O Presidente Torcedor

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Por Marcelo Schaffauser

Sábado, 11h, estádio Benedito Teixeira, em São José do Rio Preto. O América Futebol Clube entra em campo pelo Campeonato Paulista sub 17, para enfrentar a equipe do Monte Azul. Na arquibancada atrás do gol, está José Carlos Pereira Neto, o Zé Branco, atual presidente do clube americano. Sem se importar com conforto das cadeiras cativas e em meio à entrevista especial para o Gazeta do Interior, o homem forte do Rubro deixa aflorar todo o seu lado torcedor durante o jogo dos garotos. Pressão em cima do árbitro, xingamento contra o bandeirinha e a explosão de emoção no momento do gol da virada.

Presidente a moda antiga e levando no peito a paixão pelo clube desde 1967, Zé Branco conta os sonhos que têm para clube, além de revelar porque resolveu assumir a presidência do time americano, em meio ao turbilhão de assuntos polêmicos como dívidas, estádio, parcerias e más administrações, que levaram o gigante do interior paulista ao fundo poço e para o “inferno” da quarta divisão do futebol de São Paulo.

E como não bastassem todos os problemas que enfrenta o Rubro ainda terá seu estádio leiloado. Publicado no último dia 11 de junho pela Justiça do Trabalho de São José do Rio Preto, o estádio Benedito Teixeira, o Teixeirão, irá a leilão no próximo dia 25 junho, às 13h.

Presidente, qual a real dívida do América hoje? E qual o planejamento para acabar com essas dívidas?

Zé Branco – Nossa dívida hoje, aproximadamente é de R$ 8 milhões, sendo R$ 4 milhões em ações trabalhistas e os outros R$ 4 milhões no âmbito federal. Um dos grandes culpados por isso é o “Dr. Toninho”, advogado do clube, que disse que não recebeu por seus serviços. Mas, as más administrações anteriores que são culpadas por esse bolo todo. É puramente incompetência administrativa. Nós trabalhamos dentro do nosso limite. Temos que ter juízo e não gastar mais do que recebemos. Temos trabalhado duro para combater essa dívida. Apostar nas categorias de base, que podem render bons frutos para o América é uma das saídas. A dívida é pagável. Se o América ficar três anos sem dívidas, nós saímos dessa situação.

Recentemente o América fechou uma parceira com o Derac, para as categorias de base. O quanto foi importante essa parceira e atualmente em quais categorias o América disputa campeonatos?

Zé Branco – Fiz pelo “Seo” Arino, que é uma pessoa muito boa, um descobridor de talentos. Nosso contrato foi de palavra. O América fornece toda a parte de alimentação e estrutura para os garotos e em troca disputamos as categorias sub 15 e sub 17 do Campeonato Paulista.

Como é a divisão de porcentagem na participação dos jovens atletas, em caso de futuras vendas? Quanto o América ganha?

Zé Branco – Todos são 100% do América. Claro que temos que ter bom senso, mas acredito no contrato de cavalheiros, que temos.

O América pretende se adequar aos parâmetros de gestão para poder aproveitar a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte?

Zé Branco – Claro. Não brigando com a CBF e a FPF temos todo interesse. Nós já fazemos esse trabalho de se adequar, mas precisamos esperar como vai ficar essa situação para não entrar em conflitos com a Federação.

O “Teixeirão” realmente será a leiloado? Quais projetos o América tem para o estádio? Existe algum planejamento para o término das obras, ou interessados?

Zé Branco – Primeiro que o estádio precisa do alvará, que nós estamos tirando. Quando eles veem avaliar, dizem que vale R$ 41 milhões, mas no papel isso é somente o valor do terreno e não do complexo todo. Acredito que valha muito mais que isso. Queremos fazer melhorias, como terminar a parte das cativas, preenchendo com mais cadeiras, e também colocar mais 8.500 cadeiras no setor central. Assim, as duas arquibancadas atrás do gol ficariam como gerais e poderíamos cobrar um pouco mais por essas cadeiras nos setores de frente para o campo. Existem empresas interessadas em terminar o projeto, uma até de Orlando, nos Estados Unidos.

E a questão das cadeiras cativas. Como está essa arrecadação com os sócios?

Zé Branco – Temos três mil cadeiras, mas apenas 500 pagantes, no valor de R$ 160, além dos camarotes, que temos outros 40 que pagam R$ 600 de mensalidade. Precisamos e contamos com a colaboração desses sócios.

Qual a perspectiva do clube em voltar a ser o time protagonista do interior paulista?

Zé Branco – É o que todos nós queremos, mas temos que ser protagonistas reais. Sem dívidas.

Espelha-se em clubes vizinhos como Mirassol, Penapolense, ou mesmo o Novorizontino que subiu de divisão recentemente?

Zé Branco – O América se espelha em sua própria grandeza. O Mirassol não tem estádio próprio, sendo que temos o nosso. Já o Novorizontino, eu admiro, mas precisou mudar de nome para voltar e fugir das dívidas. Penso que se meu pai me deu um nome, preciso honrá-lo e é assim que quero fazer com o América.

Qual sua expectativa, ou quando você acredita que o América poderá a voltar a caminhar com as próprias pernas e retornar a elite estadual?

Zé Branco – Nós já caminhamos com nossas próprias pernas. A gente põe o dinheiro e esquece que colocou. Já investi muito dígitos no clube, mas fazemos porque acreditamos no América. Hoje temos um sub -20 feito, com ou sem parceiro temos que ser fortes. Quando chegamos não tínhamos um jogador, hoje temos 15 contratados. Estamos com olheiros em algumas partes, como em Minas, por exemplo, que temos o Neri, que estão em busca de novos valores, que alguns, aliás, já estão conosco e renderão bons frutos. Então temos feitos muitas coisas pelo América.

Porque quis ser presidente do América?

Zé Branco – Sou americano desde pequeno. Vi o América esquecido e aniquilado nos últimos tempos. A convite do meu vice, resolvemos pegar o América. Amo esse clube e por isso que aceitei esse desafio.

Até quando vai seu mandato, e o que pretende realizar e deixar de legado dentro dele?

Zé Branco – Vai até 2017. Só coisas boas. Um time estruturado nas categorias de base. Quero deixar para o torcedor, um América transparente, em que todos saibam o que acontece no clube.

Qual é o seu sonho para o clube?

Zé Branco – Quero sempre o América bem. Com alimentação adequada para os atletas, ônibus de viagem, ou seja, com a mínima estrutura possível para as atividades no clube. Pretendo comprar um centro de treinamentos, nem que for com o meu dinheiro. Esse seria meu maior sonho para o clube.

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