Padre, prefeito e primeira-dama são investigados por desvios de merenda escolar em Itajobi (SP)

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O padre, o prefeito e até a primeira-dama de Itajobi (SP) estão sendo investigados pelo desvio de merenda escolar na cidade. Eles são alvos de uma ação civil movida pelo Ministério Público da cidade pelo ato de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito.

Segundo a ação obtida pela Gazeta, o prefeito, Lairto Luiz Piovesana Filho, o então padre da época, Wanderley Ramos dos Santos, pertencente à Diocese de Catanduva (SP), a primeira-dama, Cristiane Angelita Goberski Piovesana, e um amigo do prefeito, Sebastião Antônio Muller desviavam merenda escolar através de quermesses realizadas pela paróquia. A própria igreja era a responsável de pegar os alimentos em supermercados da cidade.

De acordo com as denúncias que chagaram ao promotor de justiça, André Luís de Souza, produtos da merenda escolar do município foram desviados no ano de 2018 e destinados para a realização de quermesses e leilões de gado nos dias 08/07/2018, 11/08/2018, 29/09/2018 e 12/10/2018. Além disso, em alguns eventos da igreja, os serviços de DJ foram contratados com recursos públicos, com valores abatidos em um contrato administrativo que a empresa tinha com a Prefeitura de Itajobi.

Em 2018, Padre Wanderley, era pároco da Igreja São José e responsável por toda a administração das receitas e despesas da referida paróquia. Segunda a denúncia, ele tinha amizade com o prefeito da cidade, Lairto e também com a primeira-dama, Cristiane. Desde que assumiu, o casal “sempre deixou bem claro que prestaria auxilio à igreja católica para a realização de eventos e demais necessidades”.

Segundo o promotor, marido e mulher determinaram desvios de recursos públicos da prefeitura para a igreja católica, a qual era administrada pelo padre. Para que os desvios de recursos públicos fossem feitos, Lairto e Cristiane contavam com o apoio de Sebastião Muller, pessoa esta que, de fato, se portava como um verdadeiro assessor do prefeito e da primeira-dama, bem como do padre, visando facilitar os desvios dos recursos públicos do município.

O Ministério Público entendeu que o erário público de Itajobi foi utilizado como financiador de parte destes eventos, com a entrega de gêneros alimentícios da merenda escolar (buscados na cozinha piloto ou então em supermercados que tinham contrato com a prefeitura) para a cessão de alimentos e outros insumos e que seriam destinados à educação do município. O responsável por buscar os produtos era Sebastião Muller ou então o próprio padre Wanderley.

Segundo os denunciantes, a igreja teria solicitado para um fornecedor da prefeitura a entrega de 300 frangos da merenda escolar para a quermesse que iria ocorrer no Bairro Capão Grosso, em outubro de 2018. Sebastião Muller teria ido até a cozinha piloto, com seu próprio veículo, uma pickup, e lá encheu a carroceria com sacos de 50 kg de batata, cebola, alho, além de caixas de óleo fechadas – ingredientes estes que seriam utilizados na farofa que vai dentro do frango que era vendido nas quermesses e eventos da igreja.

Questionado pelo Ministério Público, o Bispado de Catanduva afirmou que não localizou em seus arquivos os referidos balancetes e prestações de contas sobre os eventos realizados pela igreja. “Assim sendo, causaram dano à coletividade, uma vez que usaram recursos públicos sem a necessária e devida cautela. Nem se argumente que os demandados não tinham ciência da ilegalidade de suas atitudes”, afirma o promotor.

O MP entendeu ainda que ficou comprovado que o padre Wanderley recebeu dos cofres públicos ajuda financeira e de produtos para a realização de seus eventos na igreja católica, incorporando a seu patrimônio bens e rendas públicas. Assim o promotor diz que houve enriquecimento ilícito e, prefeito, primeira-dama e assessor Muller, cometeram ato de improbidade administrativa, além de prejuízo aos cofres públicos.

O promotor pede o ressarcimento integral do dano no valor acrescido de juros e correção monetária a ser apurado na instrução, de forma solidária, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio. Se concorrer esta circunstância, o MP pede a perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos, além do pagamento de multa civil de até duas vezes o valor do dano.

No momento em que foi procurado pela Gazeta, o celular do padre Wanderley estava desligado. De Itajobi, ele já teria sido transferido para Urupês e atualmente está como padre na cidade Pindorama (SP). Na paróquia ele não foi encontrado para comentar o assunto.

O celular do prefeito Lairto também estava desligado. A primeira-dama, Cristiane Angelita e Sebastião Muller não foram encontrados pela nossa reportagem.

(Foto: Reprodução Google)

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