Moradores da zona rural de Potirendaba estão esperando internet de graça há quase três anos

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Fotos: Em destaque os três estudantes esperam pelo sinal prometido gratuitamente. A segunda imagem mostra apenas parte da estrutura que deveria receber as torres e a última, as estruturas abandonadas no fundo do Armazém Comunitário

Você já imaginou ter que andar oito quilômetros para poder fazer um trabalho de escola? É essa a situação que alunos que moram no bairro Coqueiral, zona rural de Potirendaba enfrentam. Eles são obrigados irem à cidade para poderem ter acesso à internet e realizar as atividades designadas em sala de aula.

Essa realidade poderia ser diferente se o projeto da prefeitura de levar internet de graça para todos os bairros da cidade tivesse dado certo. A promessa começou a ser cumprida, mas parou no meio do caminho. Falta de planejamento ou empresa competente para executar a obra fez com R$ 198 mil fossem praticamente, desperdiçados.

Há mais de um ano que a torre instalada no topo da caixa d’água que abastece o bairro está abandonada. Ali não há nenhum sinal de que internet chegará algum dia.

“Já desacreditamos da promessa. Eu acho que facilitaria e muito ter internet pra nós. Ainda mais se fosse de graça, como prometido”, diz a estudante Danúbia Fabri Sinhorini que tem 12 anos e cursa a 7ª série na cidade.

O Programa de Convergência Social, “Cidade Digital”, deveria fornecer à população sinal gratuito de internet, através de sistema Wi-Fi. O beneficiário deveria providenciar os equipamentos necessários para a recepção do sinal com uma antena via-rádio e não ter nenhum tributo pendente na prefeitura como IPTU ou conta de água.

Em julho de 2011 foi publicada no Diário Oficial a escolha da empresa que realizaria o serviço. Através de pregão presencial, Ge Network Provedor de Internet LTDA venceu a licitação pelo valor de R$ 198 mil.

O edital previa a instalação de antenas de transmissão de sinal nos bairros da área urbana como, José Afonso Amato, São Francisco, Centro e em cima da caixa d’água do Saneamento de Água e Esgoto de Potirendaba (SAEP). Nos bairros rurais seria no Coqueiral, Boa Vista, Marcos Sena e Vila Nova.

Em uma rápida visita pelos bairros, percebemos que na área urbana da cidade tem antenas e alguns equipamentos instalados, mas na área rural há apenas os ferros das torres.

Nossa equipe flagrou que as estruturas das torres que deveriam estar instaladas, estão abandonadas nos fundos do Armazém Comunitário da cidade. Quase três anos depois o que podemos notar é desperdício de dinheiro público e promessa que deixou uma população revoltada.

“Porque prometem? Somos um grupo de mais ou menos trinta alunos aqui no Coqueiral e só tem internet quem contrata de empresa particular”, diz o estudante Carlos Manoel Scamardi Cardozo, da 6ª série.

É o caso de Thaisa Rizzato. A jovem paga cerca de R$ 60 por um modem de internet móvel, mensal. Essa é a única internet que chega ao bairro rural. Detalhe é que a prefeitura considera o bairro como área urbana do município, mas fica oito quilômetros de distância da cidade. “Hoje eu consigo pagar, mas já cheguei pagar até R$ 30 por um trabalho que precisava ser feito pela internet”, diz.

Outra situação encontrada por nossa equipe foi a falta de conhecimento desse serviço pela população. “Internet de graça aqui? Nossa nunca nem ouvi falar disso”, fala rindo, André Henrique Pereira, estudante do 2º colegial e que mora no bairro onde há torre.

Segundo o departamento de Tecnologia da Informação da prefeitura de Potirendaba, na cidade a internet está funcionando normalmente.

A prefeitura forneceu o nome de 23 pessoas que tem o serviço de internet gratuita no município. Vanessa Cristina Pires Oliveira é uma das cidadãs que faz parte do programa. Ela é professora e conta que usa todos os dias sem nenhum problema. “A internet está boa. Para baixar arquivos ela é lenta, mas ouço música e faço todas as atividades da escola sem nenhum problema”.

Vanessa mora no bairro Jardim das Hortências e recebe o sinal da torre que fica instalada na caixa d´água do bairro José Afonso Amato. Prova de que dentro da cidade, pelo menos, o serviço está sendo executado.

Quanto à zona rural, a prefeitura informou que até o dia 15 deste mês, a empresa Ge Network vai levar internet para os moradores.

Nós entramos em contato coma empresa para saber por que quase três anos depois ainda não foram instalados os equipamentos na área rural, mas ninguém quis falar sobre o assunto.

A Gazeta do Interior continua acompanhando e dia 10 de maio você confere como está essa situação.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de abril)

(Fotos: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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