Ministério Público apura decreto municipal para exclusão de candidatos aprovados em concurso de Potirendaba

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A polêmica envolvendo o concurso público de Potirendaba não termina. Depois da suspensão decretada pela justiça em março deste ano, agora a investigação segue para a segunda etapa, onde o Ministério Público apura favorecimento de pessoas ligadas ao executivo com decreto para excluir aprovados.

Pelo menos sete candidatos entraram com mandado de segurança depois de serem excluídos do concurso. Professores e diretores que foram classificados e já deveriam assumir os cargos, foram considerados inaptos pela psicóloga contratada pela prefeitura do município.

A decisão de os aprovados passarem por avaliação psicológica surgiu através de um decreto da prefeita, Gislaine Montanari, publicado no dia 4 de maio, pouco tempo depois da divulgação da lista dos aprovados. A decisão fere a Constituição Federal, segundo o MP.

O artigo 1º do decreto afirma que os classificados do processo seletivo deverão passar por avaliação de atenção, raciocínio lógico e inteligência, produtividade, equilíbrio emocional, equilíbrio afetivo, relacionamento interpessoal, planejamento e realização, agressividade, capacidade de organização, sintomas de depressão e vulnerabilidade ao estresse. O artigo 3º afirma que os candidatos considerados inaptos serão desclassificados.

Durante a solenidade de entrega da creche do bairro Jardim dos Eucaliptos, na tarde desta última sexta-feira (3), Gislaine afirmou que jamais houve a intenção de favorecimento durante toda a realização do ato. “Imagine se colocarmos uma pessoa que tenha algum tipo de problema psicológico para cuidar de crianças. A criança quando está dentro da escola é de responsabilidade da escola então devemos ter profissionais capacitados para cuidar dessas crianças. O concurso presta todas as pessoas e não tem como saber se a pessoa que está prestando tem algum tipo de problema por isso que necessita de uma avaliação psicológica”, explica.

Gislaine aproveitou para se manifestar sobre a rejeição do projeto que criaria mais três vagas de vice-diretor na cidade. “Falaram que as vagas seriam para beneficiar a Andreia e a Roseli, mas eu recebi a notícia que as duas já receberam o comunicado de que serão convocadas mesmo sem depender das vagas. Eu respeito a decisão dos vereadores, mas pensei em aumentar o número de vagas para melhorar ainda mais o sistema de educação na cidade”, justificou.

Questionada pela Gazeta do porque da criação das vagas após a realização do concurso, a prefeita admite a falha. “Realmente foi uma falha que não vimos antes”, diz. O aumento de vagas gerou polêmica e o projeto foi rejeitado por unanimidade pelos vereadores na última sessão. A desconfiança do legislativo era justamente que pessoas ligadas ao governo de Gislaine fossem favorecidas com a criação de mais cargos.

Um morador de Urupês que prefere não se identificar e passou no processo seletivo foi reprovado pela psicóloga contratada pela prefeitura por desequilíbrio emocional. “Como que podem me avaliar em apenas uma conversa por desequilíbrio emocional. É um tanto quanto ridícula essa desclassificação”.

“As pessoas que foram consideradas inaptas agora terão a oportunidade de comprovarem sua aptidão ao cargo. Entrando com ação e o outro psicólogo provar que a pessoa é capaz de assumir o cargo, quem sou eu para discutir”, explicou a prefeita.

(Foto: Gazeta do Interior-arquivo)

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