Por Eric Carvalho: Organização também dá audiência

Posted by at 7:46 Comments Print

S e você ainda não está sabendo, há um grupo de jogadores profissionais que se reuniu para tentar mudar o calendário do futebol brasileiro. Eles defendem que a quantidade excessiva de jogos prejudica o desempenho dos atletas e pode até mesmo causar mais lesões. O Bom Senso Futebol Clube é liderado por nomes que chamam a atenção não só pelo futebol no pé, mas também por serem pessoas bem instruídas, como o zagueiro Paulo André do Corinthians, o meia Alex, do Coritiba e o grande ídolo do futebol, Juninho Pernambucano.

A luta desses atletas é aproximar a organização do futebol nacional à que é praticada na Europa. Lá existe um período de pré-temporada, os jogadores tem férias e isso, claramente, faz diferença dentro de campo. Durante os campeonatos, dificilmente há dois jogos por semana pela mesma competição, mas os adversários do Bom Senso são muitos e fortes. Contra eles, pesa a dupla CBF – Rede Globo.

Eu comecei o texto perguntando se você sabia que existe esse grupo de atletas, não por acaso. A poderosa Globo tenta esconder ao máximo o movimento. Fala pouco ou quase nada sobre o assunto nos seus diários esportivos e, quando fala, não leva a discussão para frente, finge que não há nada para se debater. Até mesmo quando os atletas em grandes jogos se reuniram abraçados no meio do campo para protestarem contra o calendário brasileiro, as transmissões simplesmente ignoraram aquela atitude.

Mas, e então, porque a Globo é tão contrária assim às mudanças no calendário? Simples, a emissora investe milhões de reais para manter o futebol todos os domingos e quartas-feiras no ar. Só o Corinthians fatura por ano mais de 150 milhões de reais com cotas de TV. Em contrapartida, a emissora carioca praticamente monta as tabelas dos campeonatos. Com isso o Paulistão fica apertado em janeiro e o Brasileiro só acaba em Dezembro.

Eu, como amante do futebol, gosto muito que seja assim, afinal, passar um domingo sem ver jogo me faz sentir meio órfão, triste e com tédio, mas nem por isso devo deixar de concordar com os atletas. A rotina de treinos e jogos é muscularmente estressante para eles. Sim, eles ganham milhões, mas os músculos não pensam nisso e sofrem. É comum vermos equipes passando sérios problemas para compor os elencos na reta final do brasileiro por causa do excesso de contusões ou cansaço dos jogadores.

Na Europa, essa realidade é diferente. Lá existe uma etapa de pré-temporada e é nessa fase que os times faturam mais dinheiro. O Barcelona viaja para a Ásia, África e América do Norte e ganha milhões para fazer partidas contras equipes locais, o que os times brasileiros não tem tempo de fazer. O Santos e o São Paulo até tentaram em 2013, mas saiu tudo errado, com derrota histórica e uma bagunça para reorganizar a equipe no Brasileirão.

O debate está lançado e a CBF fez um acordo para conversar mais uma vez com os atletas do Bom Senso, só que em 2015. Aí cabem as negociações entre federações e principalmente, a Rede Globo. Queremos futebol sempre, mas também queremos qualidade.

É importante também ficarmos atentos para o rumo que isso vai seguir. Os estaduais tem dado pouca audiência nos últimos anos, mas não podemos deixar, de modo algum, que eles acabem. Há milhares de empregos e história nos times do interior que sobrevivem porque existem os grandes que trazem renda. Se o Paulistão acabar, o que será de equipes como o Mirassol?

Mesmo que os poderosos chorem, fiquem bicudos ou percam alguns milhões é importante fazer o futebol brasileiro ser cada vez mais profissional e não perder nada para nenhum país. Já temos o campeonato nacional mais interessante e disputado do mundo, que tal agora contar com o mais organizado?

(Foto: Divulgação)

Colunistas Destaques Eric Carvalho Esportes Últimas Notícias , ,

Related Posts