Moradores de Potirendaba reclamam da queima da palha da cana-de-açúcar

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Atualizado às 18h00

Mesmo com a determinação da Justiça Federal da suspensão da queima da palha da cana-de-açúcar em todo o noroeste paulista, em Potirendaba a medida não vem sendo cumprida. Há dias as donas de casa reclamam da fuligem provocada pelo incêndio dos canaviais.

A suspensão de todas as licenças e autorizações concedidas sem estudos prévios para a queima da palha na região noroeste paulista aconteceu em junho do ano passado. A decisão foi concedida a partir de uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF) que aponta que a queima intensifica problemas de saúde e causa danos ambientais de grandes proporções.

No período da colheita, a quantidade de gases tóxicos chega a ser seis vezes maior do que em outras épocas do ano, elevando os registros de doenças respiratórias e cardiovasculares. São atribuídos às emissões casos de câncer e problemas crônicos, detectados principalmente nos trabalhadores dos canaviais.

Outro problema apontado pelo MPF é a formação de chuvas ácidas, que danificam o solo e os rios da bacia do Rio Grande, além de causar a morte de animais, muitos deles em extinção, como tamanduás-bandeira e lobos-guará.

Ana Lucia Fajan é a mãe da Gabriela de apenas dois anos e reclama da queimada. “O tempo seco já é prejudicial, ainda com essas queimadas tudo fica ainda pior. Eu gastei só nesses primeiros dez dias de julho mais de R$ 100 na farmácia com ela”, comenta.

“A gente não vence limpar a casa e o quintal. Limpa à tarde e no outro dia amanhece forrado com a fuligem preta”, reclama a dona de casa, Maria de Fátima.

Mas, de acordo com os produtores, a decisão deixou o trabalho mais perigoso e menos lucrativo. Enquanto um trabalhador corta 12 toneladas de cana queimada em um dia, sem a queima, a produção cai pela metade.

Nossa reportagem entrou em contato com a Usina Cofco Agri, em Potirendaba, por ser uma das empresas com maior área de produção de cana na cidade. A Usina disse em nota que segue todas as determinações da legislação vigentes e  que possui equipes de brigadistas treinados e um total de 14 caminhões-pipas na unidade de Potirendaba, sendo que seis deles acompanham as frentes de colheita e o restante trabalha em ronda.

Trecho da nota diz que tem atuado fortemente em parceria com o Corpo de Bombeiros e Polícia Ambiental para apoiar as autoridades nesse tema para combater incêndios intencionais e criminosos.

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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