Moradores de Conjunto Habitacional de Tabapuã reclamam que casas foram construídas em cima de reservatório de piche

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Casas de um conjunto habitacional de Tabapuã entregues há menos de dois anos apresentam problemas de rachaduras, pisos soltos e moradores afirmam que alguns dos imóveis foram construídos em cima de um reservatório de piche.

O Conjunto Habitacional, Natal Baratella, foi entregue em dezembro de 2015 pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pelo custo de cerca de R$ 5 milhões. Ao todo foram construídas 47 casas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) em uma área doada pela prefeitura, mas muitas delas estão comprometidas e correndo risco até de desabar.

O técnico em enfermagem, Leandro Pérpetuo Nobre foi um dos contemplados no sorteio e o problema dele não para de aumentar. Ele relata que desde quando mudou para a casa, ela não para apresentar problemas.

“Quando eu mudei começou a apresentar rachaduras nas paredes, aí eu acionei a CDHU no começo e sempre prestaram a manutenção exigida, mas depois começou a minar piche em baixo da placa de edificação da casa e não estávamos entendendo o que era aquilo, foi onde, muito tempo depois, eu descobri que esse terreno servia de depósito de piche para o recape dessa rodovia que vai para Olímpia”, diz.

Ao todo seis imóveis apresentam os problemas por causa da camada de piche que existe no terreno. O que os moradores reclamam é que quando começou a construção dos imóveis, não houve estudo do solo.

Leandro diz que procurou um advogado para ingressar com ação contra a prefeitura, já que o terreno foi doado pelo município. Funcionários foram até o local e retiraram vários quilos do material que continua em baixo dos imóveis.

Por conta do piche, a casa de Leandro recebeu sete estacas para escorá-la, pois está afundando. Além do transtorno de obras, dor de cabeça com os inúmeros problemas que não param de surgir.

A casa da empregada doméstica, Tatiane Cristina dos Santos Nance, também está na mesma situação. Ela diz que tem infiltração na sala, no banheiro, o quarto possui rachaduras e o chão da cozinha está oco.

“É uma situação que a gente não sabe o que fazer. Só se demolir as casas e fizer novamente”, fala.

Os moradores contam que a CDHU prestou todo o apoio necessário e inclusive chegou a reformar os imóveis, trocando portas, janelas, pisos e até pintura. “Será que quando foram construir essas casas não realizaram uma análise de solo, alguma coisa do tipo. Agora quem fica sofrendo aqui somos nós”, afirma Leandro.

Segundo o Secretário Meio Ambiente da cidade, José Pedro Innocencio de Mello, a prefeitura está integrada do caso e está tomando as medidas necessárias.

“Fizemos a retirada de uma caçamba desse material que é um sedimento asfáltico de petróleo da casa do Leandro e enviamos para análise. Agora o próximo passo é realizar uma sondagem, ou seja, um estudo do solo e do material que foi retirado, para saber a dimensão desse material e quantas casas estão sendo afetadas, só que infelizmente isso não é algo rápido, pois temos que licitar empresas e é um custo alto, chegando a R$ 40 o metro de perfuração”, explica.

O local, segundo o secretário, é acompanhado por geólogos e também pela Cetesb. “Eu garanto que as casas não correm risco de cair”, afirma Mello.

Leandro ingressou com ação contra a construtora, a CDHU e também contra a prefeitura. A ação de fazer obriga as três a entregar um imóvel ao contemplado com condições de habitar.

Segundo o advogado dele, José Geraldo, a justiça determinou o prazo de 60 dias para que construtora, CDHU e Prefeitura resolvam o problema sob pena de multa diária. Porém, a prefeitura de Tabapuã entrou com recurso, porém perdeu.

“O que estamos exigindo é que entreguem a casa para ele com condições de morar. Só a reforma, retirada do piche não são suficientes, precisamos de uma solução definitiva para o caso. Além disso, queremos uma ação indenizatória pelos transtornos causados por ter de pagar, até hoje, um imóvel sem condições de moradia”, explica.

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de novembro de 2017)
(Fotos: Arquivo pessoal)

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