Moradora de Bady Bassitt vai às redes sociais questionar gastos da prefeitura

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Diz que uma andorinha só não faz verão, mas uma cidadã de Bady Bassitt tem chamado a atenção de outros moradores do município publicando os gastos da prefeitura da cidade na rede social mais acessada do mundo, o Facebook. Se dizendo cansada de tantos gastos considerados por ela, desnecessários, ela foi até à Câmara dos vereadores cobrar investigações das contas.

Muitas pessoas enviaram as postagens da moradora para a Gazeta e nossa reportagem decidiu conhecer quem era a munícipe indignada. Ela é advogada há mais de 20 anos e é moradora de Bady Bassitt há 12. Silvana Nunes Félix conta que decidiu divulgar os gastos da prefeitura por revolta com os altos valores pagos com despesas simples como combustível.

As postagens de Silvana começaram no fim do mês passado quando, segundo ela, apareceu uma postagem para ela um repasse de R$ 648 mil para fazer sete quilômetros de vicinal e não especificava local. “Isso me causou estranheza. Mandei um email pra a prefeitura pedindo esclarecimento desse gasto. A partir deste questionamento a prefeitura me respondia com arrogância e eu pedi para que me respondessem como munícipe e não como advogada. Por conta disso entrei no site da prefeitura e comecei a pesquisar os gastos”, diz.

Além dos questionamentos, Silvana afirma ter uma fonte de dentro da própria prefeitura que fornece cópias de cupons fiscais e controles internos de despesas dos próprios comércios de Bady Bassitt. Ela garante que a fonte não tem nenhum interesse político e nem amigo dela é. “A pessoa viu minha postagem e começou a me mandar as despesas, mas ela é um funcionário da prefeitura e que simplesmente não tem interesse nenhum”, diz.

As notas e comprovantes são postados por Silvana em um grupo do Facebook denominado “Notícias de Bady Bassitt”. Na página, além da advogada, vários moradores postam reclamações, pedem ajuda e denunciam problemas de seus bairros.

Silvana diz que encontrou o espaço como ferramenta para poder cobrar das autoridades explicações para tais despesas. Em uma de suas postagens, Silvana questiona, por exemplo, pagamento no valor de R$ 14 mil por mês, referentes a despesas com coleta de galhos e podas.

Com cupons fiscais de um dos postos de combustíveis da cidade, a moradora reclama do valor pago ao fornecedor. A Gazeta levantou junto ao Portal Transparência e, somente em 2014, a prefeitura de Bady Bassitt pagou para o posto inscrito na razão social Sidney & Otto Auto Posto de Serviços LTDA, a quantia de R$ 632.280,50. O que representa uma média de quase R$ 53 mil por mês. Com esse combustível seria possível ir de Bady Bassitt a São Paulo cerca de 350 vezes. Só este ano, de janeiro até o dia 1º deste mês de outubro, a prefeitura já pagou R$ 458.304,07. Somente no dia 06/08, a prefeitura pagou R$ 9.448,65 de combustível.

A revolta de Silvana não para por aí. No começo do mês ela foi à Câmara dos vereadores cobrar explicações e pedir ajuda aos vereadores para que as contas do Executivo sejam fiscalizadas. Porém o desabafo dela na própria rede social fala da decepção que ela teve com os parlamentares.

“Nunca senti tanta vergonha alheia na minha vida. Os vereadores me viram lá como se eu fosse um ET. Eles simplesmente me disseram que não podiam fazer nada porque eles não têm autonomia para isso e que era para eu procurar o Ministério Público”, diz Silvana.

As contas do prefeito, Edmur Pradela, e do vice, Luiz Antonio Tobardini, do ano de 2012 foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Dentre as irregularidades encontradas pelos relatores do Tribunal estão despesas excessivas com propaganda, aquisição de produtos alimentícios que, somadas ao final, seria obrigatória a realização de licitação e entre outras.

Em trecho da nota, enviada à Silvana, em resposta aos questionamentos dela, a prefeitura de Bady Bassitt afirma que “este rigoroso controle de contas é auditado sistematicamente pelo Tribunal de Contas do Estado”.

“Esta forma de governar permite que, apesar da crise grave dos municípios e da sistemática ação contrária de opositores sem compromisso com a comunidade, Bady tem conseguido conquistas importantes, que estão sendo transformadas em obras que beneficiam a todos os moradores. Sobre os questionamentos sobre o Programa Melhor Caminho, informamos que os serviços são executados pela Codasp, empresa pública do governo do Estado. E para que fique melhor esclarecido, o dinheiro não entra nos cofres da Prefeitura. O Estado paga diretamente à Codasp pelos serviços prestados”, diz parte da nota.

“Só quero saber onde está indo meu dinheiro e acho que tenho direito em saber”, desabafa Silvana.

Após esta reportagem ser publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de outubro, representantes da prefeitura procuraram a redação do jornal exigindo direito de resposta. O jornal se colocou a disposição, mas até agora ninguém da prefeitura se manifestou.

(Fotos: Divulgação)

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