Os limites do amor ao futebol

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O que o futebol significa para você? Pense… ainda não continue a ler… pense e responda mentalmente. Pronto? Então vou colocar as prováveis respostas e talvez você se encaixe em alguma delas.

a) Não suporto futebol: então vira a página do jornal e leia outra coisa, caso já tenha lido tudo o que foi escrito na Gazeta, vá caminhar e preservar a saúde.

b) Assisto, mas não gosto: tudo bem, você é daqueles que dizem que torcem para a seleção brasileira, né? Seja muito bem vindo para discutir um pouco mais sobre o esporte, que, querendo ou não, é o mais importante do país.

c) Amo futebol: Você talvez seja o melhor tipo de torcedor. Saiba: amar o esporte, significa querer que ele cresça e que as coisas ruins se afastem dele, além disso é gostar dele independentemente para qual clube torça.

d) Sou louco pelo meu time e é ele a única coisa que me interessa no futebol: cuidado, você pode fazer coisas que não tem relação com o futebol, como agredir ou maltratar torcedores de outros clubes ou até mesmo esquecer que existe uma vida além do esporte.

Mas porque essa pergunta na coluna de hoje? Decidi separar os tipos de torcedores pelo que vem acontecendo nos últimos meses no futebol. Indo a estádios e acompanhando jogos onde há muitas pessoas assistindo, percebo que existem sempre aqueles que perdem a noção das coisas. Tem quem esqueça que tem família, vida e amigos e coloca tudo isso atrás de uma camisa de futebol.

O que movimenta tanto amor movimenta também o ódio pelo outro. Mesmo sendo um apaixonado por futebol desde criança, nunca entendi de onde vem a raiva sem fim por torcedores de outras agremiações e por jogadores que não rendem o esperado. Nós não vivemos em um país com guerras onde duas ideologias diferentes lutam uma contra a outra.

Na Escócia, país localizado na Grã-Bretanha, a rivalidade entra Celtic e Rangers movimenta uma séria rivalidade que provoca atos de violência absurdos. A diferença é que por lá, existe uma briga entre católicos e protestantes, e, cada um desses times representa um lado. Ou seja, a torcida acaba jogando um cenário histórico para dentro do gramado.

Mas e por aqui? Por que há torcedores que acham bonito agredir o adversário? O que eles fizeram? O esporte é entretenimento e não passa disso. Colocar o futebol acima de tudo, além de falta de noção, é uma burrice extrema.

O que temos que colocar em primeiro lugar é a nossa vida e o que faz ela melhor e não os resultados de um jogo comandado por 22 homens milionários que não estão nem aí para saber se você existe. O futebol é gostoso sim pela rivalidade, caçoar do adversário, fazer piadas e brincadeiras. Isso é saudável e necessário para a sobrevivência do esporte, mas acaba por aí.

Na última semana de janeiro, cerca de 100 bandidos desocupados que se classificam como torcedores invadiram o Centro de Treinamento do Corinthians para agredir jogadores e comissão técnica, os mesmos jogadores que não vem atuando bem, mas que deram os maiores títulos da história do clube.

Além da pressão, os invasores chegaram a esganar o atacante Paolo Guerrero, um dos mais importantes da história e ameaçaram quebrar a perna de outros. Isso é coisa de menino mimado bandido que não teve educação em casa.

Na outra ponta, a diretoria do Corinthians teve a grande chance de cortar as relações com a torcida organizada, mas não fez. Muito disso por política, afinal, mesmo a torcida sendo a grande causadora de boa parte das crises do time. Muitos dos atuais líderes administrativos são ligados a Gaviões da Fiel e se Mario Gobbi decidisse abandonar os gaviões, poderia perder o posto de presidente nas próximas eleições.

O exemplo de mudança vem do principal rival do Timão, o Palmeiras. Depois de episódios de violência e ameaças, o presidente Paulo Nobre, cortou as relações com as organizadas do clube. Com isso, pararam de dar ingressos para bandidos organizados irem a estádios e os deixaram pelo lado de fora das paredes do clube, onde é o lugar de torcedor.

Estou sendo chato? Então, para encerrar, vamos aos números. Segundo uma pesquisa divulgada recentemente pela consultoria Stochos, a violência é o que mais afasta os torcedores dos estádios. Cerca de 43% dos entrevistados disseram que não vão assistir jogos com medo da violência, sendo que 84% do total acredita que as organizadas são as responsáveis por isso.

Pronto. Nada melhor para provar que, enquanto não tirarem a bandidagem das arquibancadas, aquela imagem de estádio sempre lotado vai ficar cada vez mais distante. Ruim para quem respondeu a alternativa “C”, ruim para quem ama o futebol.

(Coluna publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de fevereiro)

(Foto: Divulgação)

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