Saúde de Urupês é nota 8, segundo usuários; falta de medicamentos é a principal reclamação da população

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Na sétima reportagem da série, Raio-x da Saúde, foi a vez de Urupês ser avaliada. Mesmo dando nota 8 para o sistema, a principal reclamação dos usuários é a falta de medicamentos na cidade.

Nossa equipe foi recebida pelo próprio prefeito, Antônio da Silva Oliveira, que se prontificou em responder as perguntas junto com a secretária de saúde, Silvia Helena de Morais Barbieri. Diferente de Ibirá que nem o prefeito e muito menos a secretária quiseram responder as perguntas da série.

Segundo censo do IBGE de 2010, Urupês tem 13.346 habitantes. Assim como em outras cidades, o que espanta é o número de prontuários cadastrados. No município, de acordo com Silvia, são mais de 22 mil cadastros.

Para atender toda essa demanda, a cidade conta com um Centro de Saúde, uma Unidade Básica de Saúde, um Posto de Saúde no distrito de São João do Itaguaçu, além de um hospital filantrópico que é mantido com verba de empresas e entidades.

A situação dos prédios é boa. Móveis novos, todos monitorados com sistema de câmeras e a secretária afirma que esses locais receberão melhorias já nos próximos meses.

Ao todo são sete ambulâncias em bom estado de conservação. Para atendimento de referência, os pacientes de Urupês são levados para as cidades de São José do Rio Preto e Catanduva.

A secretária afirma que a demanda de encaminhamentos para especialistas nessas cidades demoram em média, de 30 a 40 dias, pois a maioria das referências é encontrada no município. Na cidade tem um médico psiquiatra, um oftalmologista, um ortopedista, dois ginecologistas, dois pediatras e quatro clínicos gerais.

No hospital, segundo o prefeito, há um médico plantonista que é mantido 24 horas pela prefeitura, além de um médico clínico geral em cada posto da cidade.

Em Urupês um clínico geral, segundo Silvia, ganha, em média, R$ 800 em um plantão de 12 horas. De acordo com o prefeito, em 2012 foram repassados pelo município, mais de R$1,7 milhão para a saúde.

Porém nossa equipe foi às ruas ouvir o que a população tem a dizer sobre o atendimento público de saúde da cidade. A principal falha detectada pela Gazeta foi a falta de muitos dos medicamentos, até o mais comum como Dipirona, segundo os usuários.

Dona Isabel Alves Lima Martins é aposentada e ganha R$ 724 por mês. Ela precisa de remédio para o coração chamado Selozok e que custa R$ 17 por caixa. Cada mês ela consome, em média duas caixas, o que dá um gasto de R$ 34.

Mas não é só essa a despesa com medicamentos da aposentada. Dona Isabel faz uso de mais quatro tipos de remédio que a maioria tem que comprar. “Antes a gente carimbava a receita, levava na farmácia e eles forneciam o medicamento de graça. Agora temos que comprar tudo”, diz.

Quem também compra os remédios é Alexandre dos Santos. Ele faz uso de dois comprimidos por dia do Sertralina, remédio usado para depressão. Segundo ele, cada caixa custa, em média, R$ 70.

De acordo com a secretária, Silvia Barbieri, o que aconteceu com a Sertralina foi a demanda do uso do medicamento. “Nós contratamos um psiquiatra e por uso da demanda de medicamentos foi muito, tivemos que fazer licitação e ficamos um mês sem, mas já está tudo normalizado”, garante.

Segundo a secretária, o Selozok não pertence à rede básica e por isso que não é encontrado no SUS. “Depende do médico. Acredito que quem receita esse remédio é médico particular, pois nossos médicos sabem os remédios que temos disponíveis. Aqui temos outros remédios para o coração sem ser esse, mas depende do médico que receita”, explica.

Quanto à reclamação da falta de medicamento comum como o Dipirona, ela explica que não falta e a possível explicação é às vezes o paciente quer em comprimido e só tem em gotas. Em questão às receitas que antes eram carimbadas, Silvia alega que apenas mudou o sistema de distribuição. “Antes era com carimbo e agora o paciente precisa passar pela assistência social por uma triagem”, fala.

Para o prefeito e secretária, a nota da saúde de Urupês é 8. “Perfeito nenhum lugar é”, avalia Silvia. “Ainda temos muito a melhorar e muito que investir. Saúde e educação são prioridades”, diz Antônio.

A nota média dada pela população também foi 8, perdendo apenas para Ibirá que teve 8,5, a mais bem avaliada até agora. Os moradores elogiam os funcionários e o atendimento. Afirmam que não faltam médicos e são sempre bem atendidos.

Problemas graves e críticos até agora ainda não foi encontrado em nenhuma cidade visitada pela série. O que a população espera é que a saúde continue sendo a maior preocupação dos governantes, pois saúde pública nunca será uma doença curada.

A próxima cidade a participar da série de reportagens é Guapiaçu. Vamos saber o que a população está enfrentando na rede pública de saúde da cidade.

Reclamações sobre a saúde do seu município podem ser enviadas para nossas redações. Ligue a ajude: (17) 9 8803-4123.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de março)

(Fotos: Diogo De Maman/Gazeta do Interior)

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