RODEIO: As cifras de uma tradição

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Jonas Garcia

jonas@gazetainterior.com.br

Já faz parte da cultura de nossa região e cada vez mais pessoas começam frequentar esse tipo de festa. Conhecidas como Rodeio ou Festas de Peão, essas comemorações atraem pessoas de diferentes tribos que acabam colaborando com a economia local. Um grupo numeroso, diga-se de passagem. Estima-se que, em todo o território nacional, existam 30 milhões de aficionados pelos rodeios, com predominância de jovens entre 17 e 37 anos.

Um público heterogêneo, composto por famílias de origem rural, pessoas de classe média do interior do Brasil e gente que nunca visitou uma fazenda ou andou a cavalo, mas que frequenta as festas de peões em busca da diversidade de atrações. “O público do rodeio é sete vezes maior que o do campeonato brasileiro de futebol”, segundo a Confederação Nacional de Rodeio (CNAR), entidade que congrega 15 federações estaduais e é responsável por fiscalizar os principais eventos do país.
Hoje, no Brasil, são realizados mais de 1,8 mil rodeios por ano. Segundo dados da CNAR, eles movimentam cerca de 3 bilhões de dólares e geram aproximadamente 300 mil empregos diretos e indiretos. As festas de peão, assim como o réveillon e o carnaval, integram o calendário oficial de eventos da Embratur (Empresa Brasileira de Turismo) e são divulgadas no exterior. E pensar que estes mega eventos começaram, ainda na primeira metade do século passado, como simples atividades de entretenimento das comitivas de boiadeiro em vários municípios do interior do país.

Para o dono de uma famosa loja especializada em artigos Country, Flávio Louzano, já existe um público específico que, tendo ou não as festas, usam as roupas ou artigos como estilo próprio. “A cultura do mundo ΓÇÿrodeioΓÇÖ já tem um público que mesmo sem festas, usa bota, chapéu e cinturão. Com as festas, as vendas aumentam consideravelmente. Há alguns anos por causa da Febre Aftosa, muitas festas deixaram de acontecer e eu cheguei a ter dia de não vender nada, nem uma calça”, comenta.

Quanto à quantidade de vendas, Flávio explica que depende do tipo de festa, se ela é uma festa pré-agendada ou não. “Se os rodeios do ano forem pré-agendados a venda para as cidades dos eventos ocorre normalmente, a não ser na semana do evento que sobe de 30 a 50%, mas quando as festas surgem sem agendamento, como foi o caso de Novais, as vendas podem chegar até a 200%”.

Em nossa região, várias são as festas que chamam a atenção, como a de Tabapuã que este ano chega a sua 40ª edição, com shows das duplas César e Paulinho, Rionegro e Solimões e Maicon e Renato todos os shows de graça, entre os dias 12 e 15 deste mês.

Segundo o tesoureiro da festa, Frederico Orlandeli do Valle Pereira, não é nada fácil manter uma tradição e fazer uma festa do porte como a de Tabapuã. “Muitas pessoas acham que fazer uma festa do peão é fácil, que é só contratar alguns shows, por os bois para pular e pronto, mas estão muito enganados”, diz.

Fred ainda fala que, em uma festa, despesas e preocupação são o que não falta. A segurança do público e dos animais, além do seguro para os peões e o ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição responsável pela arrecadação e distribuição dos direitos autorais das músicas aos seus autores) que sozinho custa, em média, 5% do faturamento da festa, também são fatores fundamentais para o sucesso de um evento.

“Dentre todos os gastos, uma festa como a nossa gira em torno de R$ 250 mil, que são pagos com a venda de bebidas (cerca de 30 a 40%), patrocínios, estacionamentos e aluguel de terrenos dentro do recinto para a colocação de barracas”, diz Fred que ao ser perguntado sobre a necessidade de se ter show nessas festas foi categórico. “Os shows hoje em dia complementam a festa, antigamente o povo ia para ver somente as montarias, hoje não, cada vez mais pessoas estão indo nesse tipo de festa exatamente pelo show”.

O empresário concorda com Fred quanto à necessidade de shows: “Por exemplo, Tabapuã todo ano tem rodeio, então para as vendas subirem um pouco mais é preciso atrações muito boas”. E ainda brinca: “Ainda bem que nossa região é cheia de rodeios, caso contrário, teria que abrir um jornal”, conta aos risos.

(Foto: Jonas Garcia)

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