Poços de Potirendaba começam a secar e Gislaine Franzotti já está multando quem desperdiça água

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Parecia que não ia acontecer nunca, mas Potirendaba está ficando sem água. Poços do município já não tem mais água e como medida a prefeita, Gislaine Franzotti, ouviu o pedido da Gazeta do Interior e começou a multar quem desperdiça água. Nas últimas semanas, várias reportagens sobre desperdício foram feitas pelo jornal e clamando economia por parte da população.

Sexta-feira é o dia da faxina e as donas de casa de Potirendaba parecem que não estão nenhum pouco preocupadas com multa e muito menos com a falta d’água. Nessa luta para o uso consciente do bem mais precioso da humanidade, poder público começa a tomar medidas para a causa e mexer no bolso do desperdiçador é uma delas.

A lei criada pela própria prefeita em Potirendaba no ano de 2010, começou a surtir efeito nesta última quinta-feira (29). Vários moradores já foram adivertidos.

A costureira, Lucineide Garcia, não estava sabendo que nem a varanda podia ser lavada. Nossa reportagem alertou ela. “Eu tenho consciência e não desperdiço. Tenho neta e as futuras gerações precisam ter água para sobreviver. Eu lavei apenas a varanda, mas sendo assim não lavo mais”, diz.

A falta de consciência é geral. Dona Ana Maria Soares Rosaboni diz que não sabe o que vai fazer. “Eu lavei esse quintal sexta-feira da semana passada, mas não pode deixar de lavar. Eu faço minha parte, economizo, mas deixar sujo não pode”, afirma.

Por todas as ruas em que a reportagem passou era possível ver, pelo menos, uma dona de casa lavando calçadas e ruas. Uma empregada doméstica de uma casa que preferiu não ser identificada, conta que não sabia da lei e que lava a calçada e o quintal três vezes por semana. “Se falar pra ela (patroa) que não pode lavar para não desperdiçar água ela vai me falar que eu não tenho vontade”, diz.

Poços secos

O poço do bairro São Francisco já não tem mais água e para os moradores não ficaram sem o fornecimento, água do bairro Amadeu Malvezzi está sendo captada. Para solucionar o problema, a medida encontrada será aprofundar o poço.

Em entrevista a Gazeta, Gislaine admite que a seca vivida nos últimos dois anos é algo fora do normal e clama conscientização por parte da população. “Peço que denunciem o desperdício anonimamente. Precisamos economizar ao máximo. Já conquistamos verba para a perfuração de um poço profundo com capacidade de 1 milhão de litros, mas isso vai levar pelo menos um ano até licitar e tudo, então precisamos economizar para até lá não ficarmos sem água”.

Potirendaba tem atualmente 23 poços que abastecem os quase 16 mil moradores. Essa população gasta, por mês, uma média de 67,3 milhões de litros de água. Para se ter uma dimensão do consumo, essa quantidade de água encheria quase 27 piscinas olímpicas com cinquenta metros de comprimento.

Sobre a lei

O artigo 41 da lei 2345 proíbe lavar calçadas, ruas e veículos com água tratada. A fiscalização fica por parte da própria prefeitura que primeiro aplica advertência, na reincidência uma notificação por escrito e multa que varia de R$ 402,80 a R$ 1.007,00. Além da multa, o infrator terá o fornecimento de água cortado por até 48 horas e para religação, além de pagar a multar, terá que pagar as taxas de corte e religação.

Ante a reincidência do infrator, a lei prevê ainda acréscimo de mais 24 horas sem água a cada nova suspensão. Gislaine diz que não queria ter que multar ninguém, mas o problema em Potirendaba já está mais grave do que se possa imaginar. “Já estamos com campanhas nas escolas, igrejas, carros de som e panfletagem. A mobilização precisa ser geral”, alerta.

Potirendaba tem hoje dois agentes de postura para fiscalizar, mas Gislaine colocou a Guarda Municipal que também tem autorização para aplicar multas em quem desperdiça água.

(Fotos: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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