Promessas que o governo não cumpriu são os principais motivos das manifestações que ocorrem Brasil afora

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Alguns brasileiros se perguntam, porque ninguém fez manifestação em 2007 quando o Brasil foi eleito para sediar a Copa do Mundo de 2014? A resposta é bem simples, pois, o governo falou das melhorias da mobilidade urbana que seriam necessárias para receber o Mundial.

Mas o que se viu foi uma verdadeira roubalheira, estima-se que já foram gastos R$ 30 bilhões entre obras e estádios. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 2007 previu que seriam gastos R$ 2,6 bilhões nas reformas dos estádios, mas os gastos saltaram para R$ 9 bilhões. O governo prometeu que o dinheiro viria da iniciativa privada, mas arcou diretamente com a metade do valor das arenas, ou seja, R$ 4 bilhões.

Conheça alguns motivos que revoltaram os brasileiros nos últimos anos com promessas não cumpridas dos governantes:

Trem-Bala ligando São Paulo ao Rio de Janeiro

Quem prometeu: Dilma Rousseff, então ministra-chefe da Casa Civil
Quando: 03 de junho de 2009, durante apresentação de balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A promessa era de que o trem sairia do aeroporto de Viracopos, em Campinas, passaria por Guarulhos, contaria com outras cinco estações no caminho para embarque e desembarque de passageiros e teria como destino final o aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

Até agora, o projeto do trem estimado em R$ 35 bilhões, não foi nem licitado e a previsão mais otimista é de que o edital seja lançado após as eleições. O governo chegou abrir uma licitação em agosto de 2013, mas apenas um consórcio estava interessado. Devido à falta de concorrência, foi cancelado pelo Ministério dos Transportes.

16 aeroportos reformados

Quem prometeu: Wagner Bittencourt, ministro da Secretaria de Aviação Civil e Aldo Rebelo, ex-ministro do Esporte.

Quando: 23 de novembro de 2011, na Câmara dos Deputados

A promessa foi linda! Encheu os olhos de lágrimas, mas a realidade é que nenhum ficou pronto no prazo. O Galeão, no Rio de Janeiro, tem problemas logo nos terminais destinados aos voos internacionais. Em Porto Alegre, era aguardada uma ampliação na pista em 920 metros para receber voos diretos de grande porte e com carga cheia. Mas foram tantos atrasos que em dezembro de 2012, o governo jogou a toalha e desistiu de entregar a nova pista até a Copa.
Será que em 18 meses é impossível aumentar uma pista de aeroporto em 920 metros?

85% das obras de mobilidade urbana prontas até dezembro de 2013

Quem prometeu: Ministério dos Esportes

Quando: 23 de maio de 2012, na planilha de apresentação do terceiro balanço da preparação para a Copa do Mundo.

O país fez inicialmente 50 projetos de mobilidade urbana. Atualmente aparecem apenas 45, que estão longe de serem os mesmos dos originais. Quase todos foram reformulados, os que não tinham menor chance de ficar prontos retirados e outros acrescentados.

Em abril de 2014 o Tribunal de Contas da União apontou que apenas 57% dos recursos destinados à infraestrutura haviam sido repassados, o restante não foi usado porque as obras não saíram do papel.
Em Cuiabá, Mato Grosso, o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), obra de mobilidade mais cara da Copa, com custo superior a R$ 1,5 bilhão, não vai ficar pronto. O metrô de Salvador que está em construção há 14 anos vai operar em fase de teste e nos dias de jogos, só vai transportar aqueles que tiverem ingressos em mãos.

Judiação é o que os políticos fizeram com Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Nove obras foram retiradas da planilha. Apenas as vias entorno do estádio Beira-Rio ficaram prontas. Porém, o mais trágico é que nada ficou pronto e tudo ficou mais caro. O custo das obras subiu de R$ 524,9 milhões para R$ 887,9 milhões, aumento de quase 70%. Será que alguém explica como isso é possível sem ter sido desviado dinheiro público?

Gastos 100% privados nas reformas dos estádios

Quem: Ex-presidente Lula e Ricardo Teixeira, presidente da CBF na época.
Quando: 30 de outubro de 2007, logo após o anúncio do Brasil como sede da Copa.
O valor cotado inicialmente para os estádios era de R$ 2,6 bilhões, todos da iniciativa privada. Sete anos depois, o valor mais do que triplicou e chegou a R$ 9 bilhões. Apenas R$ 133 milhões foram investimentos de empresas privadas, cerca de 1,5% do total.
Se isso não bastasse, após a Copa, pelo menos quatro estádios serão enormes elefantes brancos (Mané Guarricha, Brasília – DF; Arena das Dunas, Natal, RN; Arena Amazônia, Manaus, AM e Arena Cuiabá, Cuiabá, MT).

O estádio Mané Garrincha para se ter uma ideia, é o segundo estádio mais caro do mundo, com R$ 1,9 bilhão. Dos 12 estádios da Copa, apenas três são particulares (Itaquerão, Arena da Baixada e Beira-Rio), mas todos receberam dinheiro público diretamente por financiamentos ou por incentivos fiscais. Dos R$ 820 milhões do Itaquerão, R$ 420 milhões foram bancados pelo PSDB por meio de Certificados de Incentivo de Desenvolvimento (CID).

Essas são algumas das promessas que não foram cumpridas, o que deixa curioso é como não conseguiram cumprir com sete anos para colocar a casa em ordem? Acredite, essa será a pior Copa do Mundo já realizada, nem a de 1930, no Uruguai, onde foi realizada em apenas um estádio e sempre a tarde, porque o estádio não tinha iluminação para jogar a noite, foi pior do que está.
Os gringos que vir ao país provavelmente não voltará mais, eles nem vão conseguir postar as fotos deles nos estádios, já que o próprio ministro da Comunicação, Paulo Bernardo, admitiu que a internet será “deficiente” em metade dos estádios.

(Foto: Divulgação)
(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de junho de 2014)

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