O sufoco da torcida corinthiana

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Torcedores corinthianos se unem para assistir à final da libertadores em Tabapuã. Tensão e alegria no mesmo lugar.

Jonas Garcia

jonas@gazetainterior.com.br

A placa em frente ao estabelecimento anunciava “Feijoada e jogo do Corinthians Vs. Boca Júniors”, o que estava valendo era somente a feijoada, pois o jogo todos já sabiam e aos poucos os torcedores foram chegando. Todos devidamente uniformizados com camisetas roxas, brancas, pretas, bandeiras e etc. Não faltaram também torcedores de outros times brasileiros se dizendo verdadeiros argentinos. Sorte que eram poucos.

Com a mesa posta, todos comiam com os olhos ligados no telão na espera do inicio do jogo e então soa o apito. Olhos vidrados, um piscar de olhos parecia tempo demais para perder qualquer imagem. Cada vez que a bola chegava à área corinthiana ouviam-se gemidos de desespero ou de esperança por um gol.

Para desviar a tensão, a boca sempre se mantinha cheia com petiscos ou bebidas, outros mais nervosos levantavam-se da cadeira e iam pra fora para poder fumar ou simplesmente se acalmar.

Os poucos, porém corajosos torcedores do Boca gritavam e chamavam a atenção dos demais, deixando a disputa ainda mais prazerosa, pois por mais que o Corinthians estivesse na final, a taça ainda estava longe.

Tic-tac, Tic-Tac o relógio no telão parecia não andar e enfim chega ao fim o primeiro tempo deixando todos os presentes mais leves por manterem o jogo em condições iguais.

Assim como no estádio, agora é a hora de ligar o som do carro e cantar a plenos pulmões pra quem quisesse ouvir o hino do Corinthians, até que se ouve “Bem amigosΓǪ” e todos voltam a suas cadeiras como se estivéssemos em uma escola em dia de prova.

No salão, ouvia-se somente o som do estádio até que aos oito minutos o timão faz um gol e a gritaria toma conta. Pulos, gritos, abraços e choros fizeram parte da comemoração, sem esquecer os vários “Chupaaa” direcionados aos torcedores do time argentino.

Coração aliviado, agora tudo era festa. Os petiscos começaram a ficar de lado e conversas paralelas já eram ouvidas, embora o assunto fosse o mesmo: “O título já é nosso. Agora não tem pra ninguém”.

A contagem para o final do jogo agora é regressiva, se antes o tempo já não passava agora ele tinha parado de vez, até que aos 26 minutos do segundo tempo acontece o segundo gol do Corinthians. Como se fosse um replay do anterior, a cena se repetia: Todos de pé, gritando, se abraçando, chorando e brincando com o adversário.

Um dos torcedores que estava vestindo a camisa da seleção Argentina ao levar o segundo gol, disfarçadamente se retirou, outros ainda corajosos continuaram a assistir ao jogo que agora ninguém mais prestava atenção. Era só esperar o apito final.

O som do carro foi ligado e em coro todos cantavam: “Me dão, me abraça, viaja comigo pro céu. Sou gavião e levanto a taça para orgulho e delírio da fiel”.

Ninguém sabia os autores dos gols, até porque isso não tinha importância nenhuma, para os presentes o objetivo era ver o time do coração segurar a taça que há mais de 100 anos tem tentado em vão.

Enfim soa o apito final para nossa alegria, eram fogos de artifício no céu e os gritos na garganta, era o sonho corinthiano enfim realizado. Nas ruas já se ouviam buzinas dos carros que puxaram uma grande carreata com muito som, gritos e rojões como se não houvesse o amanhã tamanha alegria que os torcedores sentiam naquele momento. Parabéns Corinthians!

 

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