“Raio-x da Saúde”: Atendimento público em Bady Bassitt é nota 6, segundo usuários

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Bady Bassitt é a segunda cidade relatada na série de reportagens “Raio-x da Saúde” da Gazeta do Interior. A população do município que depende exclusivamente do atendimento, avalia o sistema como bom ou regular com nota 6.

Nossa reportagem realizou uma enquete na cidade, onde 50 pessoas foram ouvidas. A média de idade dos entrevistados é de 35 a 65 anos. Todos moradores da cidade e que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).

A maior reclamação entre os pacientes é a demora no agendamento de consultas com médicos especialistas. Vários entrevistados reclamaram ainda da falta de médico oftalmologista e a realização de exames de raio-x no município.

Em junho desse ano, a Gazeta mostrou que a população era atendida há mais de um ano em um barracão improvisado. Isso por que o local onde deveria abrigar a Central de Saúde estava passando por uma grande reforma. A obra que custou aos cofres federais quase R$ 1 milhão sofreu diversas melhorias desde encanamento até a parte de decoração.

Na época, a coordenadora de saúde de Bady Bassitt, Elisabete Batista de Souza Mendes, afirmou que o problema, na verdade, foi à burocracia das exigências públicas para a execução da reforma. Durante vários meses a obra ficou parada e cercada com tapumes.

Nossa reportagem mostrou ainda o caso da técnica em enfermagem, Cláudia Regina Germano que reclamava do mau atendimento da unidade improvisada. Ela sofreu um acidente de carro e foi para o setor de urgência do postinho. Lá, segundo ela, recebeu alguns medicamentos, ficou em observação por 10 horas, foi liberada, mas voltou a passar mal e foi diagnosticada no Hospital de Base de São José do Rio Preto com edema cerebral.

A coordenadora explicou que, por vários dias, procurou o caso dessa paciente e tentou saber o que tinha acontecido. Segundo Elisabete, nas 10 horas em que Claudia esteve na unidade recebendo atendimento, ela não apresentou nenhum tipo de reação e que todos os procedimentos médicos necessários foram tomados da melhor forma possível.

Esta semana nossa produção entrou em contato novamente com Claudia e ela disse que está bem, não está sentindo nada e que depois do fato ainda não voltou às unidades de saúde de Bady Bassitt.

Nossa reportagem foi convidada pela coordenadora de saúde a conhecer as novas instalações da unidade. Salas e consultórios médicos foram ampliadas, instalação elétrica, encanamento, recepção e várias outras melhorias foram feitas na central.

O município que tem 15.606 habitantes, segundo o IBGE, tem uma Unidade Básica de saúde (UBS), duas Estratégias de Saúde da Família (ESF), um Programa de Agente Comunitário de Saúde (PACS) e a Unidade Central de Saúde que atende, 24 horas, urgência e emergência. Todas localizadas para atender cerca de 20 bairros da cidade.

Segundo levantamento feito pela secretaria de saúde, a pedido da Gazeta, Bady Bassitt tem 126 funcionários para atender, por mês, de 7 a 10 mil casos emergenciais e de enfermagem. Em especialidades médicas, de janeiro a agosto de 2013, mais de 50 mil pessoas receberam atendimento com clínicos gerais, pediatras, ginecologistas, dentistas e vários outros.

Ainda de acordo com informações da coordenadoria, nos últimos quatro meses, a saúde do município recebeu verbas federais no valor de R$ 646.428,64. Ainda nesse período, prefeitura fez repasses no total de R$ 4.401.841,93. O que ainda não é suficiente, segundo a coordenadora.

“Hoje a saúde, de um modo geral, enfrenta com dificuldades. Tudo é muito caro, desde o salário de um médico até um medicamento. Se não bastasse a falta de verba, a burocracia exigida pelo Tribunal de Contas da União dificulta nosso trabalho e faz com que o processo fique ainda mais lento”, diz.

Para a falta de raio-x e de um oftalmologista na cidade, a coordenadora afirma que uma solução definitiva já foi tomada. “Nosso médico oftalmologista pediu as contas já tem vários meses. Fizemos concurso público, mas não houve procura. Agora estamos realizando a contratação através de pregão, onde uma empresa deverá fornecer o especialista. Já o aparelho de raio-x falta a inspeção de órgãos especializados para a liberação do uso e isso deve acontecer já nos próximos dias”, afirmou.

Quanto a demora no atendimento, Elisabete reconhece a falha e alega que o sistema funciona através de agendamento e tudo ocorre dentro dos limites. “Infelizmente ainda nenhum sistema de saúde pública é perfeito. A verba não é suficiente, a burocracia é grande e quem sofre com isso tudo é o paciente. Estamos fazendo o que podemos para sempre melhorar o atendimento”, disse.

Demora no atendimento, falta de estrutura, falta de médicos – até quando será que autoridades vão continuar brincando com vidas? Vidas estas que não são de animais ou de insetos que podem ser descartadas sem nenhum pudor ou ressentimento. Cabe ao poder público municipal, estadual e federal parar de pensar no “próprio bolso” e olhar com mais piedade para os necessitados que dependem se salvar no sistema de atendimento público de saúde.

Na edição de novembro, a próxima cidade a participar da série de reportagens, “Raio-x da Saúde” é Cedral. Vamos conhecer as reclamações da população e relatar como que os moradores estão sendo atendidos no município.

Não perca, é dia 9 de novembro, nas bancas.

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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