Por causa de penas de pássaros, árvores são ‘depenadas’ em praça de Potirendaba

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A reclamação de apenas uma moradora, por causa de penas de pássaros, fez com que a prefeitura realizasse poda drástica em quase todas as árvores da praça do bairro Santos Reis, de Potirendaba.

Durante à tarde, o aposentado Antonio Sevelino Castelli conta que sentava para jogar conversa fora com os amigos na sombra das árvores que ele ajudou a plantar. “Essas árvores aqui plantamos para as festas de Santos Reis há mais ou menos uns 15 anos. Hoje que podemos desfrutar de uma sombra, a prefeitura vem e corta tudo. Além de crime, acho isso uma falta de preocupação com o meio ambiente”, comenta.

A festa que o aposentado se refere chega receber mais de 5 mil pessoas todos os anos. Por conta do volume de fiéis não caber no salão destinado ao evento, eles se abrigam em baixo das árvores para se protegerem do sol forte.

Outro aposentado que prefere não revelar o nome, diz que a reclamação nem é tanto por conta das penas, mas sim, pelo fato deles sentarem nos bancos da praça. “Talvez por que a gente senta aqui, ela (vizinha) deve estar incomodada. Chegaram a falar que é porque a gente alimenta os pardais, agora dar ração para passarinho é crime? Crime é cortar as árvores no toco”, fala.

O serralheiro, Waldiro Fernando Coelho, conta que a reclamação partiu da mãe dele que estava cansada com as penas das aves que dormiam nas árvores. “As penas entravam no quintal e estavam incomodando a minha mãe. Se a gente não molhasse, não tinha como, as penas vinham tudo para dentro de casa”.

Durante uma volta pela praça, nossa equipe não encontrou nenhuma pena de pássaro. Na casa de Waldiro também não encontramos nada, mas ele justifica. “É que agora já limparam, mas isso aqui fica forrado de pena”, argumenta.

Segundo o artigo 49 da Lei Federal n° 9605/98, Lei de Crimes Ambientais, a prática é ilegal. “Destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada alheia é proibido sujeito à penalidades previstas”.

Nossa equipe entrou em contato com a prefeitura de Potirendaba na manhã desta sexta-feira (27) para saber o porque da poda drástica, mas até agora não obtivemos respostas.

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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