Projeto de reforma da praça de Potirendaba sofre alteração, padre não aprova e obra só fica no papel

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Potirendaba, 19 de junho de 2016

Há exato um ano a Gazeta do Interior mostrou que uma obra tão esperada pela comunidade católica seria realidade em Potirendaba e prefeitura do município teria conseguido verba para a reforma da Praça da Matriz da cidade. Um esboço do projeto de como ficaria a obra chegou a ser feito e publicado pelo jornal, mas o problema é que divergências entre igreja e prefeitura fizeram com que o sonho ficasse apenas sendo um sonho.

O projeto orçado em R$ 250 mil receberia piso, jardinagem e iluminação tudo novo. A pedido do padre da cidade, Sidney Roberto Martins, oito canteiros seriam excluídos para darem lugar aos eventos do calendário católico como quermesses e festas como a de Corpus Christi, além de criar mais vagas de estacionamento em duas laterais da praça.

Mas divergências de valores fizeram com que o projeto que começaria a ser executado em maio do ano passado, não tivesse início. Em uma longa conversa com a equipe da Gazeta, padre Sidney contou em detalhes desde o início das conversas com a prefeitura e como tudo foi decidido.

Ele fala que quando foi convidado a comparecer na prefeitura ficou surpreso com a decisão semelhante da prefeita da cidade, Gislaine Montanari, em realizar a retirada dos canteiros e reformular a estrutura do local. “Ela (prefeita) me pediu como que eu acharia melhor executar a reforma, então pedi que fossem retirados oito canteiros para dar mais espaço na praça e para minha surpresa ela me disse que também pretendia tirar, então chegamos ao acordo e ainda sugeri que fosse feito um piso mais barato do que o sugerido no projeto”, explica o padre.

Sidney diz que o piso sugerido por ele seria o concreto polido, bastante utilizado em barracões e áreas como postos de gasolina, sendo mais barato do que o de pedras invertidas do projeto. “Para a praça seria melhor, pois a acomodação das pessoas se tornaria melhor, além de não acumular água e não afundar como as pedras invertidas”, diz.

Hoje as quermesses são realizadas em umas das principais avenidas do centro da cidade, que são a Avenida Maestro Antônio Amato e a Avenida Barão do Rio Branco. As festas acontecem em dois fins de semana, impedem o trânsito, atrapalham o comércio local, além de já não acomodar mais a quantidade de pessoas que o evento recebe, segundo o padre.

Datas como a de Corpus Christi chegam a reunir mais de 5 mil pessoas todos os anos. A procissão é realizada pelas ruas da cidade, mas a concentração para a missa acontece em frente da igreja matriz e o pouco espaço também já não acomoda mais todo o  número de fiéis, fazendo com que parte deles fique em cima dos canteiros.

Depois de quase um ano de espera a verba foi liberada, mas com a liberação vieram algumas mudanças que não agradaram o padre e o Conselho Paroquial de Assuntos Econômicos (CPAE). A obra do Ministério do Turismo seria destinada à remoção, e aplicação do novo piso, ao paisagismo, mas não entrariam as vagas de estacionamento. Os 7.660 m² de revitalização receberiam as pedras invertidas e não previa as vagas de estacionamento.

Sidney apresentou à Gazeta o projeto final da obra e bastante diferente do esboço montado pelo jornal no ano passado, as adequações não extinguiriam os canteiros conforme solicitado pelo padre.

A editoria de artes do jornal criou o esboço de como ficaria a praça com base nas informações passadas pela prefeitura e também pelo padre para que a população tivesse uma ideia de como ficaria a reforma do local. Porém, as vagas de estacionamento ficariam para um próximo projeto e o piso bem menor seria com o as pedras invertidas e os canteiros seriam apenas diminuídos, mas não removidos.

“Quando fui chamado novamente na prefeitura recentemente, não aprovei o projeto de imediato, pois falei que não era nada do que tínhamos combinado. Trouxe o projeto ao Conselho Paroquial e os oito membros rejeitaram por unanimidade, pois infelizmente não atende as necessidades da nossa igreja. Querendo ou não a praça pertence à igreja e por isso que precisa do aval da comunidade católica”, explica o pároco.

A explicação para toda a mudança está no valor liberado pelo Governo. Devido a inflação, o valor do convênio que teve início em 2013 já está defasado e com isso os valores alteraram.

A prefeita Gislaine diz que estudou até em colocar dinheiro do caixa da prefeitura, mas as Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDO), não permitem aplicação de verba acima de 4% do valor total da obra.

“Infelizmente o convênio é muito burocrático e não nos permite alterar em nada o projeto. Não podemos fazer menor, não podemos usar esse dinheiro em outra praça e nem nada do tipo. Então sugiro que façamos o projeto conforme o aprovado e futuramente um próximo prefeito conquista um novo convênio e executa o restante, só será desmanchada parte dos canteiros e colocado o piso novamente”, explica a prefeita.

Referente ao piso sugerido pelo padre, a prefeita explica que o projeto não pode sofrer alterações, pois tem que cumprir a determinação do Ministério do Turismo que libera o convênio. “Na hora que os engenheiros da Caixa vêm temos que prestar contas, não pode alterar”.

A verba já está depositada na conta de prefeitura e Caixa Econômica Federal está cobrando a prefeitura para que a obra seja iniciada. Caso a prefeitura não execute o serviço, o valor tem que ser devolvido imediatamente.

Nova Aliança:

Em Nova Aliança a reforma da praça foi executada, mas a população tem dúvidas aos valores pagos pela obra. Agora até os carros serão impedidos de entrarem na praça.

O projeto nada muito diferente de Potirendaba recebeu verba do Ministério do Turismo e da prefeitura da cidade. Por ser um projeto comum o que assusta são os valores gastos com a obra.

A prefeitura investiu R$ 80 mil dos cofres municipais e o governo federal destinou R$ 550 mil, isso mesmo, um total de R$ 630 mil para colocar alguns canteiros, construir dois banheiros e trocar o piso da praça.

“Acabaram com o nosso patrimônio. Derrubaram todas as árvores com quase 100 anos, derrubaram um coreto aqui que deveria ser tombado patrimônio histórico. Esses valores não condizem com a praça feita aqui”, diz Janaina Aparecida de Freitas, moradora da cidade.

Nossa reportagem procurou o padre da cidade, Rafael Henrique para comentar sobre o caso, mas ele disse que não queria falar sobre o assunto. A diocese de São José do Rio Preto informou que a reforma foi autorizada.

(Fotos: Gazeta do Interior)

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de maio de 2016)

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