Quase toda semana um animal morre atropelado na rodovia João Neves entre Potirendaba e Cedral

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Quarta-feira, 02 de outubro de 2019

Em uma das rodovias da nossa região onde o limite de velocidade nunca é respeitado, quase todos os dias um animal morre vítima de atropelamento. Em um mês, nossa reportagem contou quatro capivaras mortas na rodovia João Neves que liga Potirendaba a Cedral (SP).

A Gazeta do Interior já mostrou que o trecho de 18 quilômetros de pista simples é um dos mais perigosos da região de circulação do jornal. O limite de velocidade da via é de apenas 80 quilômetros por hora, mas que nem sempre é respeitado pelos motoristas.

Nas últimas quatro semanas nossa reportagem encontrou quatro capivaras mortas ao longo da rodovia, sendo uma por semana. Os trechos onde há maior incidência de atropelamento são os de região de mata ou de represa.

No começo de agosto, uma capivara foi encontrada morta no quilômetro 3 da rodovia, sentido Potirendaba. O motorista era de São José do Rio Preto e trafegava pela via quando acabou colidindo com o mamífero.

“Eu levei um susto muito grande, pois ela surgiu de repente e infelizmente não consegui frear a tempo ou desviar. É muito triste você ver o bicho morrer na sua frente e você não poder fazer nada”, lamenta o motorista que prefere não ser identificado.

Os pedaços de seu veículo ficaram espalhados pela rodovia e o conserto ficou em quase R$ 2 mil. Felizmente o motorista não se feriu, mas o animal que morreu na hora, foi arrastado pelo acostamento por algum outro motorista para servir de comida para urubus.

De todos os animais que morrem na João Neves, nossa equipe notou que nenhum é recolhido pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), órgão responsável pela administração da pista. Um cavalo que também morreu atropelado no começo deste ano só foi removido da rodovia porque a prefeitura de Potirendaba enviou máquinas para retirá-lo do local.

A professora, Gabriela de Oliveira Mariana, trabalha em Potirendaba e conta que todos os dias usa a rodovia. Ela relata que quase todos os dias veja algum animal caminhando ou tentando atravessar a pista.

“Noto que muitas pessoas soltam cachorros nessa rodovia e vejo que quase todo dia tem algum andando pelas margens. Além de ser uma rodovia bastante perigosa, infelizmente não há nenhum tipo de sinalização ou dispositivo para travessia de animais”, diz.

morte de animais em rodovias

Um levantamento feito pelo Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), aponta que a cada 15 segundos, um animal morre vítima de atropelamento em rodovias brasileiras. Por ano são cerca de 475 milhões de bichos que perdem a vida dessa maneira.

De acordo com o estudo, os pequenos vertebrados como sapos, cobras e aves são as principais vítimas, representando 90% das mortes por atropelamento. Para os especialistas, a redução das florestas com expansão desenfreada das cidades é a principal responsável por este cenário.

Biólogos acreditam que outro problema são as queimadas que afugentam os bichos das matas, pois, pelo instinto de sobrevivência, eles fogem para onde podem. Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), só no ano passado foram 2.875 acidentes envolvendo animais na pista dos quais 480 foram graves, resultando em 75 mortes de pessoas.

Segundo a Agência de Transporte de São Paulo (Artesp), o ano passado 12.541 cachorros e 2.727 gatos foram encontrados abandonados em rodovias paulistas.

O DER disse à Gazeta que vem adotando ações afirmativas para diminuir o número de ocorrências envolvendo animais em toda sua malha rodoviária que compreendem estruturas físicas, bem como para educação e conscientização dos usuários e que em locais de áreas de pastagens e criação de animais domésticos, o órgão, através das Unidades Básica de Atendimento (UBAs) realiza inspeções diárias onde são vistoriadas as condições físicas das cercas divisórias da faixa de domínio das rodovias.

Trecho da nota afirma que o Departamento desenvolve ações de conscientização junto à população lindeira, para que haja engajamento dos proprietários quanto à tutela dos animais domésticos (de pequeno e grande porte) e que as áreas particulares – que fazem divisa com a faixa de domínio estadual, estejam devidamente cercadas.

Nós questionamos o órgão sobre a sinalização e instalação de dispositivos para travessia de animais, mas fomos informados de que 12 passagens de fauna foram instaladas, mas não diz em quais rodovias. Na João Neves o DER afirmou que teve apena um acidente em 2018 e outro em 2019 envolvendo animais, e, que na malha viária estadual na região de São José do Rio Preto foram registrados 368 atropelamentos de animais.

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de agosto de 2019)
(Fotos: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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