Moradores e até prefeitura de Potirendaba descumprem lei e podam árvores no “zero”

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Podas de árvores consideradas drásticas estão na mira da fiscalização da coordenadoria do meio ambiente de Potirendaba. Uma lei municipal prevê multa de mais de R$ 2 mil para quem descumprir, mas até a própria prefeitura parece não respeitar a norma.

De acordo com o coordenador do meio ambiente da cidade, Marco Antonio Zinézio, diversos moradores não respeitam a norma e realizam o corte drástico dos galhos. “As pessoas infelizmente não pedem autorização e não se informam sobre a poda. Primeiramente notificamos e se caso o morador volte a cometer o mesmo crime, é aplicada uma multa”, fala.

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Segundo ele, no ano passado, a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), realizou poda em diversas árvores onde os galhos estavam atingindo a rede elétrica da cidade. O coordenador explica que mesmo atrapalhando a fiação elétrica, existem normas a serem cumpridas.

“Não é só chegar e ir cortando. Esse caso específico, entendemos que por ser uma Concessionária de energia e que poderia comprometer o abastecimento do município era necessária a poda, porém este ano estamos rigorosos e vamos ficar em cima dos funcionários, pois muitas árvores sofreram com a poda realizada”, argumenta.

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Andando por Potirendaba não é difícil encontrar uma árvore que tenha sido erradicada simplesmente porque a calçada estava sendo quebrada pelas raízes dela. “Isso acontece porque o morador não veio até nós, pedir orientação, saber quantos metros deve plantar, colocar um tubo para que a calçada não quebre. Árvore só traz benefícios, além de projetar uma sombra maravilhosa”, fala o coordenador.

Em março de 2010 a então prefeita, Gislaine Franzotti, instituiu a política pública de proteção, controle e preservação do Meio Ambiente. Trecho da Lei diz que quando não houver disposição em contrário e nem sua fixação por Lei especial, as multas previstas por esta Lei terão seu valor correspondente a 80 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo – UFESP (R$ 25,70), sendo aplicadas em dobro nos casos de reincidência, totalizando R$ 2.056,00.

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O documento afirma que os serviços de poda somente poderão ser executados por pessoas cadastradas junto à prefeitura e mediante critérios técnicos e fica vedada a erradicação de árvores sem autorização prévia da prefeitura; poda da qual venha a resultar a mutilação da árvore ou a poda não autorizada pela prefeitura.

Segundo a prefeitura, o município possui cinco podadores cadastrados. A Gazeta descobriu que outros seis deles realizam o serviço na cidade e não possuem nenhum tipo de autorização da prefeitura.

De acordo com a exigência municipal, a população também precisa solicitar uma autorização prévia para realizar a poda das árvores, porém isso não acontece. O levantamento mostra que, em 2017, nenhum morador solicitou a poda.

Isso acontece, segundo o coordenador, porque os podadores já sabem as técnicas e as formas como devem ser podadas. “Os moradores também tem a consciência de que se realizar uma poda fora dos parâmetros será punido de acordo com a lei”, fala.

Marco explica ainda que a poda nem deveria acontecer. “A própria árvore cresce e consegue ganhar sua estrutura. Infelizmente as pessoas criaram esse hábito e isso é realizado, na maioria das vezes, porque atinge uma rede elétrica ou atrapalha o trânsito”, diz.

Após esta reportagem ser publicada na edição impressa da Gazeta do Interior de abril de 2018, a prefeitura de Potirendaba também desrespeitou a lei e podou drasticamente árvores de locais públicos. Leitores enviaram fotos para nossa redação da Cozinha Piloto e também do Projeto Guri (foto em destaque) do município que tiveram as árvores praticamente cerradas.

A prefeitura disse que os funcionários que realizam a poda são terceirizados e a empresa contratada para prestar os serviços foi notificada.

(Fotos: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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