Região do carnaval: Festas “monstruosas” atraem milhares de pessoas e alavancam a economia das pequenas cidades

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Uma das festas mais tradicionais do calendário não é só uma das mais importantes, como também uma das que mais movimentam a economia nacional. Aqui na região de circulação da Gazeta, o carnaval arrasta, anualmente, centenas de milhares de foliões nos cinco dias e gera uma economia milionária.

O Carnaval é considerado um dos eventos de maior articulação financeira do país, perdendo apenas para a Copa do Mundo, este ano. Esse negócio movimenta bilhões de reais pelo Brasil todo, para desespero dos puristas e desgosto das pessoas que (ainda) tratam os dias de folia como desperdício de capacidade produtiva. O valor exato de quanto a festa movimenta de dinheiro em todo o país é incerto, pois jamais foi realizado um estudo confiável a respeito.

Só que os números dos quatro principais centros carnavalescos do País (Rio de Janeiro, Salvador, Recife e São Paulo) demonstram que uma vibrante cadeia produtiva pulsa sob os tamborins: juntas, as quatro cidades esperam girar R$ 2,7 bilhões de reais durante os quatro dias do reinado de Momo, de acordo com os organizadores de suas respectivas festas.

“Não há como negar a relevância do Carnaval para a economia”, disse o economista e ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa, no seminário “Samba como economia da cultura”, realizado no fim do ano passado, no Rio de Janeiro. “Só as escolas do grupo especial do Rio geram mais empregos e renda do que muita empresa.”

Ibirá, Potirendaba e Tabapuã são os três municípios que recebem os três maiores carnavais da região, perdendo até para São José do Rio Preto, cidade onde há quase meio milhão de pessoas e que muitas delas vêm para estas festas.

O que era tradicional virou febre: Carnapoti

O carnaval de Potirendaba, há seis anos era realizado em uma das principais ruas do centro, com desfile de escola de samba, carros alegóricos, fantasias luxuosas e até com blocos na passarela do samba. Em um “passe de mágica” tudo isso se transformou em uma mistura de axé com sertanejo que até hoje ainda divide opiniões, mas que a cada ano que passa mais e mais pessoas aderem a essa magia.

Há pessoas que ainda dizem preferir o velho e tradicional desfile das escolas, mas com o passar dos anos, segundo a prefeita e organizadora da festa, percebeu-se que a tendência mudou e o número de pessoas que queria desfilar nas escolas foi diminuindo.

“A dificuldade de encontrar integrantes para desfilar nas escolas fez com que mudássemos o formato do Carnaval”, diz a prefeita, Gislaine Franzotti. Os trios elétricos invadiram as ruas de Potirendaba e o público também. Em 2008 o carnaval de Potirendaba virou Carnapoti e mais de 20 mil pessoas compareceram no evento com Gusttavo Lima, apenas em uma noite.

Já no ano seguinte a estrutura foi montada no antigo recindo de exposições da cidade. Por ano, estima-se que cerca de 50 mil foliões passem pelo carnaval. A prefeitura não soube informar a quantidade exata de público, pois a entrada é gratuita.

Mais de 500 pessoas chegam a trabalhar no Carnapoti nas quatro noites de folia. Tudo começa a ser organizado com seis meses antes do evento pela prefeitura da cidade. Segundo ela, o valor do investimento é apurado depois da realização do evento, já que grande parte dos recursos é obtida através da venda de camarotes e de recebimento de patrocínios. Sendo que os valores variam a cada ano, diante da mudança de shows, atrações e estrutura da festa.

Com tanta gente trabalhando e vindo para a cidade, a economia local cresce e bastante. Mercados, lojas de roupas, lojas de calçados, lojas de cosméticos, salões de beleza, farmácias, mercados, bares, restaurantes, imobiliárias, hotelaria e outros segmentos já se preparam para o evento que é o maior do ano, na cidade.

Nesse caminho encontramos a Juliana Berocal que é de Mirassol (SP) e está procurando um lugar para passar o evento com os amigos, durante todos os dias, em Potirendaba. Ela conta que ligou em todas as imobiliárias da cidade desde dezembro e não encontrou mais nenhuma casa para alugar.

“Não sabemos onde ficar, pois ir e voltar todos os dias não tem graças, além de não poder beber e dirigir. Pretendemos ficar em Potirendaba, pois tudo facilita”, disse.

A jovem então começou a procura por chácaras. Ela procurou quatro, três já estão alugadas e uma, a que o valor está mais alto, ainda está disponível. O preço é de R$ 2,5 mil por cinco dias. “Eu ainda achei que está barato, pois se dividir esse valor pelo número de pessoas vai valer à pena, ainda”, fala Juliana.

Nessa época do ano os preços dos aluguéis das chácaras no município variam de R$ 1,2 mil, até R$ 5,5 mil, dependendo do tamanho e da distância do local para a cidade. As casas que se esgotaram em novembro, variam de R$ 500 a R$ 2 mil dependendo do tamanho e a quantidade de dias.

