Motoristas “voam” na João Neves; oito em cada dez trafegam acima do limite na rodovia que tem velocidade permitida de 80 km/h

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As placas alertam que a velocidade é de 80 quilômetros por hora, mas infelizmente não é o que os usuários da rodovia João Neves praticam. Durante uma fiscalização da Polícia Rodoviária Estadual a pedido da Gazeta do Interior, oito em cada dez motoristas foram multados por excesso de velocidade na pista.

E essa foi apenas uma das infrações flagradas. Nossa reportagem trafegou pelos 18 quilômetros de pista simples que ligam Potirendaba a Cedral e constatou imprudências graves como ultrapassagem em local proibido, falar ao celular enquanto dirige e até pessoas que ainda insistem em não usar o cinto de segurança.

A rodovia é um braço de acesso de uma das principais rodovias do Estado, a Washington Luís e é administrada pelo Departamento de Estradas de Rodagem. Nela, acidentes graves e a maioria deles com morte, são registrados com frequência.

A pedido do jornal Gazeta a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) realizou uma fiscalização utilizando o radar móvel no quilômetro 8 da pista, durante a tarde da sexta-feira, dia 3 de julho, por volta das 16h. Durante cerca de 20 minutos em que nossa equipe acompanhada da Polícia ficou no local, oito de cada dez motoristas que passaram naquele trecho foram multados por dirigirem acima da velocidade permitida no trecho.

Em um dos flagrantes, uma motorista dirigindo o veículo a 118 km/h, quase 50% acima da velocidade permita. Além de a infração ser considerada grave, ela foi autuada em R$ 127,69 e levou cinco pontos na habilitação.

Nesta fiscalização com a PRE a Gazeta constatou que a maioria dos usuários da pista trafega, a uma velocidade média, de 104 km/h. Cerca de 30% acima do permitido no trecho.

A polícia acredita que o número de multas aplicado naquele dia não tenha sido ainda maior devido ao horário e principalmente porque os motoristas alertam os que ainda não passaram pela fiscalização com sinal de luz. O ato de avisar outros motoristas também é infração, segundo o Código de Trânsito Brasileiro e cabe multa.

“Além de cometer infração, o motorista que alerta outro condutor com sinal de luz pode estar alertando um bandido que pode estar com uma pessoa sequestrada e não passar por aquele local de fiscalização. É muito importante que jamais sinalize fiscalização policial”, alerta o sargento da PRE, João Reis.

Para o sargento, apesar das boas condições da pista, o limite de velocidade estabelecido nas rodovias de pista simples evita acidentes graves. “Um veículo que trafega dentro do limite de velocidade estabelecido no trecho faz com que, caso ocorra acidente, ele não provoque morte. A velocidade estabelecida não é para a polícia fiscalizar, é para o usuário respeitar para ele não matar”, comenta.

Preocupado com a situação da via, o jovem de 19 anos, Cauê Costa, enviou uma carta à Gazeta pedindo ajuda na fiscalização e sinalização da rodovia. “Viajo para São José do Rio Preto todos os dias e vejo um grande número de infrações gravíssimas na rodovia João Neves. Não há um dia em que motoristas não arriscam as próprias vidas e de terceiros”, diz trecho do texto.

Cauê viaja com a mãe todos os dias pela João Neves de carro e teme que algum acidente grave possa acontecer com eles por conta da imprudência de outros motoristas. Mãe e filho falam que já pediram ajuda na prefeitura e no Departamento de Estradas de Rodagem (DER), mas que até hoje nada foi feito. “Poderiam implantar radares. Não é loucura pensar nisso, infelizmente só quem anda nesta rodovia sabe das barbaridades que os motoristas cometem”, afirma o jovem.

ACIDENTES:

A Gazeta do Interior já mostrou dezenas de acidentes graves no trecho que tem várias curvas e muitas delas perigosas. 12 pessoas já morreram e várias ficaram feridas no trecho que liga Potirendaba a Cedral. O excesso de velocidade e a imprudência são fatores que contribuíram para as causas das batidas.

Um dos mais graves e que chocou a região aconteceu no dia 2 de maio do ano passado. O motociclista, Leandro Quintão, de 33 anos, que vinha sentido Cedral x Potirendaba, não conseguiu frear a tempo e acabou batendo na lateral de um carro. Ele morreu na hora.

No 16 de fevereiro deste ano outro acidente grave envolvendo motociclistas. Alessandro da Silva Souza, de 23 anos, e o garupa, Emerson Soares de Carvalho, de 21 anos, de São José do Rio Preto, saiam do carnaval de Potirendaba e bateram na traseira de um carro que seguia no mesmo sentido. Alessandro morreu na hora e Emerson foi socorrido em estado grave.

Nos dois acidentes, ambos os motociclistas estavam em velocidade acima do permitido na via, segundo laudo da Perícia Técnica.

Já no dia 7 de maio um carro com três pessoas bateu de frente com um caminhão que vinha sentido Cedral à Potirendaba. Uma das suspeitas é que o motorista teria tentado fazer uma ultrapassagem no momento e, devido à neblina, não teria visto um caminhão que vinha de frente. Por sorte, ninguém se feriu com gravidade.

O sargento afirma ainda que de acordo com cada acidente registrado em determinado trecho da rodovia, um estudo é feito e repassado aos órgãos de fiscalização e administração do Estado como o Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Com base em índices e estudos levantados pela PRE, sinalização e melhorias são feitas nas rodovias.

Ainda com base no grande fluxo de veículos e principalmente de caminhões que trafegam na João Neves, uma verba de quase de R$ 21 milhões foi liberada pelo Governo do Estado. Com esse dinheiro serão feitos nove quilômetros de terceira faixa e 21 quilômetros de acostamento pavimentado. Além disso, será construído um dispositivo, tipo rotatória fechada, na altura do quilômetro dois, restauração da estrutura do pavimento, recapeamento da camada de rolamento, sinalização, defensas na ponte e represa da pista.

Segundo o DER, o projeto está em fase de atualização e deverá ser concluído só em agosto de 2015. Já a publicação do edital de licitação para contratação da empresa que executará os serviços está prevista para outubro de 2015.

(Matéria especial publicada na edição impressa da Gazeta do Interior de julho de 2015)
(Foto: Jonas Garcia/Gazeta do Interior

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