Passageiro de ultraleve fala pela primeira vez após acidente que matou piloto em Guapiaçu

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Pouco mais de um mês da queda de um ultraleve em Guapiaçu, o passageiro, Erick Douglas da Silva, falou com exclusividade para a Gazeta do Interior. O acidente que aconteceu no dia 8 do mês passado, em um canavial da cidade, matou o piloto, Valter dos Santos, de 69 anos, que era empresário e morador de Olímpia (SP).

O jovem já está em casa e se recupera bem. No dia em que Erick chegou ao hospital os médicos disseram que seria necessária a realização de uma cirurgia por conta dos ferimentos sofridos na queda, mas que felizmente não foi necessário. Pelo menos por enquanto, o jovem de 23 anos não poderá voar até que se recupere totalmente.

“Eu já tinha voado outras vezes, inclusive com o próprio Valter. A gente já se conhecia fazia mais de um ano. Voar é um sonho meu de quando eu ainda era criança, sempre fui apaixonado por aviões e meu pai sempre me incentivou. Foi aí que decidimos comprar esse ultraleve”, conta.

Quase que todos os fins de semana, Erick e o pai vão à pista improvisada no meio do canavial. Naquele sábado, pegou a câmera digital para registrar o voo, como também sempre fazia.

“Decolamos e voamos uns três minutos. Estava ventando um pouco, começamos perder altura e depois não me lembro de mais nada, minha memória apagou”, declarou.

O rapaz fala que sofreu fratura na bacia, no punho, machucou levemente a coluna, mas que felizmente sente apenas dores leves. “Eu credito que o vento tenha provocado o acidente. O Valter era bastante experiente e inclusive eu já tinha voado com ele outras vezes. O equipamento era novo, mas se foi alguma pane, infelizmente não saberei informar isso, pois não vi nada”, finalizou o jovem que é auxiliar de produção.

O ACIDENTE:

José Ricardo da Silva Paula, pai de Erick, contou no dia da tragédia que Valter teria feito uma manobra arriscada, perdido o controle e caído.

“Estávamos todos aqui na pista improvisada quando eles decolaram. Depois só vimos uma fumaça. Chegamos aqui e vi que meu filho estava caído há uns cinco metros do local. Socorri os dois e os levamos ao Pronto Socorro de Guapiaçu”, contou.

O pai encontrou a câmera que Erick estava filmando o voo, mas a bateria e o cartão de memória não. “Meu filho é mais viciado em ultraleve do que eu. Pagamos R$ 15 mil pelo track e voamos a primeira vez hoje. O Valter estava interessado em comprar o equipamento”, completou.

Piloto e passageiro foram socorridos para o Hospital de Base de São José do Rio Preto. Por conta das queimaduras, Valter não resistiu. O corpo do empresário foi enterrado em Olímpia.

INVESTIGAÇÃO:

Segundo a Polícia Civil de Guapiaçu, o inquérito ainda está aberto e as oitivas começaram a ser despachadas esta semana para José e Erick serem ouvidos. A polícia aguarda ainda o laudo da perícia para poder entregar o inquérito à justiça.

(Produção e Reportagem: Luiz Aranha/Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior no mês de julho)

(Foto: Diogo De Maman)

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