Pontos de ônibus de Potirendaba quebrados ou inexistentes frustram usuários

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Na segunda imagem, mulheres esperam ônibus de baixo de sol na avenida Ana Josepha Perez Garcia por falta de ponto

O sistema de transporte coletivo em nosso país é um dos piores do planeta, segundo tudo o que já estamos cansados de ver. Além de já ter que andar em um transporte de qualidade ruim, imagina você ter que esperá-lo em baixo de um sol de 40º.

Moradores de Potirendaba há décadas que sofrem com esse problema. Os pontos de ônibus que existiam na cidade foram sendo destruídos com o tempo, arrancados e nunca foram substituídos.

Quando não tem ponto de ônibus, pode então esperar o coletivo em baixo de uma árvore? É aí que a gente se engana. No último ponto da Avenida Ana Josepha Perez Garcia, não há cobertura de proteção aos usuários, mas existia uma árvore para abrigá-los do sol. Pois é, existia. O proprietário do imóvel foi lá e derrubou a árvore.

Pessoas que esperam ônibus naquele local acreditam que o dono tomou essa decisão pelo incômodo que as pessoas causavam alí.

No levantamento feito pela Gazeta do Interior na cidade existem 19 pontos de ônibus, mas apenas nove deles tem cobertura. Desses que tem cobertura, a maioria dos assentos está danificada ou as coberturas quebradas.

Um fato curioso é que a prefeitura realiza campanhas municipais instalando adesivos nesses pontos. Cada adesivo custa, em média, R$ 100. Calculando esse valor vezes os nove locais, daria uma média de R$ 900 cada campanha, valor este que já seria suficiente para dar manutenção nos pontos que estão danificados.

Para a agricultora, Sandra Maria dos Santos, ter que esperar o ônibus no sol é uma tarefa mais do que complicada. “Eu já trabalho o dia todo no sol e ainda ter que vir para o ponto pegar ônibus e esperar no sol fica complicado”, fala.

A aposentada Cleuza Santana de Oliveira que pega ônibus na avenida Ana Josepha, reclama do ponto de ônibus sujo. “Falta respeito por parte do povo que suja e quebra tudo, mas falta também respeito do poder público que deveria cuidar melhor desses pontos”, diz.

Estudos realizados nos últimos anos apontam a mobilidade urbana como uma questão crucial no desenvolvimento das grandes cidades brasileiras. Além de afetar a qualidade de vida dos moradores, ela desequilibra a economia das cidades e acentua a exclusão social.

Porém a ineficiência desses transportes e a frustração de esperar por um ônibus têm feito os usuários desistirem de usar o transporte coletivo. As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro estão entre as metrópoles que mais perderam passageiros nos últimos anos. São Paulo transportava 10 milhões de passageiros por dia e, hoje, transporta apenas 8,5 milhões. Já no Rio, onde eram transportados 4 milhões de passageiros diariamente, esse número caiu para 2,5 milhões.

Para o especialista em trânsito, Roberto Menezes Parra, andar de ônibus é sinônimo de desânimo e frustração. “Não se vê mais campanhas incentivando pessoas a andarem de ônibus. Falta de pontos de ônibus favorecem as pessoas a pegarem os carros na garagem e irem de carro. Os usuários se sentem incomodados em ficar meia hora de baixo de um sol escaldante esperando por um ônibus que certamente estará lotado. Andar de ônibus em países da Europa, por exemplo, é algo luxuoso, no Brasil e principalmente em pequenas cidades, é dor de cabeça e irritação na certa”, comenta.

Em nota, a prefeitura de Potirendaba disse que para este ano existe um projeto de remodelação de todos os pontos de ônibus do município, mas que aguarda liberação de verba para execução do mesmo.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de janeiro de 2015)
(Fotos: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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