Potirendaba: Mães de crianças com deficiência reclamam das condições em que são transportadas durante tratamento

Posted by at 14:23 Comments Print

Pelo menos sete mães de crianças com deficiência de Potirendaba procuraram a Gazeta nesta quarta-feira (26/09/2018), para relatar da situação em que são transportadas para tratamento médico em cidades da região. Elas viajam até 40 quilômetros com os filhos no colo, em ambulâncias com condições precárias e sem nenhum tipo de adaptação.

Todas as segundas-feiras elas viajam até Cedral onde as crianças, com idade entre 6 e 23 anos, realizam o tratamento de equoterapia. São 18 quilômetros pela rodovia João Neves – já mostrada pela Gazeta em péssimas condições de tráfego – crianças sem cinto de segurança e viajando no colo das mães.

Juliane Pacheco é mãe do Eduardo de 8 anos e na última segunda-feira (24/09), com o celular, ela gravou a situação em que o transporte é realizado. Nas imagens aparecem quatro mães com as crianças no colo sendo levadas em uma ambulância com condições precárias.

ambulâncias sucateadas

“Decidi fazer o vídeo porque há oito anos que levo meu filho fazer tratamento e é sempre a mesma coisa, nunca muda. Eu tive que entrar com ação judicial para o meu filho ser levado até Rio Preto onde faz tratamento em uma clínica, pois não estamos pedindo luxo e nem conforto, apenas dignidade e segurança”, explica.

A ação movida pela mãe contra a prefeitura de Potirendaba aconteceu depois que ela foi obrigada a esperar uma hora e meia em baixo de sol forte pela chegada do transporte. As imagens das câmeras da clínica onde Juliane aguardava a chegada do motorista mostram que ela ficou com filho em uma cadeira de rodas das 10h38 até às 12h protegidos apenas pela sombra de um poste.

Trecho das gravações feitas pelas mães mostram ambulâncias completamente sujas, enferrujadas, pneus carecas, com muito barulho e sem cintos de segurança. Em outro vídeo aparece uma mãe tirando o filho de dentro da ambulância sozinha e colocando na cadeira de rodas enquanto o motorista assiste sem prestar ajuda.

A aposentada, Valentina Aparecida de Oliveira Carvalho, conta que leva a neta Alana, de 23 anos, que tem paralisia cerebral, todos os dias, para Rio Preto. Ela conta que a menina foi arremessada do banco de uma das vans que realiza o transporte por causa das condições precárias do veículo.

“Essa van está com os bancos todos quebrados e a minha neta caiu do banco. Foi por sorte que ela não se machucou. Já teve vez da gente esperar mais de três horas para eles (motoristas) vir buscar a gente”, afirma.

Cansada de depender do transporte da prefeitura, a dona de casa, Rosalina Aparecida Cláudio, mãe do Rian de 6 anos, diz que paga para um motorista levá-los. “É um absurdo o risco que a gente corre com criança e ainda ser tratado que nem idiotas. Já teve vez que paguei R$ 150 para levar eu e meu filho no tratamento”, diz.

O coordenador de saúde de Potirendaba, Rodrigo Russo, reconhece que a frota de ambulâncias está sucateada há anos, mas que a prefeitura já adquiriu novos veículos. “O dinheiro já está na conta da prefeitura, mas devido ao período eleitoral infelizmente não é possível realizar a compra. Teremos um carro com sete lugares para transporte destes pacientes e também três novas ambulâncias que chegarão ainda este ano”, promete.

Para solucionar o problema das mães de imediato, Rodrigo prometeu também que vai se reunir com o encarregado de ambulâncias e disponibilizar dois carros para realizar o transportes já a partir da próxima segunda-feira (1/10). A Gazeta vai continuar acompanhando o caso.

(Fotos: Luiz Aranha/Gazeta do Interior e reprodução vídeo)

Cidades Destaques Últimas Notícias , , , ,

Related Posts