. “Eu precisava crescer e meu barracão já estava pequeno para mim, foi onde recebi uma proposta da prefeitura de Nova Aliança e instalei a empresa lá”, comenta.

Há quase dois anos que está na cidade vizinha, Nivaldo conta que já aumentou o faturamento em mais de 70%. A empresa que em Bady Bassitt tinha 10 funcionários, hoje emprega mais de 23, no total. “Contratei funcionários de Nova Aliança, comprei mais máquinas e não paro de ampliar a empresa. Quem perdeu foi Bady Bassitt, infelizmente”.

Não só perdeu, mas continua perdendo, pois a área de 83.376,80 metros quadrados poderia abrigar, pelo menos, 277 indústrias em terrenos de 300 metros cada. O espaço que foi doado para a prefeitura em 28 de junho de 2011, está completamente tomado pelo mato e abandono.

Na época, a prefeitura dizia que faltava infra-estrutura para poder começar a lotear o terreno e estudar a melhor forma de entrega dos lotes. Questionamos então da doação de alguns lotes já ter sido feita, a prefeitura não confirmou.

Questionamos novamente então a assessoria de imprensa da prefeitura que disse em nota que vem realizando inúmeras reuniões com a iniciativa privada para viabilizar o projeto, porém que não há prazo para conclusão do loteamento, pois há dificuldades e exigências.

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de outubro de 2017)
(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior-arquivo)

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