O trem da morte, um ano depois… Como ficou, o que sobrou…

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A maior tragédia da região noroeste do Estado com trens completa nesta segunda-feira (24) um ano. Era 16h38 de um domingo quando o trem descarrilou e três vagões atingiram cinco casas, matando oito pessoas e deixando outras oito feridas no bairro Jardim Conceição, em São José do Rio Preto.

Quem mora ou passa pelo local a sensação em lembrar aquele dia ainda é de angústia. Na área das casas destruídas pelo trem placas de lata foram instaladas e nada mais foi construído. A empresa América Latina Logística (ALL), responsável pela concessão da linha férrea na região, já gastou R$ 10 milhões entre indenizações e melhorias no trecho urbano da cidade, mas a insegurança em conviver com os trens passando dentro do município ainda é gigantesca.

A agente de saúde, Ana Lucia Dias da Silva, perdeu cinco familiares naquela tarde de domingo. Entre eles o irmão Waldemar Dias da Silva Filho, na época com 41 anos, as cunhadas, Paula Ramos Cardoso da Silva, 36, e Denize da Cruz Flora, 33, e as sobrinhas, Rafaela dos Santos Barcelos, 2 anos e Amanda Cardoso da Silva, 16.

Ana mora no bairro Vila Elmaz e está cuidando da mãe Luzia Dias da Silva, de 79 anos, que sobreviveu ao desastre. Ela fala que mesmo retirando a linha férrea de dentro da cidade, os problemas vão continuar. “Onde eles colocarem os trens o problema vai estar lá. Casas serão construídas em volta, pessoas vão continuar morrendo. O problema só vai mudar de endereço”, diz.

Quem também sobreviveu foi a pequena Danielle Dias da Silva, de 11 anos, que perdeu o pai Waldemar e a mãe Denize no acidente. Hoje morando com os padrinhos, a menina chegou a receber uma pensão de R$ 1 mil mensais da ALL, mas que foi cortada depois do advogado da família recusar o acordo de R$ 600 mil de indenização. “Esse valor aplicado não renderá o suficiente para cuidar dela até a maioridade. Ela estudava em escola particular, não podemos mudar o padrão de vida dela. Ela perdeu a casa, os pais. Como que ela vai se manter até os 18 anos”, questiona Ana Lucia.

Em outra casa morreram Graziela Joaquim dos Santos, 27 anos, que estava grávida, o filho dela, Kauã dos Santos Almeida, de 6 anos, e Francisco Félix Emiliano, 30 anos.

Causas do acidente:

Segundo laudo da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), o trem estava acima da velocidade de 25 km/h no momento do acidente e que problemas na estrutura da malha ferroviária também contribuíram para o acidente. O próprio maquinista em depoimento afirmou que estava a 44 km/h e que achava que aquela era velocidade normal para o trecho.

O que diz a prefeitura:

Em nota, a prefeitura de São José do Rio Preto informou que tenta, desde 2009, a retirada dos trilhos da área urbana da cidade. Tanto, que já em março de 2009, elaborou o estudo básico – Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental – EVTEA – para provar a viabilidade econômica e ambiental de se transferir o tráfego pesado de trens da região urbana de Rio Preto para a região rural.

Trecho da nota diz que foram investidos R$ 140 mil no estudo feito pela prefeitura, que foi entregue ao Ministério dos Transportes. Ao todo serão cerca de 26 quilômetros de linha férrea, passando por terras de Mirassol, Rio Preto, Bady Bassitt e Cedral, a maioria áreas rurais. O estudo serviu de base para que o Ministério dos Transportes, por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), abrisse licitação em 2010, para elaboração do projeto executivo para retirada dos trilhos.

A prefeitura disse ainda que a malha ferroviária é federal e está sob concessão da ALL, empresa argentina, sendo fiscalizada pela ANTT. O problema agora depende de ação do Governo Federal.

O que diz a ALL:

O conjunto de indenizações soma o valor de R$ 10 milhões. R$ 2,5 milhões que serão pagos em até 18 meses, serão destinados para trabalhos filantrópicos. R$ 3 milhões que serão pagos às famílias, uma parte para o Hospital Ielar e outro restante que será investido em obras de segurança.

Homenagens do dia 24/11:

Nesta segunda-feira uma missa será celebrada na Igreja Basílica, às 19h, no bairro Boa Vista, em Rio Preto, em homenagem aos falecidos na tragédia. Às 20h, familiares, vizinhos e vítimas farão no local do acidente um movimento também em homenagem aos mortos.

(Foto: Colaboração Polícia Militar)

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