Quem comemora com isso é o comerciante Adail Caetano que tem uma chácara e já está alugada desde o ano passado. “Se eu tivesse dez chácaras eu teria alugado todas. Para esse ano já estou planejando em expandir e construir mais uma para alugar”, diz.

Adail tem também uma sorveteria no centro da cidade. O movimento já é bastante intenso nessa época do ano por conta do calor exaustivo, mas ele afirma que aumenta ainda mais por conta do carnaval, período de férias e época em que muitas pessoas vêm ficar em Potirendaba e degustar um sorvete diferente.

O Carnapoti esse ano muda mais uma vez de lugar e melhora a cada ano que passa. O evento agora passa a ser em na avenida Severino Ariosi, na saída para o bairro rural, Coqueiral. O local antes era de terra e se chovia virava barro. Agora por ser uma avenida asfaltada esse problema foi resolvido, além do local ser mais largo e comportar um número maior de gente, gerando maior conforto e segurança aos foliões.

Esse ano quem vai animar o público potirendabano de 28 de fevereiro a 03 de março no Carnapoti será Naldo e Banda Axé Ke Bom na sexta-feira; No sábado Munhoz e Mariano e Banda Axé Bahia; No domingo Gustavo Mioto, Conrado e Aleksandro e Banda Swingueira; Na segunda-feira Bruninho e Davi e Sambalada; Já os top’s Dj’s Gui Scochi e Glauber animam o público todas as noites.

Quem quiser curtir ao evento de camarote o valor do pacote para todas as noites é R$ 280,00. Já na pista a entrada é gratuita.

O axé deixa a Bahia e vem para o interior: Ibirá Folia

Grandes estrelas do carnaval baiano deixam Salvador em 2014 para arrastar uma multidão no carnaval da cidade de Ibirá. O Ibirá Folia segue a mesma tradição de Potirendaba, mas com um diferencial: Exclusivamente axé e nada de sertanejo, fazendo assim uma diversidade festiva, agradando todas as tribos e gostos.

Em Ibirá, nomes como Jammil e Uma Noites, Netinho, Alexandre Peixe, Leandro Lopes, Voa Dois, Chicafé, Seu Moço, Batom na Cueca e muitos outros já passaram pela cidade. Realizado desde 2011, o carnaval da cidade se fortalece como um dos melhores do Estado de São Paulo.

Considerada Estância Turística, o município oferece ampla estrutura de hotéis e restaurantes para acolher aos foliões da região e de todo o Brasil. Só que quem quiser se hospedar deve correr, pois as reservas estão se esgotando e ficando cada vez mais caras.

A festa vai ser realizada novamente na avenida Mário Carvalho Silva que vai para Termas de Ibirá. No 2º lote os ingressos para os camarotes custam R$ 290 que já estão terminando. No 3º lote a entrada para todas as noites vai sair por R$ 320.

Além de Dj’s todas as noites, o Ibirá Folia vai receber na sexta-feira, Terra Samba; No sábado Eva; No domingo A Zorra; Na segunda-feira Araketu e na terça-feira, Babado Novo.

Carnaval tradicional de interior é em Tabapuã, no Carnapuã

Aquele carnaval com cara de interior você só encontra em Tabapuã. Considerado o terceiro maior carnaval das doze cidades de circulação da Gazeta do Interior, o Carnapuã, a cada ano que passa ganha mais brilho, mais alegria e cada vez mais foliões.

Para a prefeitura da cidade, o destaque das cidades pequenas, principalmente do interior, é manter a tradição, então o Carnapuã apenas passa por reformulações e uma “melhorada” na tradição.

Quem curte o tradicional carnaval de rua, em Tabapuã há os desfiles dos blocos pelas ruas da cidade, o desfile de escola de samba e a grande concentração do público com shows de bandas e Djs durante as quatro noites e duas matinês.

Outro fator que marca há décadas o carnaval de Tabapuã, é as matinês que são banhadas com muita água numa grande brincadeira em que todos se refrescam enquanto a música rola.

O evento estima receber uma média de 20 mil pessoas nas quatro noites de festa. A organização acredita que agora em 2014, devido as mudanças de local e equipamentos, o número de público aumente ainda mais.

Por ser um carnaval mais popular e que todos se misturam e interagem sem distinção de classes sociais ou poder econômico, Tabapuã não instala camarotes e não cobra nenhum centavo de nenhuma pessoa que quer se divertir.

O que da ainda maior brilho no evento é que as centenas de pessoas que trabalham no Carnapuã são voluntários. Montagem de fantasias, carros alegóricos, blocos e estrutura, são ‘erguidos’ com a força de vontade e muito axé no coração.

Segundo a prefeitura da cidade, quando termina um, na quarta feira de cinzas mesmo já começam surgir ideias para o próximo. No entanto, as contratações e definições permanentes começam acontecer entre os meses de dezembro e janeiro.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de fevereiro)

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior-Arquivo)

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