População questiona o não fechamento de praças de pedágio durante quarentena da COVID-19

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Quinta-feira, 26 de março de 2020

O não fechamento de praças de pedágio em todo o Estado de São Paulo tem causado revolta em moradores da nossa região diante da pandemia do novo coronavírus. Uma comerciante disse que já ingressou com ação no Ministério Público.

A insatisfação com o funcionamento das praças durante o decreto estadual tem ganhado as redes sociais nos últimos dias. Dezenas de pessoas questionam o motivo do não fechamento já que os pontos de arrecadação são grandes propulsores de contaminação da COVID-19.

A região da Gazeta possui três praças de pedágio onde milhares de pessoas tem contato com funcionários e dinheiro todos os dias. A de maior movimento fica em Catiguá (SP), na rodovia Washington Luís. A segunda fica em Tabapuã e a outra em Elisiário.

A empresária Laís Guimarães Accorsi gravou um vídeo que repercutiu em diversos grupos de whatsapp. Trecho da gravação ela questiona porque só as praças de pedágio continuam funcionando.

“Tenho dois restaurantes em São José do Rio Preto, inclusive precisei fechar, não sei se vou sobreviver financeiramente, mas fechei feliz, pois tenho meus pais que são idosos e se é para poupá-los fecho de bom grado. Eu e o país inteiro paramos em prol de uma causa maior que é evitar um colapso no sistema de saúde, porém, pasmem, fui para São Paulo e todas as praças de pedágio estão funcionando normalmente. Esse país é uma piada, é um desrespeito, uma falta de nexo do que o governo prega”, reclama.

Ainda no vídeo ela afirma que ligou em uma das praças questionando se tinha previsão das praças de pedágio fechar e um funcionário disse que continuaria funcionando normalmente. A empresária afirma que vai levar o caso adiante e quer cobrar as autoridades.

“Estou dando meu nome, minha cara, eu vou fazer uma denúncia pública, já me informei com um juiz federal que me encaminhou para um promotor. É uma vergonha, o Brasil inteiro parado e os pedágios funcionando, os funcionários tendo contato com troca dinheiro e com motoristas. Maior fonte de contaminação como essa não há”, finaliza.

Em entrevista à Gazeta, a empresária afirma que o vídeo já foi visto até fora do Brasil. Ela diz que a denúncia já foi realizada.

“Se nós não tomarmos medidas, ninguém faz nada. A denúncia já foi feita e agora vamos aguardar o seguimento do processo”, afirma.

Nas redes sociais diversos usuários pedem a liberação dos pedágios:
“Liberem os pedágios, os caminhoneiros estão rodando o Brasil para manter nossas casas abastecidas”.

“Não adianta nada você de quarentena e os funcionários do pedágio tendo contato com o Brasil inteiro e contaminando todo mundo”.

“Brasil piada pronta: Você de quarentena e o pedágio à todo vapor”.

“Doria, porque você não parou os pedágios?”.

Nossa reportagem questionou o Governo de São Paulo que até agora não se manifestou sobre nossas perguntas.

A AB Triângulo do Sol, que administra a praça de pedágio de Catiguá, disse que está seguindo os protocolos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde (MS) e que as rodovias são infraestruturas consideradas serviços essenciais, sendo fundamentais neste momento para o trânsito de todas as frentes de saúde e de segurança pública que tenham de acessar áreas ameaçadas pela pandemia do novo coronavírus e que, além disso, garantem o trânsito de alimentos e de bens essenciais para as populações que estão sob quarentena neste momento da pandemia.

Nas praças de Tabapuã e Elisiário ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto.

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior-arquivo)

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