Potirendaba é primeira cidade do Estado a receber projeto de unidade piloto de preparação de solo para lavoura e pecuária

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O município de Potirendaba mais uma vez sai na frente e é a primeira cidade do Estado a receber uma unidade piloto de preparação de solo para lavoura e pecuária. Um evento realizado no último mês na cidade pôde auxiliar e explicar a dezenas de produtores, técnicas de cultivo e cuidados com a terra, tanto para a agricultura ou até mesmo para a criação de gado.

Vários produtores de municípios vizinhos conheceram de perto o projeto inédito para o estado de São Paulo. A ação pretende recuperar mais de 300 mil hectares de áreas degradadas nos próximos sete anos. O Integra SP – lavoura – pecuária – floresta (ILPF) financia a recuperação de pastagem, terraciamento, curva de nível, plantação de mudas e correção de solos. Serão R$ 100 mil em financiamento e quem tiver erosão receberá R$10 mil, sem precisar pagar.

Os financiamentos serão obtidos por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), órgão da SAA, que disponibilizará duas linhas de crédito especiais. A linha de subvenção para recuperação de áreas degradadas por grandes erosões, com teto de R$ 10 mil por produtor, pode ser utilizada em ações de correção de solo e controle de voçorocas. Já a linha Projeto Integra SP – lavoura – pecuária – floresta, financiará desde o processo de adubação e cobertura de solo até a implantação de sistemas integrados de produção.

O limite é de R$ 100 mil com juros de 3% ao ano e prazo de oito anos para pagamento, podendo ser estendido até 12 anos quando o projeto incluir cultivo de floresta.

Fernando Aluizio Penteado, secretário executivo do FEAP, explica que o produtor, literalmente, só tem a ganhar. “Isso é um benefício gigantesco para os donos das propriedades. Se está com prejuízo vai consertar de graça e se está querendo melhorar ele (produtor) pode pagar com juros de 3%”.

A execução contará com todo apoio da equipe de técnicos da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI/SAA) responsável pela elaboração de projeto em parceria com o produtor rural para traçar o plano de trabalho mais adequado a cada propriedade.

Para o desenvolvimento, estão previstas instalações de 250 unidades demonstrativas (UDS) – uma delas em Potirendaba, tanto em fazendas do estado como em propriedades rurais privadas. As UDS’s têm como função demonstrar e transferir a tecnologia do projeto, capacitação de 125 técnicos da SAA que serão responsáveis pela implantação e por oferecer apoio direto aos produtores rurais, capacitação e benefício para quatro mil produtores e a elaboração de 450 projetos que poderão contemplar desde a reforma da pastagem até a adoção de sistemas.

Fernando Miqueletti, chefe da Casa da Agricultura de Potirendaba, diz que o município vai ser referência na região. “Só vamos ter benefícios, pois vamos conseguir passar para os produtores que eles vão poder trabalhar com duas culturas no ano, melhorando assim a rentabilidade do produtor. Se ele tem um pasto e precisa melhorar aquele nutriente do milho, por exemplo, já serve para o capim. Então o único custo que ele terá é da semente do capim por que o pasto fica de graça, reformado”, diz.

Administrador da fazenda da família há pouco mais de dois anos, José Américo Leva de Paula veio do município de Tanabi (SP) para aprender em Potirendaba e colocar o projeto em prática em sua propriedade. “Vou começar com um pedaço pequeno de três alqueires. Primeiro vou plantar o milho e depois tentar formar o pasto com a ajuda do projeto. Para os próximos anos já penso em dez alqueires, se tudo der certo”, disse.

“A expectativa é de ter uma maior produção por arroba, por hectare. Essa a intenção, pois ganhamos em cima de produção. Com o tempo fomos perdendo espaço para arrendar para a cana, então hoje a gente tem que ganhar mais em pouco espaço e esse projeto vem para suprir todas as minhas necessidades”, finaliza o produtor.

O estado de São Paulo possui, em área agricultável, 21,5 milhões de hectares, sendo que 7,8 milhões (40% do total) correspondem à pastagem. No entanto, estima-se que 6,1 milhões de hectares estejam com algum grau de degradação. São áreas que necessitam de manejo especializado, a fim de que o agricultor possa obter ainda mais produtividade e renda.

O projeto Integra SP vai de encontro às metas estabelecidas no programa estadual de mudanças climáticas do governo do estado, que assumiu o compromisso de recuperar, ao menos, 20% das áreas com pastagens degradadas até 2020. A expectativa da equipe da secretaria de agricultura é que 800 voçorocas sejam controladas em até cinco anos e que 312 mil hectares de pastagens sejam recuperadas em sete anos.

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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