Prefeitura de Bady Bassitt decide receber alunos do ensino fundamental II, mas segundo professores não há estrutura

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(Publicada em 18/02/2019)

A prefeitura de Bady Bassitt decidiu manter o ensino fundamental II nas escolas municipais, porém falta estrutura para estes estudantes. Um ofício foi feito pela própria Coordenadoria Municipal de Educação comunicando a decisão à Diretoria de Ensino de São José do Rio Preto.

O caso já vem sendo acompanhado pela promotoria da Infância e Juventude e até um abaixo assinado foi coletado por pais contra esta medida no ano passado. Professores também chegaram a encaminhar um ofício à Câmara dos vereadores cobrando solução.

Na teoria, a instituição que iria receber estes alunos é a escola municipal João Matheus Telles de Menezes porém, as dez salas existentes na instituição, possuem capacidade máxima para 29 alunos. Com a chegada destes alunos as salas passariam a ter 38 estudantes, diminuindo assim ainda mais a qualidade de ensino.

Como não há estrutura nesta escola, a prefeitura decidiu então remanejar cinco salas para a Escola Municipal Nice Beolchi Nunes Ferreira, driblando assim o ofício encaminhado ao Estado. Consequentemente a escola estadual Áurea de Oliveira ficará com salas vazias e com professores sem aulas para lecionar.

No ensino fundamental II, segundo os professores, há exigência de laboratórios de ciências, informática, sala de leitura e entre outros suportes pedagógicos que a escola municipal João Matheus não possui.

A professora da escola Áurea de Oliveira, Silmara Teixeira, afirma que como o município recebe por aluno, a estratégia é receber cada vez mais, porém não há preocupação com a qualidade do ensino.

“Cada ano que passa o município segura mais alunos. Estamos hoje com três salas de 6ºs anos que dá um total de 105 alunos  que serão transferidos para o município. A escola João Matheus já possui quatro salas de 6ºs anos”.

Para Silmara que recebe os alunos do ensino fundamental I a qualidade do ensino municipal em Bady Bassitt não é boa. “Hoje tenho sete alunos que não foram alfabetizados. Nós professores sabemos que a qualidade das apostilas do município não são boas, então isso vai fazendo com que a qualidade diminua a cada ano que passa”, diz.

A previsão de alunos para 2019 para o 6º ano é de cerca de 280 estudantes somando as escolas municipais Nice Beolchi Nunes Ferreira e João Ramos Netos, além dos alunos retidos no 6º ano por término do ano letivo. Para os próximos anos a situação deve ficar ainda pior.

A construção de loteamentos em Bady deve entregar até o fim deste ano cerca de 500 casas, onde consequentemente deverá ter mais 400 novos alunos inseridos na rede municipal de ensino. A cidade atualmente já sofre com a falta de vagas.

Segundo levantamento feito pela Gazeta, o município possui déficit de vagas no ensino fundamental I, ensino infantil e principalmente em creches. Uma mãe que prefere não ser identificada, pois trabalha na prefeitura, diz que está na fila por uma vaga em um  creche há mais de um ano.

“Entrei com o pedido em maio do ano passado e até agora não recebi nenhuma ligação. Fui pessoalmente para saber se havia alguma disponibilidade e uma funcionária ainda me disse que se eu quisesse manter meu emprego era bom eu ficar quietinha e aguardar” afirma.

O caso está sendo acompanhado pelo promotor da Infância e Juventude de São José do Rio Preto, André Luiz de Souza, onde uma audiência com pais, professores e alunos já foi realizada.

A Secretaria de Educação do Estado disse que como a municipalização ocorreu em 2008 e o município informou o Estado oficialmente que tem capacidade para receber estes alunos, a responsabilidade compete exclusivamente ao município.

Já a prefeitura de Bady Bassitt disse em nota que o módulo de atendimento da rede municipal para o ensino fundamental II é de 35 alunos por sala, sendo o mesmo módulo das escolas estaduais e que o número de aluno atendido nas escolas municipais em 2019 é inferir a 30 alunos. Trecho da nota enviada pela Coordenadoria de Educação diz que a justificativa para esses alunos permanecerem na rede é a diminuição de estudantes no ensino fundamental II neste ano de 2018, consequentemente, o município teria muitas salas ociosas a partir do ano que vem.

Sobre o crescimento da cidade, o documento afirma que a Educação realizou um levantamento quanto à entrega de loteamentos e construções previstas para 2019. Segundo o Departamento de Engenharia da administração, apenas uma construtora entregará 200 unidades habitacionais no primeiro semestre do ano que vem, e o município está apto para atender a respectiva demanda, atendendo a esses alunos.

Questionamos a prefeitura ainda sobre quais investimentos estes loteadores e construtoras tem feito na educação da cidade contribuindo para a construção de creches e escolas. Trecho da nota afirma que os investimentos das construtoras, todos os levantamentos são norteados por lei específica e todos as normas pré-estabelecidas vêm sendo devidamente atendidas.

Sobre a estrutura educacional da escola João Matheus, a prefeitura diz que desde 2008 já abriga turmas de 6° a 9° ano com todas as exigências do MEC sendo rigorosamente cumpridas. Por fim, o documento diz que todas as decisões foram tomadas em conjunto com pais, diretores, coordenadores, professores, Direção Regional de Ensino e Promotoria da Infância e Juventude.

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior)
(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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