Região vive uma das maiores epidemias por dengue da história; municípios estão mobilizados no combate ao Aedes aegypti

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Com uma estação do ano completamente instável com calor, chuva e umidade, os números de casos e mortes por dengue não param de aumentar e já vivemos uma das maiores epidemias da história. Se não bastasse o corte de inseticida do governo de São Paulo, a circulação do vírus do tipo 2 da doença contribuiu ainda mais para o aumento da doença.

Nas últimas semanas a Gazeta do Interior saiu às ruas e acompanhou as equipes das coordenadorias de saúde, educação, meio ambiente, endemias, vetores e Vigilância Sanitária de cidades da região que não tem medido esforços para resolver um problema que poderia ser evitado pelo próprio morador, na maioria das vezes. Isso porque, segundo os departamentos de saúde, os criadouros do mosquito estão dentro das casas da população.

Potirendaba já realizou dois arrastões e nebulização para eliminar o maior número possível de criadouros e de mosquitos. Até o último levantamento da Gazeta, Potirendaba possuía 163 casos de dengue confirmados e mais de 1.200 suspeitos aguardando confirmação. Todos os dias, pelo menos cinco novos casos são confirmados, segundo estimativa da coordenadoria de saúde.

Segundo a chefe da Vigilância Sanitária da cidade, Páscoa Moretti, os trabalhos começaram pelo bairro Jardim dos Eucaliptos e o objetivo é atingir toda a cidade. “Estamos empenhados com 35 funcionários da saúde, além dos funcionários do almoxarifado com caminhões, tratores e máquinas.Vamos realizar o trabalho casa a casa com os agentes, vamos fazer a nebulização com o inseticida em lugares mais críticos e recolher todo o lixo e material através do arrastão. É um verdadeiro pente fino em toda a cidade”, explica.

A força-tarefa não para mesmo após os arrastões, já que os agentes visitam as casas todos os dias do ano. Os funcionários pedem a colaboração da população em deixar os agentes entrarem nas residências, além de eliminar os criadouros.

“Só existe uma maneira de combater esse problema que já é crônico que é não deixando água parada. Infelizmente ainda encontramos muitos criadouros do mosquito em recipientes que nem imaginamos, então é importante que todos colaborem”, comenta.

Segundo os agentes, alguns moradores tem o hábito de armazenar água da chuva e é justamente lá onde é encontrado o maior número de larvas do Aedes. Mesmo o morador tampando o recipiente, o pernilongo por ser muito pequeno, consegue entrar e botar os ovos, por isso o pedido é para que cubra com tela e depois a tampa.

Em outra ação para acabar com o mosquito, a coordenadoria de saúde da cidade decidiu comprar um equipamento de nebulização de inseticida, o conhecido fumacê. Os carros já começaram a passar o produto que tem grande eficácia contra o pernilongo.

CONSEQUÊNCIAS:

Três pessoas já morreram com dengue de janeiro até agora só aqui na nossa região. Em Bady Bassitt uma mulher teve sérias complicações por dengue hemorrágica.

E é justamente na cidade que a situação está bastante complicada, uma das mais críticas das nossa região. Nestes cinco meses de 2019 a cidade já possui 448 casos confirmados e 1.381 suspeitos.

Consequência disso as cidades vivem um caos para poder atender todos estes pacientes. Por falta de espaço, a coordenadoria de saúde de Bady foi obrigada a recepcionar os pacientes na garagem da emergência.

Leitores chegaram a enviar reclamações através do WhatsApp da Gazeta afirmando que o atendimento demora de quatro a seis horas. Outros chegam a postar na redes sociais fotos com as reclamações.

No município, uma mulher teve sérias complicações depois de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), por causa de dengue hemorrágica. A coordenadoria de saúde não confirma o estado de saúde atual dela, mas informações apuradas pela Gazeta afirmam que ela está tetraplégica.

Em Potirendaba a população doente está superlotando o hospital do município à procura por atendimento. Enquanto isso, os Postos de Saúde que prestam praticamente os mesmos serviços estão vazios.

Segundo a enfermeira responsável do hospital, Marcela Afonso Semedo, em um único plantão de 12 horas, 132 pacientes chegaram a passar pela entidade, o que significa uma média de 11 pessoas por hora. Imagens das câmeras da recepção cedidas pelo próprio hospital, mostram o local lotado às 19h29 da última segunda (13/05).

“Infelizmente isso faz com que o atendimento demore além do normal e muitas pessoas acabam não entendendo que o tempo de espera é de acordo com a classificação de risco de cada paciente. Aqui no hospital nesta classificação para dengue prestamos os mesmos serviços que os Postos de Saúde da Família (PSF’s)”, explica.

