Raio-x da Saúde: Guapiaçu recebe nota 7. Apesar de boa avaliação, a principal reclamação dos usuários é a falta de ambulâncias

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A oitava reportagem da série, “Raio-x da Saúde” conversa com os usuários do Sistema Único de Saúde de Guapiaçu. O município recebeu nota 7 da população, mas mesmo assim há reclamações de demora no atendimento e falta de ambulâncias na cidade.

Em um município que há quase 18 mil habitantes, segundo o IBGE, a situação é confortante. Para atender toda essa gente, o sistema de saúde de Guapiaçu tem uma Unidade Básica de Saúde que atende 24 horas, três Estratégias de Saúde da Família e um Centro de Saúde. Todas distribuídas em cinco bairros.

Por mês, cerca de 2.120 mil atendimentos são realizados nestas cinco unidades. Em todas elas há um médico pediatra, um clínico geral e um ginecologista.

Além da necessidade básica, o município tem um centro de especialidades médicas. O único encontrado pela nossa reportagem até agora. No local atende um neurologista, um neuropediatra, um dermatologista, um cardiologista, um ortopedista e um oftalmologista.

Na unidade são realizados cerca de 160 exames de ultrassom por mês, um número bastante significativo para a cidade, já que em outros municípios não há o aparelho para a realização do exame.

Ao todo são 16 médicos para atender todo o município. Para quatro horas trabalhadas de um clínico geral, Guapiaçu para cerca de R$ 4 mil. Para oito horas, o salário bruto é de R$ 8,106 mil.

Mesmo o salário não sendo tão ruim, a coordenadoria de saúde diz que enfrenta enormes dificuldades em encontrar médicos, pois eles preferem trabalhar em locais com carga horária menor para poder exercer atividade em mais lugares e ganhar mais.

O que chama a atenção e preocupa é o número de prontuários cadastrados em Guapiaçu. Até o dia da gravação desta reportagem no mês de março, o número era de 34 mil cadastros. 89% maior do que o número da população da cidade inteira.

Segundo Ely Regina Goulart Bernardes da Secretaria de Saúde, a possível justificativa para esse aumento é o número de pessoas que vem de outras cidades. “Vem gente de outra cidade por que gosta de um médico daqui. A pessoa muda da cidade, mas continua sendo consultado aqui. Pessoas que vem de outras regiões do país para trabalhar e ficam. Tudo faz com que esse número aumente a cada ano”, diz.

A principal reclamação é a falta de ambulâncias. A cidade tem uma UTI móvel obtida com recursos próprios e apenas quatro ambulâncias para o transporte dos pacientes. Ely admite a falta de ambulâncias e diz que tem conhecimento da reclamação. O que poderá dar uma ajuda para essa realidade é uma unidade do SAMU. Segundo a coordenadoria, já existe equipe treinada para iniciar o atendimento, mas ainda não há previsão para a chegada do veículo.

Assim como os outros municípios da região, Guapiaçu regula atendimento de especialidades para São José do Rio Preto. AME, ARE e HB são os hospitais que recebem os pacientes. Outro dado preocupante é o número de guias paradas na cidade. São 1.931 documentos que estão engavetados esperando cota. Para cirurgia vascular são mais de 2,3 mil idosos que estão na fila.

Fator que preocupa a coordenadoria de saúde é o número de pessoas que agendam exames, mas que no dia não comparecem. Só em janeiro desse ano, quase 23% dos exames marcados, os pacientes não compareceram. Custos para o município e que tira a oportunidade de outra pessoa que esteja precisando fazer. Em setembro de 2013 foi um dos recordes de desistência de consultas. 33% das consultas os pacientes não foram.

Em 2013, o município repassou R$ 8 milhões para a saúde de Guapiaçu. O Governo Federal 2,2 milhões. A vergonha é o Governo do Estado, com apenas R$ 237 mil.

A reforma do Centro de Saúde deve terminar até o fim do ano e custará R$ 1 milhão, segundo a placa colocada na frente da obra. Uma doação do Estado é o valor de R$ 1,6 milhões para a construção de um Centro Odontológico, construção da nova sede da Secretaria de Saúde e a construção de mais duas unidades básicas de saúde.

O município recebe agora em 2014 duas emendas parlamentares no valor total de R$ 650 mil para compra de equipamentos e custeio de materiais médicos. Além de mais R$ 217 mil para a reforma e ampliação da Estratégia e Saúde da Família do bairro Caic.

Para a Ely e Naiara Perosini Vetorasso, da coordenadoria, a nota para Guapiaçu é 9, pois segundo elas, nenhum sistema de saúde público ainda é totalmente perfeito.

Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Estado informou que jamais foi informado pela prefeitura de Guapiaçu ao Departamento Regional de Saúde (DRS) de Rio Preto sobre essa demanda de guias e cirurgias reprimida e que e entrará em contato com o município. A assessoria informou também que para ampliar a assistência oferecida à população, o Estado tem investido em medidas como a abertura do AME Rio Preto aos sábados. No entanto, para que a oferta de exames aumente ainda mais é fundamental o aumento do teto financeiro do SUS, encaminhado pelo Ministério da Saúde, ao Estado de São Paulo.

Quanto a falta de ambulâncias, a assessoria informou que não é de responsabilidade do Estado e sim do próprio município.

Em maio a cidade que vai participar da série de reportagens é Tabapuã. Vamos saber o que a população está enfrentando na rede pública de saúde da cidade.

Reclamações sobre a saúde do seu município podem ser enviadas para nossas redações. Ligue a ajude: (17) 9 8803-4123.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de abril)

(Fotos: Diogo De Maman/Gazeta do Interior)

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