Rodovia Roberto Mario Perosa de Uchôa a Sales já matou oito pessoas só este ano; mais de 700 motoristas foram multados por imprudência

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Qual seria a explicação para uma rodovia tão violenta e com oito mortes em apenas cinco meses? A Gazeta do Interior foi buscar explicações e um levantamento feito pelo jornal descobriu, só este ano, mais de 700 motoristas multados por excesso de velocidade ou ultrapassagem em local proibido. Será que a rodovia Roberto Mario Perosa que deveria trazer progresso mata ou será que a rodovia que mata é a que traz o progresso?

Nossa reportagem percorreu mais de 30 quilômetros da via e constatou que as condições da pista não estão das piores. Mesmo com obras ainda inacabadas, faltando rotatórias e acostamentos, a malha asfáltica do trecho é boa. Esse talvez é outro fator que estimula os motoristas à abusarem da velocidade na via de mão única e com curvas bastante perigosas.

A rodovia não tem placas de sinalização como deveria e as rotatórias de acessos ainda não foram executadas. Apenas o recape e a construção de segundas faixas foram feitas.

Este, talvez, seria um dos fatores que tem motivado a ter tantos acidentes mais graves e provocados, na maioria das vezes, pela imprudência dos motoristas.

De janeiro até agora já são oito mortes de Uchôa a Urupês. A primeira deles foi no dia 28 de fevereiro no trevo de Ibirá. Uma jovem de 28 anos morreu depois de tentar cruzar a rodovia quando foi atingida por outro carro em alta velocidade.  A batida foi tão forte que o motor do carro em que ela estava foi arrancado e foi arremessado a metros de distância. Duas pessoas que estavam no outro carro ficaram feridas.

No dia 26 de março outras duas pessoas morreram depois que um motorista perdeu o controle da direção, invadiu a pista contrária e bateu de frente com outro veículo que vinha sentido contrário. Outros dois homens também ficaram feridos.

No dia 10 de maio, o acidente mais grave do ano na região da Gazeta. Cinco trabalhadores morreram depois de baterem de frente com um caminhão carregado com ração em Uchôa. A polícia investiga o acidente e ainda não sabe o que provocou o acidente com os cinco trabalhadores que saíram de Itajobi e seguiam para Mirassol onde trabalhariam na colheita de laranjas.

No dia 19 de maio, um acidente com um ônibus com 29 jogadoras de vôlei de São José do Rio Preto deixou várias delas feridas. Chovia e o veículo ao tentar fazer uma curva, acabou perdendo o controle e saído para o acostamento.

Ao tentar voltar para a pista, o ônibus acabou batendo na lateral de um caminhão e tombou. O motorista do caminhão não se feriu.

Segundo testemunhas, algumas das meninas com idades entre 13 e 17 anos ficaram presas às ferragens. O Corpo de Bombeiros foi chamado e socorreu as vítimas para hospitais da região com ferimentos leves.

A maioria dos acidentes não tem provocação por falha mecânica ou mal súbito e sim perda de direção, falta de atenção e consequentemente imprudência.

A prova disso está nos dados fornecidos pela Polícia Rodoviária Estadual a pedido da Gazeta. De janeiro até maio deste ano, 380 motoristas foram multados por ultrapassar em local proibido e outros 322 foram autuados por excesso de velocidade.

No ano passado, 1.355 condutores foram multados por realizarem ultrapassagem em locais proibidos e outros 733 por dirigirem acima da velocidade permitida na via que é de 80 quilômetros por hora. Uma dessas infrações, um radar móvel, segundo a polícia, flagrou um motorista a 176 quilômetros por hora, duas vezes mais do que permitido.

Para o capitão da Polícia Rodoviária Estadual, Cláudio Ferreira da Silva, a imprudência é a causa da maioria dos acidentes. “Temos agido com frequência nesta rodovia e autuado os motoristas infratores que desrespeitam as regras do trecho. Não só o excesso de velocidade e ultrapassagem, mas também como o uso de bebida alcoólica que tem sido muito freqüente. Infelizmente estes são os principais fatores de acidentes graves”, explica.

A bancária Regina de Souza Lopes é esposa de uma das vítimas da Roberto Mario Perosa. O marido dela, Alessandro de Oliveira Lopes, de 34 anos, seguia pela rodovia no dia 26 de março deste ano quando o carro em que ele estava bateu de frente com outro.

“A perícia constatou que o outro carro estava em alta velocidade e foi tentar ultrapassar uma carreta. Infelizmente nada vai trazer meu marido de volta, mas queria que a justiça fosse feita”, fala.

O especialista em segurança do trânsito, Gabriel Duarte Figueiredo, explica que está no psicológico do ser humano infringir regras. “As pessoas costumam dizer sobre o jeitinho brasileiro, mas todo ser humano adora descumprir regras e praticar o proibido. Levar vantagem ultrapassando, excedendo o limite de velocidade, etc. Um dos principais fatores que gera isso são carros cada vez mais potentes”.

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de junho de 2017)
(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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