“Quadrilha da garrucha” é presa em Potirendaba; em dois meses criminosos fizeram arrastão na cidade e ostentavam no Facebook

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A onda de furtos e roubos em Potirendaba continua assustando os moradores. O que causa maior preocupação é que, em dois meses, o número desse tipo de crime já é quase que igual ao do ano passado inteiro. Susto maior ainda é que a cidade possui Guarda Municipal dia e noite e Polícia Militar com atividade delegada, onde mais policiais são pagos pela prefeitura para estarem nas ruas.

“Fico sentada na frente da minha casa praticamente o dia todo junto com meu marido e dá para contar nos dedos os dias da semana que se veja uma viatura da Guarda ou da Polícia Militar passando aqui em frente”. Este é um relato de uma moradora do centro da cidade que prefere não ser identificada.

Aposentada, com 73 anos e mãe de quatro filhos, a mulher diz que nunca viu uma cidade tão violenta como nos últimos tempos. “Nós estamos bastante assustados. Já instalamos cerca elétrica, alarme, mas o medo maior é que eles possam machucar a gente”.

E ela está certa, pois os bandidos que já utilizam os moradores de Potirendaba como “fregueses”, roubam com arma em punho, amarram e espancam. O crime mais recente na cidade foi no começo deste mês a uma casa próximo ao Posto Central de Saúde.

Os ladrões têm as mesmas características das demais ocorrências no município como o roubo de uma padaria, farmácia, casas e diversos furtos como a Gazeta mostrou na edição impressa do mês passado. Armados com uma garrucha e sempre com os rostos cobertos, as vítimas descrevem os autores como sendo adolescentes.

Agressivos, nervosos e exigindo dinheiro, os assaltantes chegaram, renderam o aposentado e exigiram dinheiro. A vítima acabou reagindo e sem dó, os suspeitos espancaram o idoso e fugiram levando cerca de R$ 600 em dinheiro e objetos pessoais.

“QUADRILHA DA GARRUCHA”: Bandidos roubavam e iam gastar dinheiro no shopping

Na manhã do dia 09/03, policiais civis de Potirendaba, Nova Aliança e Uchôa, com o apoio da Guarda Municipal da cidade, cumpriram três mandados de busca, prisão e apreensão nas casas de três suspeitos de cometer os crimes. Dois adultos e dois adolescentes foram presos com diversos objetos de valor como armas, joias e celulares.

A vida de ostentação durou pouco. Os assaltantes que usavam uma garrucha doa antigo faroeste, tinham uma vida de luxo e após cometerem os crimes, iam até São José do Rio Preto gastar o dinheiro em shoppings da cidade.

Foi assim que a polícia conseguiu chegar até eles. Após meses de monitoramento, os policiais conseguiram identificar e prender os ‘ladrões da garrucha’. Os assaltantes usavam toucas e camisetas para cobrir os rostos e de forma bastante violenta, eles exigiam dinheiro nos comércios, nas casas amarravam as vítimas e levavam o que podiam.

Onofre Junior Oliveira Silva, de 23 anos, morador de Mendonça, Marllon Alex Medeiros Reis, de 20 anos, um adolescente de 16 e outro de 14 anos eram os integrantes do grupo que aterrorizava a cidade. O jovem de 16 anos, segundo a polícia, é filho de um dos traficantes mais conhecidos de Potirendaba.

Os criminosos confessaram ter praticado três roubos na cidade. O de uma farmácia, de uma padaria e de uma mulher que foi amarrada e assaltada em casa enquanto o marido dormia, no bairro Buque de Flores.

Os mandados foram cumpridos simultaneamente nos bairros Santos Reis, Leonildo de Carli e José Afonso Amato, bairros onde moravam os assaltantes e onde eles escondiam os produtos. Um carro usado no roubo da farmácia que aparece nas imagens do circuito interno também foi apreendido.

Pelo fato da prisão não ter sido em flagrante, todos os suspeitos foram ouvidos e liberados.

FALTAM AÇÕES PREVENTIVAS:

Quem deveria prevenir que o crime aconteça, infelizmente aparenta não estar. A cidade que tem 16 mil moradores deveria ter três carros de polícia e dois da Guarda Municipal fazendo patrulhamento pelos quatro cantos da cidade.

Mas quem mora em Potirendaba, assim como a aposentada do começo da reportagem, dificilmente veja um desses veículos pelas ruas. O município não para de ganhar novas residências e habitantes a cada dia e com eles novos criminosos.

A cidade ganhou a Guarda Civil Municipal e hoje, 20 agentes, segundo a prefeitura, fazem o patrulhamento. Por dia trabalham seis deles, divididos em dois homens nas três viaturas.

Os guardas que recebem R$ 1.450,00 mil por mês trabalham em escala como as de policiais, em esquema de revezamento de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso. Todos eles são equipados com arma de choque taser, cassetetes e coletes à prova de bala.

Cidades maiores ou do mesmo tamanho como Guapiaçu e Bady Bassitt, por exemplo, não possuem Guardas Municipais e o índice de criminalidade está controlado, de acordo com dados divulgados pela própria Secretaria de Segurança Pública (SSP). Potirendaba, além da Guarda, ainda possui o convênio da atividade delegada, que é onde a prefeitura paga ‘hora extra’ aos policiais militares, para eles trabalharem nos dias de folga.

O 52º Batalhão de Polícia não revela a quantidade de policiais em serviço para não expor o efetivo. Mas como é de conhecimento da população, apenas dois policiais em um único carro fazem o patrulhamento na cidade. Com a atividade delegada, mais um carro com outros dois homens ficam à disposição da população todas as quintas e sextas-feiras, das 14h às 22h00 ou dependendo da demanda.

Cada policial recebe, além do salário dele, mais R$ 18 por hora trabalhada que são pagas mensalmente pela prefeitura da cidade. Com 30 Guardas Municipais, mais quatro policiais militares, a cidade não era para estar segura?

Esta é a pergunta que toda a comunidade faz. Nossa reportagem foi às ruas e entrevistou apenas 20 pessoas, sendo 10 do sexo masculino e outras 10 do sexo feminino. Unanimemente, todos os entrevistados disseram que não se sentem em uma cidade segura, mesmo com o número de guardas e policiais apresentados pela Gazeta.

Com tantos crimes assim, sobra então para a Polícia Civil investigar e tentar prender os criminosos. Mas sobrando policiais de um lado e faltando de outro, pois a delegacia de Potirendaba possui apenas dois investigadores e um escrivão de polícia. Com tantos crimes que não param de chegar todos os dias e poucos funcionários, quando a polícia consegue solucionar um crime, outros três já aconteceram.

O Capitão da Polícia Militar, Maurício de Souza Marques, não veja uma população desesperada por conta do número de roubos. “Acredito que se os moradores estivessem preocupados eles acionaram o 190 e não estamos tendo essa procura da população. Só que a PM tem ações, onde nós conversamos com as vítimas, captamos as características físicas e modo de agir destes criminosos e passamos a monitorar para tentar prender. Além da atividade delegada, temos também em dias alternados da semana, em Potirendaba, apoio dos policiais da Rocan nas motos e também da Caep”, diz.

A prefeitura de Potirendaba disse que sobre o aumento de funcionários remanejados na delegacia da cidade já está no processo de contratação de estagiários para auxiliar na demanda.

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de março de 2017)
(Foto: Reprodução vídeo)

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