Moradores reclamam do atendimento de agências bancárias de Potirendaba; maioria recusa recebimento de contas

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A precariedade das agências bancárias de Potirendaba tem virado motivo de frustração para usuários da cidade. São inúmeras as reclamações que chegam à Gazeta diariamente desde a demora no atendimento como até a recusa no recebimento de boletos de qualquer valor.

O município possui quatro bancos, sendo dois públicos e outros dois privados. São eles Santander e Bradesco privado e Brasil e Caixa Federal públicos.

Nossa reportagem percorreu todos eles durante uma semana, com boletos diferentes para serem pagos e registrou como foi em cada um deles. A pior situação enfrentada é no Bradesco, onde até as cadeiras para a fila de espera para os caixas foram retiradas.

Nossa equipe foi à agência em uma terça-feira, por volta das 13h e apenas um funcionário atendendo no caixa. Na fila, pelo menos 15 pessoas aguardavam atendimento.

Em Potirendaba existe lei do tempo máximo de permanência na fila dos 15 minutos, mas aparentemente isso só funciona no papel, pois fomos obrigados a aguardar 42 minutos para ser atendidos. O funcionário educado, pergunta ao repórter o que deseja e quando a resposta é efetuar o pagamento de uma fatura de celular de apenas R$ 29,99, o bom humor parece sumir.

Funcionário:_Não recebemos boleto aqui, só alí na papelaria.

Repórter:_Mas fiquei na fila quarenta minutos e agora vou ser obrigado a pegar outra fila?

Funcionário:_Infelizmente não recebemos nenhum tipo de boleto aqui, apenas efetuamos depósitos e saques. Já tem a papelaria e as farmácias que recebem as contas.

Fomos então ao Santander e além da demora, a resposta dada ao também único atendente do caixa é ainda mais grave.

Funcionário:_Só recebemos contas de clientes do Santander e boletos acima de R$ 2 mil.

O próximo foi o Banco do Brasil e a resposta não foi diferente.

Funcionário: _A gente só pode receber contas de clientes do banco. Você é cliente?

No Banco do Brasil, nossa reportagem foi atendida em 12 minutos, mas na cidade, os Correios realizam serviço como correspondente bancário.

O único banco onde conseguimos efetuar o pagamento foi na Caixa Econômica Federal. Em uma sexta-feira, próximo ao quinto dia útil, nossa reportagem aguardou apenas seis minutos na fila e lá dois funcionários realizavam o atendimento.

Repórter:_Aqui vocês recebem todo tipo de conta, mesmo sem ser cliente do banco?

Funcionário: _Sim, normal.

Lembrando que a cidade possui uma casa Lotérica que efetua praticamente os mesmos serviços da Caixa e não encontramos dificuldades com os serviços.

A decisão de não receber contas é uma regra interna dos próprios bancos, pois o pagamento de contas é um serviço previsto pelo Banco Central, o qual não pode ser recusado por nenhum banco ou instituição financeira. Os bancos tem o direito de criar convênios ou não para pagamentos de contas de água, luz, e telefone, mas não são obrigados a fazê-lo.

Caso tal serviço seja oferecido, não pode haver discriminação por parte do banco, ou seja, ele não pode escolher qual conta aceitar ou não, ou se ele vai aceitar a conta de um tipo de cliente e de outro, não.

Ao mesmo tempo, o banco ou instituição financeira não podem dificultar o acesso aos canais de atendimento para pagamento de contas. Isso inclui o caixa, caixas automáticos, e internet banking. Traduzindo, quem for pagar contas tem os mesmos direitos de quem for realizar outras transações bancárias na instituição e o banco não pode recusar o pagamento de contas no caixa ou qualquer outro meio de atendimento disponibilizado pelo banco, de acordo com as regras do Banco Central.

As agências da cidade que já possuo mais de 16 mil moradores aparentam ter parado no tempo. Os dois bancos privados possuem apenas dois caixas eletrônicos e quase sempre um estão com problema. A Caixa Federal possui quatro equipamentos e o Banco do Brasil seis caixas e apresentam problema com menos facilidade.

A professora Fabiana Kélida mora em São José do Rio Preto, mas trabalha em Potirendaba e conta que ficou assustada com o atendimento na cidade. “Eu recebo pelo Bradesco e nunca vi um descaso tão grande de atendimento. Pelo que aparenta a agência é antiga e já é minúscula pela quantidade de pessoas que a frequentam. Falta espaço até para os funcionários”, observa.

Grandes indústrias como de cana-de-açúcar, de postes e de bebidas efetuam o pagamento de seus funcionários nos bancos da cidade, um total de mais de 5 mil funcionários. Se levarmos em consideração que a cidade possui uma média de 6,5 mil residências, são 13 mil contas de água e energia a serem pagas na cidade.

A papelaria citada pelo funcionário do Bradesco fica em frente à agência e é um chamariz para criminosos. O local é correspondente bancário Bradesco e não recusa nenhum tipo de pagamento.

As filas extensas chegam a dobrar a calçada e não existe nenhum tipo de agente de segurança armado ou vidros de proteção blindados. Fatores que colocam em risco a vida dos usuários, bem diferente dos bancos que são obrigados a investirem em segurança como vigias armados, portas com detectores de metal, vidros blindados e cofres com abertura retardada.

Nossa reportagem encaminhou o caso ao Banco Central do Brasil, mas até o fechamento desta edição, a assessoria de imprensa não havia retornado nosso contato.

(Reportagem publicada na edição impressa do jornal Gazeta do Interior do mês de fevereiro de 2018)
(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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