Desde o começo de maio quando Potirendaba decretou estado de epidemia pela doença que a situação só tem piorado. Todos os dias uma média de 16 a 20 pessoas dão entrada no hospital com suspeita da doença.

No local, além do atendimento prestado, é colhido um hemograma e um relatório de notificação é preenchido para cada paciente, o que toma ainda mais tempo dos servidores.

Atualmente um médico, um enfermeiro e dois técnicos são responsáveis por atender toda a população em dois plantões de 12 horas cada. A administradora da entidade, Lucy Jorge, afirma que o local já precisa de mais um médico, mas com a baixa remuneração do Sistema Único de Saúde (SUS), isso se torna impossível.

“Muitas pessoas tem reclamado da demora no atendimento, mas infelizmente estamos superlotados. Pedimos a colaboração destes usuários do SUS que procurem seus postos de saúde dos seus bairros, pois assim poderemos prestar um serviço de maior qualidade e não correr o risco de deixar passar despercebido um paciente que esteja com um estado de saúde mais grave”, explica Lucy.

Os principais sintomas que os pacientes dão entrada no hospital são dor muscular, febre, dor nas costas, e, em alguns casos, manchas na pele. Para este tipo de diagnóstico é aplicado o soro para hidratação e é receitado dipirona e tylenol para tratamento em casa, o mesmo atendimento prestado nos Postos de Saúde.

Para desafogar o hospital, desde o começo deste mês que a Coordenadoria Municipal de Saúde decidiu manter o Posto Central de Saúde aberto até às 22h sem necessitar agendamento. Porém, segundo a coordenadora de saúde da cidade, Sarah Bossolo, a procura está muito baixa.

“Estamos atendendo a média de 20 pacientes por dia e de acordo com a nossa capacidade com funcionários destinados para este serviço, a procura está muito baixa. As pessoas ainda tem o hábito de procurar o hospital pela confiança que tem na entidade, mas prestamos os mesmos serviços e nesta fase de epidemia por dengue, o importante é ser atendido, não importa onde”, finaliza.

Uchoa é a segunda cidade da nossa região com o maior número de casos de dengue. No município onde duas pessoas já morreram com a doença, mais de 450 casos já foram confirmados até agora e outros mais de 750 suspeitos.

Em seguida vem Nova Aliança com 502 casos positivos. Até agora são 730 notificações da doença e 11 pessoas apresentaram sinais de alarme como sangramento e outras gravidades.

De acordo com a Coordenadoria de Saúde da cidade, um idoso de 70 anos morreu vítima da doença em janeiro deste ano. As causas da morte foram confirmadas através de laudo do Instituto Adolfo Lutz. Ele morador de Nova Aliança tinha problemas de saúde como diabetes e hipertensão.

Na sequência vem a cidade de Cedral com 221 casos de dengue confirmados, 353 suspeitos e sete com sinais de alarme. Guapiaçu, Tabapuã e Ibirá também sofrem epidemia.

FALTA DE INSETICIDA:

Algumas cidades da região já estão suspendendo a nebulização para eliminar a fase adulta do mosquito Aedes aeypti porque o Ministério da Saúde teria deixado de fornecer o inseticida usado no processo.

Os municípios estão sendo comunicados pela Secretaria de Saúde do Estado ou pela Divisão Regional de Saúde (DRS), sobre o problema, na medida em que precisam do produto. As cidades não tem permissão para realizar a compra e a falta do recurso gera prejuízos no combate ao vetor.

Segundo o Ministério da Saúde a empresa que produz o material teve um problema na formulação do inseticida e 105 mil litros tiveram que ser recolhidos. Enquanto isso, a orientação do próprio órgão é que os municípios continuem atuando na eliminação dos criadouros, orientação à população e a aplicação de larvicidas.

DENGUE TIPO 2:

A circulação do sorotipo 2 da dengue este ano foi um dos motivos para a explosão no número de pessoas infectadas em todo o Brasil. Como a maior parte da população está imunizada ao sorotipo 1, mais comum nos anos anteriores, já era esperado esse avanço da doença com sintomas ainda mais graves.

“O que diferencia é que como aqui no estado de São Paulo já houve várias epidemias e a maior parte delas foi pelo sorotipo 1, então ao se expor ao sorotipo 2, provavelmente as pessoas estão tendo uma segunda infecção pelo vírus da dengue, o que faz com que as formas clínicas possam ser mais graves, tem um risco maior para o agravamento”, explica a chefe da Vigilância Sanitária de Potirendaba, Páscoa Moretti.

Segundo Páscoa, os sintomas da dengue tipo 2 são iguais ao do sorotipo 1, e as formas clínicas podem se agravar em casos que a pessoa já tenha sido infectada pelo outro tipo da doença.

(Reportagem especial publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de maio de 2019)
(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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